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Brasil prepara temporada de cruzeiros com 187 roteiros, 675 escalas e mais de 831 mil leitos disponíveis: chegada de grandes navios promete movimentar portos, gerar empregos e aquecer a economia das cidades litorâneas
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 21/10/2026 às 00:12
Atualizado em 21/10/2026 às 00:15
Logística e Transporte
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Temporada 2026/2027 prevê oito navios operando regularmente na costa brasileira, aumento de 24% na oferta de leitos e movimentação intensa em portos como Santos, Salvador e Ilhéus, ampliando as oportunidades para turismo, comércio e serviços.
A temporada de cruzeiros marítimos 2026/2027 começou a movimentar os portos brasileiros em outubro, com números que apontam para a recuperação de um setor importante para o turismo e a economia do litoral. A programação anunciada pelo governo federal prevê 187 roteiros, 675 escalas e mais de 831 mil leitos ofertados, um aumento de aproximadamente 24% em relação à temporada anterior.
O crescimento será acompanhado pela presença de oito navios na operação regular de cruzeiros na costa brasileira, contra sete no ciclo passado. As embarcações deverão conectar destinos turísticos, movimentar terminais marítimos e criar oportunidades comerciais para empresas que dependem da chegada de visitantes.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, que divulgou as projeções em 15 de setembro de 2026, a temporada abrange operações em diferentes regiões do país, com destaque para a Bahia e o Porto de Santos, em São Paulo.
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Os números revelam uma expansão relevante da capacidade disponível. Isso não significa, entretanto, que 831 mil passageiros já tenham comprado viagens ou que todas as vagas serão efetivamente ocupadas.
A oferta de leitos representa a capacidade comercial programada ao longo da temporada. A quantidade final de turistas transportados dependerá das reservas, da ocupação dos navios e da execução dos roteiros.
Oito grandes navios estarão na costa brasileira até abril de 2027
A temporada marca a ampliação da oferta depois de um período de retração no mercado brasileiro de cruzeiros marítimos.
De acordo com as projeções divulgadas pela Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil), a oferta passa de aproximadamente 672,4 mil leitos em 2025/2026 para 831,3 mil em 2026/2027.
Além do crescimento de capacidade, a operação regular contará com um navio a mais.
As oito embarcações previstas são:
A entrada da Corazul no mercado brasileiro representa uma das novidades da temporada, ampliando a presença de companhias nas operações regulares.
O aumento de oferta chega em um momento importante. Depois de ciclos de retração, o setor busca recuperar capacidade e fortalecer a atratividade das viagens pela costa brasileira.
A presença de oito navios não significa que somente essas embarcações visitarão o país. Cruzeiros internacionais de longo curso também realizam escalas nos portos brasileiros, ampliando a movimentação de passageiros e tripulantes.
Porto de Santos projeta 146 escalas e movimentação de aproximadamente 785 mil pessoas
O Porto de Santos, em São Paulo, aparece entre os centros mais importantes da temporada.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a programação anunciada para o terminal inclui 146 escalas de dez embarcações pertencentes a sete companhias, distribuídas por 92 dias de operação até 4 de abril de 2027.
Desse total, 142 escalas são classificadas como cabotagem e quatro como longo curso.
A expectativa divulgada pela Prefeitura de Santos é movimentar aproximadamente 785 mil pessoas, considerando passageiros e tripulantes.
O número chama atenção porque concentra, em um único complexo portuário, uma operação que exige muito mais do que disponibilidade de cais.
A cada embarque e desembarque, existe uma cadeia logística formada por transporte terrestre, movimentação de bagagens, abastecimento, serviços de apoio e atendimento aos passageiros.
Ônibus, táxis, motoristas de aplicativos, estabelecimentos comerciais e empresas prestadoras de serviços podem ser beneficiados pela circulação de visitantes.
A cidade também precisa administrar os impactos dessa movimentação sobre os acessos ao porto, o trânsito e a infraestrutura turística.
É nesse ponto que a temporada deixa de ser apenas um acontecimento do setor de viagens e se transforma em uma operação relevante de transporte de passageiros.
Bahia espera cerca de 179 mil desembarques em Salvador e Ilhéus
Na Bahia, a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) projeta aproximadamente 179 mil desembarques de passageiros nos portos de Salvador e Ilhéus durante a temporada 2026/2027.
Salvador abriu sua programação em 7 de outubro, com a chegada do navio World Odyssey.
Para Ilhéus, a primeira escala está prevista para 10 de novembro, com o AIDAsol.
As duas cidades representam perfis diferentes de movimentação turística, mas compartilham uma característica importante: a chegada de cruzeiros conecta o transporte marítimo ao comércio e aos serviços locais.
Quando um navio atraca, parte dos passageiros pode realizar passeios, visitar atrações históricas, utilizar transporte terrestre, frequentar restaurantes ou contratar serviços turísticos.
Essa movimentação oferece oportunidades para pequenos negócios, operadores de receptivo, guias de turismo e empresas de transporte.
O impacto econômico efetivo, porém, depende de fatores como o número de passageiros que desembarcam, o tempo de permanência, o consumo individual e a capacidade de atendimento em cada destino.
