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Carro elétrico rodou em Barbados com energia tirada do sargaço, a alga invasora que apodrece nas praias do Caribe, misturado com água de destilaria de rum e esterco de ovelha; pesquisadores dizem que kit de 4 horas adapta carro a combustão por cerca de US$ 2.500

Carro elétrico rodou em Barbados com energia tirada do sargaço, a alga invasora que apodrece nas praias do Caribe, misturado com água de destilaria de rum e esterco de ovelha; pesquisadores dizem que kit de 4 horas adapta carro a combustão por cerca de US$ 2.500

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Carro elétrico rodou em Barbados com energia tirada do sargaço, a alga invasora que apodrece nas praias do Caribe, misturado com água de destilaria de rum e esterco de ovelha; pesquisadores dizem que kit de 4 horas adapta carro a combustão por cerca de US$ 2.500

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 19/10/2026 às 20:04

Biocombustíveis Renováveis

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Carro elétrico cedido pelo CCREEE no test drive em Barbados, ao lado do totem do projeto Foto: CCREEE (divulgação)

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Experiência divulgada em 2024 utilizou um Nissan Leaf elétrico, com recarga associada ao biogás. A adaptação para queimar o combustível em motores a combustão é outra aplicação proposta pela equipe, com tempo e custo estimados pelos pesquisadores.

Um Nissan Leaf elétrico participou de uma demonstração em Barbados com energia obtida de uma mistura de sargaço, água residual da fabricação de rum e esterco de ovelha. Segundo o Centro Caribenho de Energia Renovável e Eficiência Energética (CCREEE) e a Universidade das Índias Ocidentais, no campus Cave Hill, o teste demonstrou uma aplicação do biocombustível desenvolvido pela pesquisadora Legena Henry e sua equipe.

O automóvel foi cedido pelo centro regional de energia e é descrito como um veículo cuja recarga utilizou energia do biogás. Isso não significa que seu motor elétrico tenha sido convertido para queimar gás: o experimento de recarga e a proposta de adaptação de carros a combustão são aplicações diferentes da mesma fonte energética.

Mistura aproveita algas, resíduos de rum e bactérias do esterco

Equipe do projeto de biogás de sargaço da Universidade das Índias Ocidentais (UWI), campus de Cave Hill, em Barbados Foto: UWI Cave Hill (divulgação)

A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Desenvolvimento de Energias Renováveis do campus Cave Hill. O combustível aproveita o sargaço recolhido nas praias e a água residual de destilarias de rum, em uma proposta que busca dar uso energético a materiais que precisam de destinação.

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O esterco das ovelhas blackbelly tem uma função específica nessa combinação: fornecer bactérias anaeróbias, microrganismos que atuam sem oxigênio e participam da produção do biogás. O resultado é aproveitado na obtenção de biometano, apresentado pelo projeto na forma comprimida como bio-CNG. Não se trata, portanto, de colocar algas ou resíduos diretamente no tanque de um automóvel.

A bióloga Shamika Spencer trabalhou com diferentes proporções de sargaço e água residual para identificar as combinações que produziam mais biogás. A etapa experimental procurava transformar a disponibilidade desses materiais em uma fonte de combustível que pudesse ser ampliada para atender mais veículos.

Conversão de quatro horas é uma estimativa para carros a combustão

Totem do Test Drive Zero, com as marcas da UWI e dos parceiros do projeto, ao lado do carro Foto: CCREEE (divulgação)

Os pesquisadores afirmam que um kit disponível no mercado permite adaptar veículos para utilizar o combustível gasoso, com instalação em aproximadamente quatro horas e custo total próximo de US$ 2.500. Essa estimativa se refere à conversão de carros a combustão, não à transformação do Nissan Leaf utilizado na demonstração.

O prazo e o preço fazem parte das informações divulgadas pela equipe no estágio relatado em 2024. O material não apresenta uma relação de modelos compatíveis nem condições comerciais que permitam tratar o valor como orçamento garantido para qualquer veículo ou país. Também não documenta desempenho e consumo de uma frota comercial convertida.

Ideia surgiu ao observar caminhões retirando sargaço das praias

Antes de trabalhar com as algas, o grupo investigou a cana-de-açúcar como alternativa à dependência de combustíveis fósseis importados. A quantidade disponível, porém, foi considerada insuficiente para a escala pretendida, segundo Henry.

A mudança de rumo começou com uma observação da estudante Brittney McKenzie: muitos caminhões eram empregados para retirar sargaço das praias de Barbados. Ela sugeriu aproveitar aquele material na pesquisa, em vez de concentrar os esforços apenas na cana.

Como o laboratório já dispunha de água residual de destilarias, a equipe decidiu testar sua combinação com as algas. Brittney ficou encarregada de recolher o sargaço e preparar pequenos biorreatores. Em seu relato, os primeiros resultados considerados promissores apareceram em cerca de duas semanas, uma etapa inicial, anterior aos anos de desenvolvimento necessários para chegar à demonstração com o carro.

O grupo apresentou um pedido de patente para a fórmula e levou o projeto a potenciais investidores em 2019, durante uma reunião paralela à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Depois da apresentação, recebeu uma oferta de US$ 100 mil da organização americana Blue Chip Foundation para impulsionar o trabalho.

Pesquisa procura dar destino ao material retirado das praias

O acúmulo de sargaço prejudica áreas turísticas pelo volume depositado na costa e pelo odor liberado durante a decomposição. Para Spencer, retirar as algas da areia não deveria encerrar o trabalho: era necessário encontrar uma utilização que evitasse simplesmente encaminhá-las a aterros.

No lançamento, Henry informou que o projeto já contava com uma pequena instalação no Guinea Estate. Ela descreveu dois aproveitamentos para o processo: o gás como fonte energética e o digestato, resíduo da digestão, destinado ao solo agrícola. Essa integração foi apresentada como parte da proposta de aproveitar os materiais em diferentes atividades.

Plano de expansão previa quatro veículos e atendimento a táxis

Henry e seu marido, o cientista de dados Nigel Henry, criaram a empresa Rum and Sargassum Inc. para desenvolver o negócio. O campus Cave Hill também participa do empreendimento como sócio, conectando a pesquisa universitária à tentativa de levar a tecnologia ao mercado.

No relato divulgado em 2024, a pesquisadora afirmou que a equipe preparava um projeto-piloto com quatro carros. A finalidade era demonstrar o funcionamento dos protótipos em condições reais e apresentar aos financiadores evidências de que a operação poderia ganhar escala.

Henry estimava cerca de US$ 2 milhões para demonstrar uma atividade comercial inicial e US$ 7,5 milhões para chegar ao fornecimento de gás a 300 táxis em Barbados. Esses valores eram necessidades de investimento projetadas, não recursos já aplicados nem confirmação de que os veículos estivessem sendo abastecidos.

A expansão também previa uma estação de biogás maior para substituir a pequena instalação existente. Nas informações publicadas, ampliar a produção e financiar essa infraestrutura permaneciam como etapas necessárias para passar da demonstração ao abastecimento regular em maior escala.

Você abasteceria o seu carro com combustível feito de alga e esterco? Deixe sua opinião nos comentários.

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biogás de sargaço em Barbados


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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