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Brasil pode consumir 11 bilhões de litros de biodiesel em 2027 se governo elevar mistura obrigatória para B16, com crescimento de 7% nas vendas e maior demanda por óleo de soja

Brasil pode consumir 11 bilhões de litros de biodiesel em 2027 se governo elevar mistura obrigatória para B16, com crescimento de 7% nas vendas e maior demanda por óleo de soja

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Brasil pode consumir 11 bilhões de litros de biodiesel em 2027 se governo elevar mistura obrigatória para B16, com crescimento de 7% nas vendas e maior demanda por óleo de soja

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 23/10/2026 às 17:17

Atualizado em 23/10/2026 às 17:30

Projeção da StoneX aponta crescimento de até 7% na demanda por biodiesel em 2027, com maior consumo de óleo de soja caso o governo aprove o B16.

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Indústria brasileira tem capacidade para ampliar a produção, mas decisão do governo sobre novas regras pode mudar o mercado de combustíveis e movimentar a cadeia da soja

O Brasil poderá alcançar 11 bilhões de litros de biodiesel comercializados em 2027, caso o governo federal aumente a mistura obrigatória ao diesel fóssil de B15 para B16 a partir de março. A projeção da consultoria StoneX indica crescimento de até 7% nas vendas em relação a 2026, impulsionado pela maior participação do biocombustível no diesel comercializado no país.

A possibilidade de expansão, entretanto, ainda depende de uma decisão regulatória. Os testes técnicos para avaliar a viabilidade de misturas de até B20 devem terminar em fevereiro de 2027. Embora a indústria brasileira tenha capacidade para atender ao aumento da demanda, o governo ainda não confirmou a adoção do B16.

Sem a alteração do percentual obrigatório, o cenário será diferente. Segundo a StoneX, a manutenção do B15 poderá limitar o crescimento das vendas a 1,2% em 2027, com consumo estimado em 10,43 bilhões de litros. A diferença entre as projeções mostra o peso da política de mistura obrigatória sobre o mercado nacional de biodiesel.

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Indústria brasileira de biodiesel poderá ampliar produção, mas capacidade ociosa ainda preocupa

A possível adoção do B16 ocorre em um período de expansão da capacidade produtiva brasileira. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apresentados no levantamento da StoneX, indicam crescimento da estrutura industrial entre 2026 e 2027.

A capacidade de produção deverá passar de 51,8 milhões de litros por dia, no fim de 2026, para 55,92 milhões de litros diários em 2027, avanço de aproximadamente 7,9%. O aumento indica que as unidades produtoras possuem condições de acompanhar uma eventual elevação da mistura obrigatória.

Apesar da expansão, parte considerável da estrutura continuará sem utilização. A StoneX estima que a capacidade ociosa média do setor poderá chegar a 40%, mesmo com o crescimento esperado das vendas. Nesse cenário, a adoção do B16 poderia ampliar o aproveitamento das instalações existentes, embora a decisão dependa das avaliações técnicas e do governo federal.

Óleo de soja poderá atingir demanda de 8,75 milhões de toneladas com nova mistura obrigatória

O avanço da mistura de biodiesel também deverá influenciar diretamente o consumo de matérias-primas utilizadas pela indústria. O óleo de soja ocupa a posição principal nessa cadeia e responde por aproximadamente 85% dos insumos empregados na produção nacional, conforme dados da ANP citados pela StoneX.

Caso o B15 permaneça em vigor durante 2027, a demanda por óleo de soja deverá alcançar 8,27 milhões de toneladas. Com a adoção do B16 a partir de março, entretanto, o volume poderá se aproximar de 8,75 milhões de toneladas, ampliando a participação do produto na fabricação do biocombustível.

Nesse cenário, o óleo de soja poderá representar 85,3% das matérias-primas utilizadas pelas unidades produtoras. O levantamento também aponta crescimento de 8,2% na utilização do insumo em relação a 2025, reforçando sua importância para o abastecimento da indústria brasileira.