Uma escala não deve ser confundida com um desembarque de toda a capacidade do navio.
Cruzeiros movimentaram bilhões de reais na economia brasileira na temporada anterior
A dimensão econômica da atividade já foi medida na temporada 2025/2026.
Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), elaborado em parceria com a CLIA Brasil, e divulgado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, os cruzeiros marítimos movimentaram aproximadamente R$ 4,76 bilhões na economia brasileira, considerando operações de cabotagem e de longo curso.
O levantamento também associou a atividade a mais de 72 mil postos de trabalho, além de despesas realizadas por passageiros, tripulantes e empresas de navegação.
No recorte específico da cabotagem, o Ministério informou impacto econômico de cerca de R$ 4,28 bilhões.
Desse montante, aproximadamente R$ 2,28 bilhões corresponderam a gastos operacionais e logísticos das companhias, enquanto R$ 2 bilhões vieram de despesas de passageiros e tripulantes nas cidades atendidas.
O segmento de cabotagem esteve associado a mais de 64,5 mil postos de trabalho e R$ 166,3 milhões em tributos, segundo o balanço oficial.
A distinção entre os dois valores importa: o total de R$ 4,76 bilhões contempla uma abrangência maior, enquanto os R$ 4,28 bilhões se referem à operação de cruzeiros de cabotagem.
Esses valores são resultados estimados da temporada anterior, não uma previsão oficial de arrecadação para 2026/2027.
O aumento de 24% na oferta de leitos cria condições para uma operação maior, mas não permite concluir que a movimentação financeira crescerá na mesma proporção.
Portos precisam administrar abastecimento, passageiros e uma operação logística complexa
Um grande navio de cruzeiro funciona como uma estrutura de hospedagem, alimentação, lazer e transporte que se desloca entre diferentes cidades.
Para manter essa operação, as companhias dependem de uma rede de fornecedores e serviços portuários.
Antes ou durante cada escala, pode ser necessário coordenar o fornecimento de alimentos, água, materiais de consumo e serviços de manutenção, além do gerenciamento de resíduos e da movimentação de bagagens.
Também participam dessa cadeia profissionais de segurança, operadores portuários, agências marítimas e empresas responsáveis pela recepção e transporte terrestre dos passageiros.
A infraestrutura precisa permitir que essas atividades ocorram sem comprometer a segurança das pessoas ou a movimentação das embarcações.
Esse é um dos aspectos menos visíveis da indústria de cruzeiros.
O passageiro percebe restaurantes, cabines, piscinas e passeios. Nos bastidores, porém, a continuidade das viagens depende de uma operação logística capaz de atender milhares de pessoas em intervalos relativamente curtos.
A preparação do Terminal Marítimo de Passageiros de Santos, por exemplo, envolveu encontros entre autoridades, companhias e órgãos responsáveis pelo embarque, desembarque e trânsito de visitantes.
A eficiência desses processos influencia o funcionamento dos terminais e a experiência de quem utiliza os serviços.
Crescimento de 24% representa recuperação, mas não garante recorde de passageiros
A expansão anunciada para 2026/2027 precisa ser interpretada à luz dos resultados recentes.
Na temporada anterior, 602.864 cruzeiristas embarcaram em navios de cabotagem no Brasil, número aproximadamente 28% inferior ao registrado no ciclo precedente.
Além dos cruzeiros regulares, 21 navios internacionais fizeram escalas no país, passando por 35 destinos brasileiros.
O aumento da capacidade para 2026/2027 sinaliza uma reação do mercado, mas a recuperação efetiva da demanda só poderá ser avaliada após a consolidação dos dados de ocupação e passageiros transportados.
Outro detalhe merece atenção: diferentes levantamentos publicados ao longo de 2026 apresentam pequenas variações na quantidade de roteiros e escalas.
O Ministério de Portos e Aeroportos informou 187 roteiros e 675 escalas em setembro. Já um levantamento setorial divulgado em outubro passou a trabalhar com aproximadamente 700 escalas.
Essas diferenças refletem programações e recortes divulgados em momentos distintos. Os números do título desta reportagem correspondem ao planejamento oficial publicado em setembro e devem ser entendidos como estimativas sujeitas a atualização.
Temporada segue até abril de 2027 e resultado dependerá da ocupação dos navios
A programação regular de cruzeiros deverá seguir até abril de 2027, mantendo a circulação de grandes embarcações na costa brasileira durante o verão e parte do outono.
Para as cidades portuárias, o período representa uma oportunidade de atrair consumidores, movimentar serviços e ampliar a atividade turística.
Para as companhias de navegação, será um teste da capacidade de recuperar passageiros depois da retração do ciclo anterior.
Os resultados mais relevantes ainda estão por vir: quantidade efetiva de passageiros transportados, ocupação dos navios, gastos realizados nos destinos e desempenho das operações portuárias.
Com oito embarcações regulares, centenas de escalas e capacidade superior a 831 mil leitos, o Brasil inicia uma temporada maior em oferta.
Transformar esse crescimento em receitas, empregos e benefícios duradouros para as cidades dependerá da procura pelas viagens e da eficiência de toda a cadeia de transporte e turismo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

