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Brasil pode transformar rejeitos de mineração em nova fonte de terras raras, ouro e prata, reduzir barragens e criar negócios onde antes havia apenas passivo ambiental

Brasil pode transformar rejeitos de mineração em nova fonte de terras raras, ouro e prata, reduzir barragens e criar negócios onde antes havia apenas passivo ambiental

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Brasil pode transformar rejeitos de mineração em nova fonte de terras raras, ouro e prata, reduzir barragens e criar negócios onde antes havia apenas passivo ambiental

Escrito por Carla Teles

Publicado em 05/10/2026 às 10:41

Atualizado em 05/10/2026 às 10:45

Mineração

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Rejeitos de mineração podem revelar terras raras, ouro e prata, reduzir volumes em barragens e abrir novos negócios no Brasil.

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Rejeitos de mineração podem virar fonte de terras raras, ouro e prata no Brasil, reduzir volumes estocados e abrir novos negócios com menor pressão ambiental.

Os rejeitos de mineração acumulados durante décadas no Brasil podem deixar de ser tratados exclusivamente como passivo e se transformar em fontes secundárias de minerais, insumos industriais e novas receitas. Dependendo da composição de cada depósito, materiais já armazenados podem conter terras raras, ouro, prata, manganês, vanádio e outros recursos que antigas tecnologias de processamento não conseguiram recuperar.

A possibilidade foi discutida em artigo publicado pela CNN Infra em 2 de outubro de 2026, que aponta uma nova etapa para a mineração brasileira baseada no reaproveitamento econômico e ambiental dos rejeitos. O movimento ocorre depois do endurecimento regulatório associado às barragens e do avanço das discussões sobre segurança, monitoramento, estabilidade e gestão de pilhas de estocagem.

Rejeitos podem funcionar como uma segunda mina

Imagem: Reprodução.

Durante décadas, parte dos materiais que não tinha valor econômico ou possibilidade técnica de recuperação acabou armazenada em barragens, pilhas e outras estruturas. O avanço tecnológico, porém, começa a mudar a maneira como esses depósitos podem ser avaliados.

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Novas técnicas de caracterização mineralógica, processamento mineral, hidrometalurgia, automação e ferramentas digitais permitem identificar elementos que permaneceram nos rejeitos de mineração depois do beneficiamento original. O que antes era classificado apenas como descarte pode, em determinados casos, ser reavaliado como minério secundário.

Isso não significa que todo rejeito tenha valor comercial. A viabilidade depende da geologia da mina original, da concentração dos elementos presentes, do processamento utilizado no passado e do custo necessário para recuperar o material.

Cada depósito precisa passar por investigação geológica, caracterização técnica, testes metalúrgicos, avaliação ambiental e estudos econômicos antes de qualquer operação. A oportunidade existe, mas depende de comprovação caso a caso.

Terras raras, ouro e prata podem permanecer nos depósitos

Entre os exemplos citados estão as terras raras, grupo de elementos estratégicos usado em ímãs permanentes, veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e outras tecnologias ligadas à transição energética.

Esses minerais podem aparecer em determinados rejeitos dependendo da formação geológica e da maneira como a operação original foi processada. A possibilidade ganha relevância justamente quando cresce a procura mundial por minerais considerados críticos para novas tecnologias.

Há ainda situações em que rejeitos provenientes de minas de cobre podem conservar ouro e prata que não foram recuperados durante o processo inicial. Já materiais oriundos da mineração de ferro podem apresentar manganês, vanádio, terras raras ou minerais industriais de interesse.

A lógica é voltar a examinar depósitos já existentes usando tecnologias que não estavam disponíveis ou não eram economicamente viáveis quando o minério foi processado pela primeira vez.

Reaproveitamento pode reduzir volumes armazenados

A recuperação mineral traz uma consequência que vai além da receita obtida com os materiais: parte do volume estocado pode voltar ao processo produtivo.

Ao retirar material de pilhas ou estruturas de armazenamento para recuperação e reaproveitamento, empresas podem reduzir volumes acumulados e, dependendo do projeto, também diminuir determinados riscos operacionais associados à manutenção permanente dessas estruturas.

