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Brasil prepara balsa de R$ 151 milhões na Bahia que poderá erguer o casco acima das ondas, mas o que mantém uma estrutura em pé no mar está longe dos olhos de quem observa a embarcação pela superfície
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 21/10/2026 às 16:27
Atualizado em 21/10/2026 às 16:30
Indústria Naval
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Prevista para o estaleiro da Belov, em Simões Filho, embarcação usará pernas apoiadas no leito marinho para sustentar o casco durante o trabalho. Projeto recebeu prioridade para financiamento pelo Fundo da Marinha Mercante.
Uma balsa flutua. A que a Belov Engenharia pretende construir na Bahia poderá fazer algo que foge dessa imagem habitual: apoiar pernas no fundo do mar e levantar o casco acima da água. O projeto, avaliado em R$ 151 milhões, recebeu prioridade para financiamento pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), conforme a Resolução nº 250, de 8 de outubro de 2026.
É esse apoio sob a superfície que explica como uma embarcação tão pesada consegue “ficar em pé”. Depois que as pernas alcançam o fundo e a unidade se estabiliza, o sistema eleva o casco, criando uma base de trabalho menos sujeita ao movimento das ondas.
A construção está prevista para o Estaleiro Belov Offshore Industrial, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a encomenda faz parte dos planos da empresa para ampliar sua frota.
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As pernas fazem o trabalho que a água faria
Enquanto uma balsa comum depende da flutuação para se sustentar, a autoelevatória pode transferir seu peso para estruturas apoiadas no leito marinho. São essas pernas que permitem manter o casco elevado durante a operação.
O princípio já aparece em embarcações usadas na instalação de equipamentos offshore. Um exemplo é o navio autoelevatório MPI Resolution, descrito pela SPS Technology. Nele, as pernas descem até o fundo e sustentam a estrutura acima da superfície, formando uma plataforma de trabalho.
Para quem observa de longe, a impressão pode ser a de uma embarcação suspensa sobre o mar. A explicação está justamente no trecho que fica submerso: o contato das pernas com o fundo.
No caso da Belov, ainda faltam informações para saber até onde a futura balsa poderá ir. A divulgação do projeto não apresenta o comprimento dessas pernas, a profundidade máxima de operação nem o peso que a unidade poderá suportar.
Esses dados fazem diferença. Sem eles, não há como definir quais serviços a embarcação conseguirá executar ou em quais condições poderá trabalhar.
O que foi aprovado para o projeto
A decisão do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante ocorreu em 8 de outubro de 2026. A Resolução nº 250, publicada em 19 de outubro, concedeu prioridade ao projeto para fins de financiamento.
O valor registrado é de R$ 151.012.597,45, equivalente a US$ 29.821.990,89 na referência utilizada pela proposta, com data-base de 22 de julho de 2026. Portanto, o montante em dólares não corresponde a uma conversão pela cotação atual.
Há uma diferença importante entre essa aprovação e o dinheiro chegar ao estaleiro. A prioridade permite avançar no processo de financiamento, mas não significa que o empréstimo já foi contratado ou que os recursos foram liberados.
Como explica a reportagem do Movimento Econômico sobre os projetos aprovados para a Bahia, a contratação e os desembolsos dependem da análise dos agentes financeiros e das condições de cada operação. Assim, o avanço confirmado até aqui é a prioridade concedida à proposta.
A balsa não virá sozinha
A Belov também pretende construir duas balsas de 60 metros para transporte de carga geral e apoio marítimo. Juntas, as três embarcações fazem parte de uma proposta de aproximadamente R$ 206,7 milhões, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
O conjunto tem prazo previsto de execução de 20 meses e estimativa de 150 empregos diretos. Esses números abrangem as três unidades, e não apenas a balsa autoelevatória.
O mesmo cuidado vale para o tamanho das embarcações. Os 60 metros divulgados pelo ministério correspondem às duas balsas de carga e apoio. O comprimento da autoelevatória não aparece nas informações consultadas.
Também não há uma data individual de entrega para ela. O prazo informado se refere à execução da proposta que reúne as três construções.
Onde ela será usada ainda está em aberto
A destinação anunciada é o apoio marítimo, incluindo atividades em alto-mar. O Ministério de Portos e Aeroportos, porém, não informou onde as embarcações da Belov deverão operar.
Por isso, ainda não é possível associar a nova balsa a uma obra, terminal ou contrato específico. Essa definição dependerá do emprego previsto para a unidade e de suas características técnicas.
A curiosidade em torno do projeto nasce de uma mudança simples de entender, embora complexa de executar: a embarcação chega pela água, mas pode se apoiar no fundo para trabalhar acima dela.
Entre a aprovação da prioridade e essa cena se tornar realidade, ainda estão a contratação do financiamento, a construção e a entrega. As próximas informações sobre o projeto deverão esclarecer o tamanho da unidade e os limites de operação desse sistema.
Você já tinha visto uma balsa capaz de erguer o próprio casco e trabalhar apoiada no fundo do mar?
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Caio Aviz
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