A competitividade do óleo de soja explica parte dessa concentração. Além disso, a capacidade da indústria nacional de esmagamento favorece o atendimento de uma demanda maior. Outras matérias-primas também poderão registrar crescimento, mas, segundo a StoneX, ainda apresentam menor competitividade em comparação com o principal insumo do setor.

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Viviane Alves

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Mercado brasileiro de biodiesel registra crescimento nas vendas durante os oito primeiros meses de 2026

O desempenho do mercado em 2026 ajuda a compreender as projeções para o próximo ano. Entre janeiro e agosto, as vendas brasileiras de biodiesel totalizaram 6,77 bilhões de litros, crescimento de 7,2% em comparação com o mesmo período de 2025.

O resultado foi impulsionado pelo aumento da demanda por diesel B e pela mudança da mistura obrigatória de B14 para B15 ao longo do período analisado. A elevação do percentual de biodiesel contribuiu para ampliar o volume necessário ao abastecimento nacional.

Em agosto, entretanto, as vendas apresentaram retração de 0,2% diante do mesmo mês de 2025, quando a mistura B15 já estava em vigor. A StoneX considera essa redução pontual e projeta recuperação da demanda por diesel B nos meses seguintes.

Para outubro de 2026, a consultoria estima um pico mensal de 955 milhões de litros de biodiesel comercializados. A expectativa considera o comportamento do consumo de diesel e a evolução das vendas ao longo do ano.

A StoneX também revisou ligeiramente sua estimativa de crescimento anual, reduzindo a previsão de 5,7% para 5,6%. Apesar do ajuste, a projeção de demanda permaneceu em aproximadamente 10,3 bilhões de litros em 2026.

Preços do biodiesel e do óleo de soja apresentam valorização no mercado brasileiro

A evolução dos preços também influencia o mercado nacional de biodiesel. Desde julho de 2026, o biocombustível acumulou valorização estimada de 7,3% no mercado interno, conforme os dados apresentados pela StoneX.

No mesmo período, o óleo de soja registrou aumento de 10%, considerando a referência de preços do interior de Mato Grosso. A valorização da principal matéria-prima utilizada na fabricação do biodiesel representa um fator importante para os custos da indústria.

O comportamento sazonal das vendas também poderá influenciar os preços nos próximos meses. Segundo a análise, a combinação entre matérias-primas mais caras e mudanças no ritmo de comercialização pode favorecer novas valorizações do biocombustível.

A relação entre os preços do óleo de soja e do biodiesel ganha importância diante da possibilidade de aumento da mistura obrigatória. Uma demanda maior pelo insumo poderá ampliar sua participação na cadeia produtiva, embora os efeitos sobre os preços dependam das condições de mercado.

Testes previstos para fevereiro de 2027 poderão orientar decisão sobre aumento da mistura de biodiesel

A definição sobre o futuro da mistura obrigatória dependerá dos resultados dos testes técnicos previstos para fevereiro de 2027. As avaliações buscam verificar a viabilidade de ampliar a participação do biodiesel no diesel fóssil até o percentual B20.

A conclusão dos testes, entretanto, não significa aprovação automática do B16. O governo federal ainda precisará decidir sobre a eventual alteração do percentual obrigatório, considerando as avaliações técnicas e as condições regulatórias.

As projeções da StoneX mostram como essa definição poderá influenciar o setor. Com a manutenção do B15, o consumo nacional deverá alcançar 10,43 bilhões de litros em 2027. Caso o B16 seja adotado em março, a demanda poderá atingir 11 bilhões de litros, com crescimento de até 7% em relação a 2026.

O aumento também poderá favorecer a utilização da capacidade produtiva existente e elevar o consumo de óleo de soja. Ao mesmo tempo, a indústria continuará acompanhando os preços das matérias-primas e a evolução da demanda por diesel B.

A perspectiva para 2027 permanece condicionada à decisão do governo. Enquanto o setor dispõe de capacidade para ampliar a produção, a mudança da mistura obrigatória será determinante para definir qual dos cenários projetados pela StoneX poderá se concretizar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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