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Brasil estuda conectar até 5 plataformas do pré-sal por cabos submarinos para criar primeira rede elétrica offshore do país
Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/10/2026 às 21:55
Atualizado em 14/10/2026 às 21:56
Setor Offshore
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Projeto Power Grid avalia interligar FPSOs do campo de Mero por cabos submarinos, permitindo compartilhamento de energia entre plataformas e abrindo caminho para uma futura rede elétrica integrada no pré-sal brasileiro.
O Brasil começou a estudar uma mudança importante na forma como grandes plataformas de petróleo recebem e compartilham energia em alto-mar.
O Consórcio de Libra, liderado pela Petrobras e responsável pelo campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, contratou o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) para avaliar a interligação elétrica de até cinco FPSOs por meio de cabos submarinos.
Batizado de Power Grid, o projeto foi anunciado em junho e detalhado pelo Cepel em 8 de julho de 2026. O contrato terá duração prevista de dois anos e reúne estudos técnicos e econômicos para verificar se é possível criar o primeiro sistema integrado de energia elétrica entre plataformas offshore do Brasil.
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Hoje, plataformas desse tipo normalmente operam como sistemas elétricos independentes. Cada FPSO precisa produzir a energia necessária para manter equipamentos de processamento, bombas, compressores, sistemas de controle e demais estruturas funcionando em alto-mar, com geração baseada principalmente em turbinas a gás.
Cabos submarinos podem permitir compartilhamento de energia entre FPSOs
A proposta estudada pelo Cepel é diferente. Cabos elétricos submarinos permitiriam que as plataformas compartilhassem a energia disponível, criando uma rede semelhante, em escala offshore, ao conceito utilizado em sistemas elétricos interligados em terra.
Uma unidade com geração disponível poderia, por exemplo, contribuir para atender demandas de outra plataforma conectada ao mesmo sistema, dependendo da configuração que venha a ser considerada tecnicamente viável.
O projeto ainda está na fase de estudos e não representa uma decisão de construção da rede.
Entre os trabalhos previstos estão a definição das possíveis formas de conexão entre as plataformas, análise do fluxo de potência, curto-circuito, estabilidade elétrica e confiabilidade do sistema.
Os pesquisadores também terão de determinar como dimensionar os cabos submarinos e equipamentos de conexão para suportar longas distâncias e as condições de operação encontradas no ambiente marítimo.
O estudo inclui ainda sistemas de proteção e estratégias para controlar a rede caso ocorram falhas ou alterações na demanda de energia.
Projeto compara plataformas isoladas com uma rede elétrica integrada
Outra etapa será comparar o modelo atual, no qual as unidades trabalham de maneira isolada, com cenários de operação integrada.
Segundo o Cepel, a análise deverá medir possíveis efeitos sobre consumo de combustível, custos operacionais e emissões de gases de efeito estufa.
A instituição também prevê utilizar sua infraestrutura de Smart Grids para realizar simulações em tempo real por meio de sistemas conhecidos como Hardware in the Loop.
Esses testes permitem reproduzir situações operacionais e verificar como equipamentos e estratégias de controle responderiam antes de uma eventual implantação no mar.
Campo de Mero já reúne cinco navios-plataforma
O estudo está concentrado no campo de Mero, uma das maiores operações de petróleo do país.
Localizado a aproximadamente 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro e em águas ultraprofundas de cerca de 2.100 metros, Mero integra o pré-sal da Bacia de Santos e é operado pela Petrobras em parceria com Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC e CNOOC, além da Pré-Sal Petróleo, que representa a União no contrato de partilha.
O campo já reúne cinco navios-plataforma. A unidade mais recente é o FPSO Alexandre de Gusmão, que começou a operar em maio de 2025 e se juntou ao Pioneiro de Libra, Guanabara, Sepetiba e Marechal Duque de Caxias.
Em agosto de 2026, o Alexandre de Gusmão atingiu o topo de produção, com capacidade de 180 mil barris de petróleo por dia.
A Petrobras identifica a unidade como a quinta instalada em Mero e classifica o campo atualmente como o terceiro maior produtor da companhia, atrás de Búzios e Tupi.
Embora Mero já tenha cinco FPSOs instalados, o Cepel descreve o escopo do Power Grid como uma avaliação para conectar até cinco plataformas.
A documentação divulgada não estabelece que todas as unidades necessariamente serão interligadas nem apresenta um traçado definitivo dos cabos, já que essas definições fazem parte justamente dos estudos contratados.
Rede pode reduzir consumo de combustível e abrir espaço para renováveis
Um dos objetivos é descobrir se a rede poderia permitir o uso mais eficiente da capacidade de geração existente.
Em vez de dimensionar cada plataforma apenas para responder isoladamente às próprias necessidades e situações de contingência, o estudo avaliará como a disponibilidade conjunta de energia pode aumentar a confiabilidade e abrir espaço para novas cargas.
O Power Grid também olha além da geração feita dentro dos FPSOs.
O Cepel afirma que a interligação poderá criar condições técnicas para incorporar futuramente fontes renováveis às operações offshore, incluindo energia eólica, além de servir como base para estudar uma eventual conexão dessas cargas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Nenhuma dessas alternativas, porém, foi anunciada como projeto de implantação nesta etapa.
Alexandre Orth, diretor-geral do Cepel, afirmou na apresentação do projeto que a conexão de plataformas com fontes renováveis faz parte de uma tendência internacional de redução das emissões na indústria de óleo e gás.
Para o centro de pesquisas, a experiência acumulada com sistemas elétricos interligados no Brasil poderá ser aplicada agora aos desafios de uma rede instalada em ambiente marítimo.
Estudo poderá servir de base para outros campos offshore
O contrato atual deriva de um trabalho anterior de pesquisa e desenvolvimento realizado entre o Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes) e o Cepel.
A nova etapa deverá transformar essa base inicial em estudos de engenharia capazes de indicar quais configurações podem funcionar no campo de Mero e quais limitações precisam ser superadas.
A Agência iNFRA, que divulgou o contrato em 19 de junho, destacou que a proposta também poderá gerar referências para outros campos brasileiros caso a solução seja considerada técnica e economicamente viável.
A possibilidade de replicação é citada igualmente pelo Cepel, que vê o projeto como uma base para futuras aplicações offshore no Brasil e no exterior.
Enquanto os estudos avançam, Mero continua ampliando sua produção com as cinco unidades atualmente instaladas.
O FPSO Alexandre de Gusmão alcançou sua capacidade de 180 mil barris diários em agosto, pouco mais de um ano após entrar em operação, adicionando uma nova escala ao campo onde o Consórcio de Libra agora avalia como a infraestrutura elétrica das plataformas poderá funcionar de maneira integrada.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

