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Brasil perde 21,3% nas exportações de caminhões e 32,6% nos chassis de ônibus, enquanto montadoras preparam ofensiva para 2027 diante do avanço de marcas chinesas na América Latina

Brasil perde 21,3% nas exportações de caminhões e 32,6% nos chassis de ônibus, enquanto montadoras preparam ofensiva para 2027 diante do avanço de marcas chinesas na América Latina

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Brasil perde 21,3% nas exportações de caminhões e 32,6% nos chassis de ônibus, enquanto montadoras preparam ofensiva para 2027 diante do avanço de marcas chinesas na América Latina

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 14/10/2026 às 12:44

Atualizado em 14/10/2026 às 12:45

Indústria

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Brasil perde 21,3% nas exportações de caminhões e 32,6% nos chassis de ônibus, enquanto montadoras preparam ofensiva para 2027 diante do avanço de marcas chinesas na América Latina

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Exportações brasileiras de caminhões caíram 21,3% e embarques de chassis de ônibus recuaram 32,6% até setembro de 2026. A Anfavea quer novos acordos em 2027 para enfrentar a perda de mercados e a concorrência asiática.

As montadoras brasileiras de veículos pesados chegaram a setembro de 2026 com uma perda expressiva no comércio exterior: as exportações de caminhões caíram 21,3%, enquanto os embarques de chassis de ônibus recuaram 32,6% frente aos primeiros nove meses do ano passado. A queda atingiu dois segmentos que abastecem transportadoras e sistemas de passageiros em diferentes países e levou a Anfavea a preparar uma ofensiva comercial para buscar novos mercados a partir de 2027.

Segundo o balanço setorial, o Brasil exportou 17.036 caminhões e 3.528 chassis de ônibus de janeiro a setembro. A entidade avalia que a dependência da Argentina, o aumento da concorrência asiática e as dificuldades financeiras enfrentadas por compradores pressionam os volumes de vendas, mesmo com décadas de presença das montadoras instaladas no país no mercado internacional.

Brasil embarca 17 mil caminhões em nove meses e perde mais de um quinto das exportações

De janeiro a setembro, os fabricantes de caminhões enviaram ao exterior 17.036 unidades, resultado 21,3% inferior ao mesmo intervalo de 2025. Em setembro isoladamente, foram aproximadamente 2.100 veículos embarcados, queda perto de 23% na comparação anual e retração de 6,3% frente a agosto.

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A indústria brasileira de caminhões atende mercados sul-americanos e também compradores da África e do Oriente Médio. Parte dessas operações foi construída ao longo de décadas, com fabricantes adaptando modelos de carga, peças e serviços para condições de utilização muito diferentes das rodovias brasileiras.

Os dados ajudam a explicar por que a Anfavea quer ampliar a carteira de destinos comerciais. Quando uma indústria depende fortemente de alguns países compradores, mudanças cambiais, tarifas ou redução de compras num desses países atingem diretamente as fábricas exportadoras.

Chassis de ônibus recuam 32,6%; setembro fecha com apenas 354 unidades enviadas ao exterior

O resultado dos ônibus foi ainda mais acentuado. As exportações de chassis somaram 3.528 unidades entre janeiro e setembro, retração de 32,6% ante 2025. Apenas no nono mês, as montadoras embarcaram 354 chassis, queda de 47,7% sobre setembro do ano anterior e de 28,3% na comparação mensal.

Chassis é a estrutura mecânica básica sobre a qual as encarroçadoras instalam a carroceria, os assentos e outros sistemas do ônibus. A venda externa desses componentes depende de encomendas de operadores de transporte, importadores e fabricantes de carrocerias nos países compradores.

A redução de embarques aparece ao mesmo tempo que a produção brasileira de chassis caiu 11,2% no acumulado do ano, para 21.343 unidades. No segmento de caminhões, as fábricas produziram 92.305 veículos de janeiro a setembro, uma baixa de 6,4% frente a 2025, segundo a Anfavea.

Ônibus com chassi Volvo embarca para o mercado da Guatemala. Fotografia de exportação realizada em 2023, usada pela Folha como arquivo. Crédito: Divulgação / Volvo.

Montadoras brasileiras enfrentam avanço de fabricantes chineses e pressão nos mercados latino-americanos

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, declarou que a associação pretende retomar conversas comerciais com representantes do governo brasileiro e de países da região. A intenção é procurar novos acordos, recuperar oportunidades perdidas e reduzir a dependência da demanda argentina.

Executivos do setor apontam concorrência mais intensa de marcas asiáticas. Na categoria de ônibus urbanos, fabricantes como Higer e Zhongtong vêm ampliando presença e projetos comerciais na América Latina, disputando clientes com empresas que produzem no Brasil.

A concorrência vai além de preços. A renovação de frotas e a introdução de tecnologias alternativas de propulsão, incluindo ônibus elétricos em alguns mercados, têm alterado as compras de operadores de transporte. As montadoras brasileiras disputam essas encomendas em preço, tecnologia e rede de assistência técnica, num mercado com cada vez mais fornecedores.

Volkswagen Caminhões e Ônibus já exportou mais de 200 mil veículos, mas setor quer abrir novos destinos

A Volkswagen Caminhões e Ônibus completou 45 anos de operações de exportação em 2026. Segundo reportagem da Folha, a fabricante já embarcou mais de 200 mil unidades para países da América do Sul, da África e do Oriente Médio. O histórico mostra a dimensão internacional alcançada pela indústria brasileira de veículos comerciais.

O desafio anunciado para 2027 é recuperar parte dessa presença num ambiente com mais concorrentes. O Brasil mantém estruturas comerciais e acordos regionais, mas a associação das montadoras avalia que os mecanismos atuais não têm garantido volumes de exportação suficientes para a recuperação do setor.

As empresas também convivem com juros elevados no mercado doméstico e sinais de enfraquecimento da demanda. Calvet mencionou o fim do impulso temporário de encomendas ligadas ao programa Move Brasil e o risco de piora dos resultados de pesados no quarto trimestre.

Projeção de fabricação cai 8,2% em 2026, e negociação comercial vira prioridade para 2027

Após revisar seus cenários, a Anfavea passou a trabalhar com queda de 8,2% na produção de caminhões e ônibus em 2026, revisão negativa da expectativa anterior de retração de 6%. A projeção reflete o desempenho industrial observado até setembro e as dificuldades esperadas para o último trimestre.

Para o comércio exterior, a entidade também passou a esperar uma contração anual próxima de 18,7% nas exportações de pesados, segundo as projeções divulgadas em outubro. O volume final dependerá dos pedidos de exportação fechados até dezembro e da recuperação das encomendas nos principais mercados.

Em 2027, a associação pretende colocar a busca por novos mercados no centro de sua agenda. Até lá, os balanços dos próximos meses mostrarão se a retração de setembro foi o ponto mais baixo do ano ou se caminhões e ônibus continuarão perdendo espaço nas vendas internacionais.

O Brasil deve priorizar acordos comerciais para exportar caminhões e ônibus ou investir em novas tecnologias para competir? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta reportagem com quem acompanha transporte e indústria.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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