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Brasil manda 600 bovinos em 3 voos para Botsuana, país que produz só 10% do leite que consome, e abre espaço na África para genética Girolando e laboratório de FIV

Brasil manda 600 bovinos em 3 voos para Botsuana, país que produz só 10% do leite que consome, e abre espaço na África para genética Girolando e laboratório de FIV

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Brasil manda 600 bovinos em 3 voos para Botsuana, país que produz só 10% do leite que consome, e abre espaço na África para genética Girolando e laboratório de FIV

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 05/10/2026 às 10:14

Atualizado em 05/10/2026 às 10:15

Agronegócio

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Brasil enviou 600 bovinos, sendo 590 Girolando e 10 Gir, para Botsuana, país que produz apenas 10% do leite que consome; operação em 3 voos também prevê transferência de tecnologia e pode levar laboratório de FIV.

O Brasil enviou 600 bovinos leiteiros para Botsuana em uma operação que combina exportação de animais, genética e transferência de tecnologia. O lote reúne 590 animais Girolando e 10 Gir e tem como destino um país africano que produz atualmente apenas 10% do leite que consome.

Os bovinos deixaram o Brasil em três voos fretados, com origem em Lins, no interior de São Paulo, e destino a Lobatse, no sudeste de Botsuana. O primeiro embarque ocorreu em julho, com 189 animais, e os outros dois foram realizados em 25 e 28 de setembro, após inspeção do Vigiagro no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

600 bovinos saem do Brasil para ajudar Botsuana a produzir mais leite

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a operação foi estruturada para apoiar o desenvolvimento da pecuária leiteira botsuanense por meio de melhoramento genético e transferência de conhecimento técnico. Hoje, Botsuana produz apenas uma fração do leite que consome e depende de abastecimento externo para cobrir a maior parte da demanda.

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O grupo enviado ao país é formado quase todo por Girolando, raça desenvolvida no Brasil a partir do cruzamento entre Gir e Holandês. O Gir contribui com rusticidade e adaptação ao clima tropical, enquanto o Holandês adiciona alto potencial leiteiro. Essa combinação tornou o Girolando uma das bases da pecuária de leite brasileira.

Os 10 animais Gir completam o lote exportado. A raça teve papel decisivo na formação da genética leiteira tropical do Brasil e passou por décadas de seleção conduzida por produtores, associações, instituições de pesquisa e órgãos públicos.

Bovino Girolando. Foto: Kiruthikapalani/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Animais foram embarcados em três voos fretados e passaram por inspeção em Viracopos

A logística exigiu operação aérea específica para transportar os bovinos até a África. A equipe da Vigilância Agropecuária Internacional verificou documentos e condições de transporte no Aeroporto Internacional de Viracopos antes dos embarques.

O primeiro voo saiu em julho com 189 animais. Os dois últimos foram realizados em 25 e 28 de setembro, completando os 600 bovinos previstos na operação. Todos partiram de Lins, em São Paulo, com destino final a Lobatse.

As negociações foram conduzidas com a Botswana Development Corporation, empresa estatal do país africano. Em 23 de setembro, o ministro de Negócios e Empreendedorismo de Botsuana, Tiroeaone Ntsima, e representantes da companhia estiveram em Lins para conhecer os animais antes dos últimos embarques.

Botsuana produz só 10% do leite que consome e quer aumentar produtividade

O número que explica a dimensão do projeto é a própria dependência de Botsuana: o país produz apenas 10% do leite que consome, segundo o Mapa. A entrada de genética adaptada a condições tropicais busca elevar produtividade, fortalecer o rebanho local e reduzir essa diferença ao longo do tempo.

A escolha do Girolando acompanha esse objetivo. A raça foi desenvolvida para combinar tolerância ao calor e condições tropicais com capacidade de produção de leite, característica valorizada em ambientes de clima quente.

O projeto também amplia a presença internacional da genética bovina brasileira. A exportação envolve animais vivos, mas o plano discutido entre os países vai além do rebanho que embarcou em 2026.

Parceria pode levar laboratório de fertilização in vitro para Botsuana

Brasil e Botsuana também avaliam instalar no país africano um laboratório de fertilização in vitro, tecnologia usada para multiplicar material genético de animais selecionados e acelerar programas de melhoramento.

O Mapa informa que a cooperação prevê compartilhamento de conhecimentos e tecnologias para estruturar programas de seleção e elevar a produtividade leiteira. A proposta coloca o Brasil como fornecedor de animais e também como parceiro técnico em reprodução e genética.

Rebanho Gir em pesquisa de genética bovina no Brasil. Foto: Scott Bauer/USDA ARS, domínio público.

O país já participa de projetos semelhantes no exterior. Em dezembro de 2025, a Embrapa firmou um memorando de entendimento com empresas indianas e brasileiras para uma cooperação de dez anos voltada a tecnologias genômicas na pecuária leiteira. A iniciativa incluiu apoio brasileiro à instalação, na Índia, de laboratórios de fertilização in vitro, análises clínicas veterinárias e genômica.

Girolando responde por grande parte do leite brasileiro e vira ativo de exportação

A Associação Brasileira dos Criadores de Girolando informa que a raça responde por cerca de 80% do leite produzido no Brasil. Essa escala ajuda a explicar por que a genética brasileira passou a ser apresentada como solução para sistemas leiteiros de regiões tropicais.

Enquanto o Gir se destaca pela rusticidade, o Holandês oferece elevado potencial produtivo. O cruzamento buscou reunir essas duas características em um animal capaz de produzir bem sem perder adaptação a ambientes quentes.

O embarque dos 600 bovinos transforma essa genética em um ativo de exportação. Além da venda dos animais, a operação abre espaço para treinamento, assistência técnica, reprodução assistida e novos negócios ligados à cadeia do leite.

Exportação abre uma estratégia de longo prazo para genética brasileira na África

A chegada dos animais a Lobatse marca a primeira etapa de uma estratégia que pretende aumentar a capacidade produtiva local e diminuir a dependência de leite importado. O resultado dependerá da adaptação dos animais, do manejo e da implantação dos programas de melhoramento previstos na cooperação.

Para o agronegócio brasileiro, a operação mostra como décadas de seleção genética podem gerar novos mercados fora do país. O próximo passo será acompanhar o desempenho do rebanho em Botsuana e saber se a parceria avançará para a instalação do laboratório de fertilização in vitro.

Se o projeto ganhar escala, poderá ampliar oportunidades para genética, tecnologia e serviços brasileiros ligados à pecuária leiteira. Compartilhe esta matéria com quem acompanha pecuária, leite e exportações do agro.

Fontes

Mapa viabiliza exportação de genética bovina leiteira para Botsuana

Girolando apresenta inovações para a pecuária leiteira durante a PEC Brasil 2026


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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