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Caminhoneiros que levam carga de Fortaleza ao Porto do Pecém pela BR-222 dependem de uma duplicação a R$ 5,22 milhões do fim, a mais barata de terminar entre as 10 obras prioritárias do TCU

Caminhoneiros que levam carga de Fortaleza ao Porto do Pecém pela BR-222 dependem de uma duplicação a R$ 5,22 milhões do fim, a mais barata de terminar entre as 10 obras prioritárias do TCU

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Caminhoneiros que levam carga de Fortaleza ao Porto do Pecém pela BR-222 dependem de uma duplicação a R$ 5,22 milhões do fim, a mais barata de terminar entre as 10 obras prioritárias do TCU

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 26/10/2026 às 03:45

Atualizado em 26/10/2026 às 03:46

Logística e Transporte

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A duplicação da BR-222 entre Fortaleza e o Complexo do Pecém entrou na lista de 10 obras rodoviárias que o Tribunal de Contas da União quer ver com dinheiro garantido no Orçamento de 2027. Das dez, é a que está mais perto do fim: faltam R$ 5,22 milhões para concluir.

A lista foi aprovada pelo plenário do TCU na quarta-feira, 21 de outubro, e mandada ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e à Comissão Mista de Orçamento, a CMO, que prepara a lei orçamentária.

O jornal O Povo, de Fortaleza, destacou a obra cearense em reportagem de 24 de outubro. Para quem roda todo dia entre a capital e o porto, a notícia é boa, mas o fim da obra ainda depende do Congresso.

A obra cearense tem o menor valor pendente da lista.

Segundo o TCU, a duplicação do trecho da BR-222 que liga Fortaleza ao Complexo do Pecém precisa de R$ 5,22 milhões para ser concluída. É o menor montante pendente entre as dez obras escolhidas pelo tribunal.

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Somadas, as dez intervenções precisam de R$ 524,8 milhões para ficar prontas até o fim de 2027. A BR-222 representa menos de 1% desse total, uma fração pequena perto das obras maiores.

O relatório não detalha, nas reportagens publicadas, quais serviços ainda faltam no trecho cearense. O que ele aponta é que o dinheiro que resta é pouco e que a obra tem condição real de terminar.

Em outras palavras, é a obra da lista que menos depende do Orçamento para chegar ao fim.

Trecho da BR-222 entregue em março, entre Caucaia e São Gonçalo do Amarante. Foto: DNIT/Divulgação

Em março, o DNIT entregou 24 km duplicados.

A obra não começa do zero. Em 17 de março, o Ministério dos Transportes e o DNIT entregaram 24 km de pistas duplicadas e restauradas na BR-222, entre os quilômetros 11 e 35, de Caucaia a São Gonçalo do Amarante.

O investimento nesse segmento foi de cerca de R$ 282 milhões, dentro do Novo PAC, segundo o DNIT. Tanto a pista nova quanto a antiga receberam pavimento de concreto, mais resistente ao peso das carretas.

A obra incluiu duas pontes sobre o Riacho Ema, uma sobre o Riacho Tigre, outra sobre o Riacho Cauípe e duas sobre os rios Juá e Ceará, além de uma passagem inferior.

São 11,6 mil veículos por dia entre os dois portos.

O segmento registra tráfego médio diário de cerca de 11,6 mil veículos, segundo o DNIT. É a ligação rodoviária entre o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, e o Porto do Pecém, os dois maiores complexos portuários do Ceará.

Para o caminhoneiro, isso significa disputar a pista com carros, ônibus e outras carretas num corredor que escoa boa parte da carga do estado. Pista duplicada é menos ultrapassagem arriscada e menos fila.

Se você é motorista e usa a BR-222 nesse trecho, sabe como a diferença entre pista simples e dupla aparece no relógio e no consumo de diesel.

“Está atrasado pelo menos uns 20 ou 30 anos”.

Para o CEO da Unipar BR, Eduardo Neves, ouvido pelo jornal O Povo, a duplicação entre Fortaleza e o Pecém é extremamente importante, e deveria ir além, até o Piauí, o Maranhão e a Região Norte.

“Isso está atrasado pelo menos uns 20 ou 30 anos, no mínimo, pela importância do porto, porque, assim, um porto só se torna importante quando ele tem hinterlândia”, disse ao jornal.

Hinterlândia é a área que um porto consegue atender por terra. Neves estima em quase 20 milhões de toneladas o movimento anual do Pecém e calcula que a Transnordestina pode aumentar essa carga em pelo menos 30%.

Estrada ruim encarece o frete e o preço final.

O presidente da Câmara Setorial de Logística da Adece, a agência de desenvolvimento do Ceará, Célio Fialho, também ouvido pelo jornal O Povo, ligou a rodovia ao preço do que chega ao consumidor.

“Uma das principais situações no encarecimento de mercadorias são os modais de transporte, basicamente, o frete”, afirmou. Segundo ele, sem vias adequadas de pavimentação, sinalização e acesso, esse custo aumenta.

Fialho disse que o frete tem oscilado justamente pela falta de estrutura, com impacto na manutenção dos caminhões. Ele chamou a duplicação de “anseio antigo do Estado”.

Entrega dos 24 km duplicados da BR-222, em 17 de março. Foto: DNIT/Divulgação

A maior fatia da lista vai para Porto Murtinho.

No outro extremo da lista está o acesso rodoviário a Porto Murtinho, na BR-267, em Mato Grosso do Sul. Sozinho, ele precisa de quase R$ 280 milhões, mais da metade do total, segundo o Brasil 61.

A Ponte do Xingu, na BR-230, no Pará, aparece com R$ 67,9 milhões. O trecho remanescente do Lote 1C da BR-319, no Amazonas, precisa de mais R$ 43,9 milhões.

Todas as dez obras são rodoviárias, estão sob responsabilidade do DNIT e ficam em dez estados das cinco regiões do país, segundo o Poder360, que publicou a íntegra dos dados do tribunal.

O TCU agora diz onde o dinheiro precisa ir.

A lista é uma novidade do Fiscobras 2026, o plano anual de fiscalização de obras do tribunal. Em vez de apontar só irregularidades, o TCU passou a indicar obras que merecem prioridade no orçamento.

“Agora o TCU passa a informar também onde o dinheiro precisa ser aplicado. Indica obras importantes para a população e que já começaram, mas que andam devagar porque faltam recursos”, disse o relator, ministro Jhonatan de Jesus.

A seleção levou em conta a maturidade de cada obra, a qualidade técnica dos projetos e a ausência de impedimentos para retomar os trabalhos, segundo o tribunal.

De 24 obras fiscalizadas, 15 tinham indícios graves.

A mesma auditoria olhou para 24 empreendimentos nas cinco regiões, que somam R$ 6,1 bilhões em investimentos. Em 15 deles, o tribunal encontrou indícios de irregularidades graves.

Uma obra recebeu recomendação de paralisação: o Metrô de Teresina, no Piauí, por indícios de sobrepreço e duplicidade orçamentária, que ainda aguardam deliberação do plenário, segundo o jornal O Povo.

Agora a decisão é do Congresso.

A lista do TCU é uma recomendação. Quem decide se os R$ 5,22 milhões da BR-222 entram no Orçamento de 2027 é o Congresso, na votação da lei orçamentária anual.

O Ceará tem outras obras na mesma rodovia e na BR-116, como mostramos quando o estado passou a duplicar as duas BRs com concreto.

Você que pega a BR-222 até o Pecém: o trecho já duplicado mudou a sua viagem? Conta pra gente nos comentários o que ainda falta na estrada.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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