O benefício não significa que barragens deixem automaticamente de existir, mas cria uma possibilidade adicional para lidar com rejeitos que anteriormente exigiam apenas armazenamento, controle e monitoramento contínuos.

Essa abordagem ganhou relevância depois das tragédias de Mariana e Brumadinho, que mudaram a discussão regulatória sobre mineração no Brasil. O setor passou inicialmente por uma fase concentrada no descomissionamento de barragens construídas pelo método a montante.

Agora, as discussões da Agência Nacional de Mineração sobre pilhas de estocagem ampliam o foco para projeto, estabilidade, monitoramento e gerenciamento de riscos. O reaproveitamento econômico aparece como uma terceira frente dentro dessa transformação.

Rejeito também pode virar matéria-prima para outras indústrias

Nem todo aproveitamento precisa ocorrer pela recuperação de metais. Depois do processamento adequado, determinados rejeitos de mineração podem ser direcionados a outras cadeias produtivas.

Entre as aplicações possíveis estão pavimentação, construção civil e outros usos industriais, desde que o material cumpra os requisitos técnicos, ambientais e de segurança necessários para cada aplicação.

Técnicas de estabilização e utilização de aglomerantes também podem modificar as características desses materiais e contribuir para melhorar seu comportamento geotécnico.

Essa lógica está associada à chamada mineração circular: reduzir desperdícios, aproveitar melhor recursos já extraídos e transformar materiais descartados em produtos, insumos ou novas fontes minerais.

Nova fonte mineral pode diminuir pressão sobre jazidas virgens

O reaproveitamento também pode alterar a necessidade de abrir novas áreas exclusivamente para atender parte da demanda mineral.

Se elementos estratégicos forem recuperados de depósitos que já existem, parte da oferta pode vir de materiais previamente extraídos, reduzindo a pressão por novas áreas de mineração e aproveitando infraestrutura que já faz parte do setor.

O mesmo raciocínio se aplica aos materiais que conseguem substituir agregados naturais em determinadas atividades industriais. Quanto maior o aproveitamento tecnicamente seguro dos rejeitos, menor pode ser a necessidade de extrair recursos equivalentes em novas áreas.

Para o Brasil, essa possibilidade é relevante porque o país reúne longa história de atividade mineral e, consequentemente, grande quantidade de depósitos provenientes de operações antigas e atuais.

O potencial está justamente em combinar conhecimento geológico, engenharia, processamento mineral, inteligência artificial e economia circular para identificar quais desses depósitos podem apresentar uma segunda oportunidade econômica.

Cidades mineradoras podem ganhar novas atividades econômicas

A transformação dos rejeitos de mineração também pode gerar oportunidades fora das próprias minas. Municípios historicamente dependentes da extração mineral podem abrigar atividades de pesquisa, caracterização, processamento avançado e recuperação de materiais.

O artigo cita cidades mineiras como Itabira, Mariana, Congonhas, Itabirito e Nova Lima entre os territórios que poderiam avançar de uma economia concentrada na extração para novas atividades ligadas à inovação e recuperação mineral.

Essa mudança exigiria mão de obra capaz de integrar diferentes conhecimentos. Segurança geotécnica, hidrometalurgia, processamento mineral, sustentabilidade e avaliação econômica passam a fazer parte da mesma cadeia.

O valor dos rejeitos não depende apenas do mineral presente, mas da capacidade tecnológica e empresarial de recuperá-lo de forma segura e economicamente competitiva.

Passivo ambiental pode ganhar uma nova função econômica

A perspectiva apresentada não elimina os riscos históricos da mineração nem transforma automaticamente todo depósito em negócio. A segurança das estruturas continua sendo condição essencial, e nenhum reaproveitamento substitui as obrigações ambientais e regulatórias existentes.

O que muda é a possibilidade de acrescentar uma nova pergunta: além de manter determinado material armazenado com segurança, ainda existe valor mineral ou industrial que possa ser recuperado?

Para o Brasil, a resposta pode abrir uma nova frente em que rejeitos de mineração deixem de representar somente custo de manutenção e passem, quando tecnicamente viáveis, a gerar minerais, insumos e atividade econômica. Terras raras, ouro, prata e outros materiais que permaneceram em depósitos antigos podem ganhar nova relevância conforme avançam as tecnologias de recuperação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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