Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

“Brasil precisa resgatar a Petrobrás”: criador da BR Distribuidora revela o que o país perdeu com a venda da BR e defende mudança que pode mexer com o mercado de combustíveis e o bolso dos brasileiros

“Brasil precisa resgatar a Petrobrás”: criador da BR Distribuidora revela o que o país perdeu com a venda da BR e defende mudança que pode mexer com o mercado de combustíveis e o bolso dos brasileiros

Faça um comentário

5 min de leitura

“Brasil precisa resgatar a Petrobrás”: criador da BR Distribuidora revela o que o país perdeu com a venda da BR e defende mudança que pode mexer com o mercado de combustíveis e o bolso dos brasileiros

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 27/10/2026 às 13:53

Atualizado em 27/10/2026 às 14:40

Petróleo e Gás

Grupo

Sylvio Massa defende a volta da Petrobras à distribuição e critica a venda da BR Distribuidora e a prioridade aos dividendos. Imagem ilustrativa.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Sylvio Massa critica a privatização da antiga subsidiária, questiona a prioridade aos dividendos e defende a volta da Petrobras à distribuição de combustíveis

A Petrobras deve voltar a distribuir combustíveis no Brasil. Essa é a posição do economista Sylvio Massa, um dos criadores da BR Distribuidora, que critica a venda da empresa e questiona quem ganhou com a saída da estatal desse mercado.

Posto com bandeira Petrobras em registro de 2018; Sylvio Massa defende o retorno da estatal à distribuição de combustíveis.

Em entrevista ao jornalista Beto Almeida, no programa Latitud Brasil, Massa defendeu a recuperação da antiga subsidiária. Para ele, a decisão de vender a distribuidora enfraqueceu a capacidade da Petrobras de influenciar os preços e proteger o consumidor.

“A Petrobrás já fazia distribuição e eu era superintendente. Nada impede que a empresa volte a fazê-lo”

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O argumento atinge uma disputa central no setor: qual deve ser a prioridade de uma companhia controlada pelo Estado? Massa cobra maior compromisso com o abastecimento nacional e acusa os interesses ligados aos dividendos de ocupar espaço excessivo nas decisões da empresa.

A venda que Massa considera um erro para o país

A crítica do economista parte de uma experiência direta. Ex-superintendente de Distribuição da Petrobras, Massa foi diretor comercial da BR e participou de sua criação, conforme a biografia publicada pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás.

A distribuidora nasceu em 12 de novembro de 1971, para comercializar derivados de petróleo e concorrer com as empresas que já operavam no Brasil. A data, registrada na história institucional da companhia, antecede a crise internacional do petróleo de 1973.

Ao recordar aquele mercado, Massa descreve um setor dominado por grandes companhias estrangeiras. Em sua avaliação, a entrada da BR deu à Petrobras condições de interferir na concorrência por meio da própria atividade comercial.

“A BR era parâmetro para os custos e a distribuição em todo território nacional”, declarou.

É essa referência que, segundo ele, o país perdeu. Massa sustenta que a presença da distribuidora ajudava a conter preços e dava à Petrobras uma atuação mais próxima do consumidor.

Sua defesa da retomada nasce daí: na visão do economista, a estatal abriu mão de uma empresa que tinha utilidade para o país além do resultado financeiro.

Petrobras saiu, mas a disputa sobre a decisão continua

A separação ocorreu em duas etapas decisivas durante o governo Jair Bolsonaro. Em 2019, a Petrobras deixou de controlar a BR após uma oferta de ações. Em julho de 2021, vendeu os 37,5% que ainda possuía e encerrou sua participação acionária na distribuidora.

Naquele mesmo ano, a antiga subsidiária adotou o nome Vibra Energia.

Massa contesta a lógica dessa saída. Para ele, a distribuição deveria permanecer entre as atividades da Petrobras porque permite disputar o mercado que recebe os combustíveis produzidos nas refinarias.

Registro da Replan, em São Paulo, em 2009; Massa considera a distribuição parte importante da atuação da Petrobras no abastecimento.

O economista também critica a prioridade que atribui aos investidores interessados em dividendos. Sua avaliação é que o consumidor brasileiro perdeu espaço nessa escolha.

A Petrobras apresentou outra justificativa ao concluir a venda: afirmou que a operação buscava melhorar a alocação de capital e reorganizar seus negócios.

A divergência está no destino dado à empresa e no papel que ela deveria cumprir. Enquanto a justificativa da venda se concentrou na gestão dos investimentos, Massa cobra a preservação de uma presença estatal na distribuição.

O preço internacional cabe no salário brasileiro?

Bomba de gasolina e etanol; os efeitos da política de preços sobre o consumidor estão entre as críticas do economista.

Na entrevista, Massa também atacou o preço de paridade de importação, o PPI, adotado em 2016, durante a gestão de Pedro Parente. Sua crítica se concentra na aproximação dos preços brasileiros às condições de compra de combustíveis no exterior.

O economista questiona o efeito dessa referência sobre uma população com renda inferior à dos países ricos. Em sua avaliação, a política favoreceu importações e contribuiu para deixar parte da capacidade das refinarias brasileiras sem utilização.

Massa relaciona esse processo ao enfraquecimento da Petrobras e à abertura de espaço para a venda de ativos. Essa é a interpretação apresentada por ele na entrevista.

“Ou o Brasil retoma o controle desse mercado, ou estaremos sem saída”, afirmou.

O PPI, porém, não pode ser tratado como uma política que atravessou os anos sem mudanças. Em maio de 2023, a Petrobras anunciou o fim da vinculação obrigatória à paridade de importação na definição dos preços de gasolina e diesel.

A estratégia anunciada passou a considerar as alternativas de abastecimento dos clientes e as condições comerciais da própria Petrobras. A empresa manteve referências de competitividade por polo de venda.

A mudança é relevante para entender a discussão. A proposta de Massa, contudo, exige mais do que alterar a política de preços: ele quer a companhia novamente presente na distribuição.

Quem deve orientar as decisões da Petrobras?

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro; Massa questiona as prioridades da companhia, que permanece sob controle da União.

Ao pedir o “resgate” da Petrobras, Massa dirige sua cobrança também ao Conselho de Administração. Ele considera excessivo o peso dos interesses dos acionistas sobre os rumos da companhia.

A crítica exige uma distinção: a Petrobras continua sob controle da União. Conforme o perfil institucional da empresa, ela é uma sociedade de economia mista, e a presença de investidores privados não retirou do governo federal o controle acionário.

O que Massa põe em discussão é o uso desse controle. Para ele, a atuação da empresa deve responder com mais força às necessidades do país, especialmente no abastecimento e no preço dos combustíveis.

Na entrevista, o economista defende a mobilização da juventude e a participação dos meios de comunicação nessa disputa. Sua cobrança é política: fazer da recuperação da presença estatal no mercado de combustíveis uma pauta pública, com pressão sobre quem decide os próximos passos da Petrobras.

Recomendado para você

Setor Offshore

Petrobras estuda nova vida para antiga plataforma P-47: após deixar operação na Bacia de Campos, unidade pode virar armazém flutuante em Singapura, a milhares de quilômetros do Brasil, para estocar petróleo e dividir cargas em lotes menores para clientes asiáticos

Proposta prevê manter estoques de óleo brasileiro mais perto dos compradores e dar outra utilidade à embarcação; estudo ocorre enquanto a Petrobras busca reduzir despesas com plataformas inativas e definir…

Caio Aviz

0


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

Sair da versão mobile