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Carros, computadores e componentes eletrônicos somam US$ 7,57 bilhões dos US$ 11,38 bilhões a mais que o Brasil gastou com manufaturados importados de janeiro a setembro

Carros, computadores e componentes eletrônicos somam US$ 7,57 bilhões dos US$ 11,38 bilhões a mais que o Brasil gastou com manufaturados importados de janeiro a setembro

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Carros, computadores e componentes eletrônicos somam US$ 7,57 bilhões dos US$ 11,38 bilhões a mais que o Brasil gastou com manufaturados importados de janeiro a setembro

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 12/10/2026 às 17:49

Indústria

Grupo

Foto: Claudio Neves/Gcom Portos do Paraná

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Segundo a Secex, as compras de manufaturados importados da indústria de transformação cresceram 5,8% em nove meses de 2026, e carros de passageiros, componentes eletrônicos e computadores respondem por dois terços da alta.

O Brasil gastou US$ 11,38 bilhões a mais com manufaturados importados entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A alta foi de 5,8%, segundo a Publicação Mensal da balança comercial. O documento é da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Os manufaturados importados cresceram mais do que as vendas das fábricas brasileiras ao exterior. Os embarques desses mesmos produtos da indústria de transformação subiram US$ 8,72 bilhões (6,3%). A conta é simples: 11,38 menos 8,72 dá US$ 2,66 bilhões de diferença.

A Secex atualizou os dados consolidados de setembro em 6 de outubro, e a página marca a próxima divulgação para 13 de outubro. A nota completa traz a lista dos produtos que puxaram a alta.

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Quais produtos puxaram a alta dos manufaturados importados?

A Secex aponta cinco campeões de aumento. Os nomes abaixo são os da nota oficial da Secex. Os valores comparam janeiro a setembro de 2026 com igual período de 2025.

Produto (nome usado pela Secex)Alta em 2026Aumento em US$Óleos combustíveis de petróleo (exceto óleos brutos)36,6%4,09 bilhõesVeículos automóveis de passageiros76,7%4,09 bilhõesVálvulas, tubos termiônicos, diodos e transistores33,7%1,91 bilhãoMáquinas de processamento automático de dados99,4%1,57 bilhãoMedicamentos e produtos farmacêuticos (exceto veterinários)12,7%0,85 bilhão

Os carros de passageiros empataram em dólares com os óleos combustíveis, na ponta da lista. As máquinas de processamento de dados, que a Secex descreve como computadores e suas unidades, quase dobraram: 99,4% a mais.

Some os três grupos do automóvel e da eletrônica: 4,09 mais 1,91 mais 1,57. O resultado é US$ 7,57 bilhões, ou 66,5% de toda a alta de US$ 11,38 bilhões, dois terços do total.

As cinco linhas da tabela somam US$ 12,51 bilhões, mais do que o total. Isso mostra o outro lado. O resto da pauta de manufaturados importados caiu cerca de US$ 1,13 bilhão no mesmo período.

Quanto isso vale em dólares, e não só em percentual?

A nota informa o aumento e o percentual dos manufaturados importados, não o valor total de cada produto. Por isso estimei os totais: divide-se o aumento pelo percentual para achar a base de 2025, e soma-se o aumento para chegar a 2026. A conta é própria e aproximada, com números arredondados.

Produto2025 (estimativa)2026 (estimativa)Carros de passageiroscerca de US$ 5,3 bilhõescerca de US$ 9,4 bilhõesVálvulas, diodos e transistorescerca de US$ 5,7 bilhõescerca de US$ 7,6 bilhõesComputadores e unidadescerca de US$ 1,6 bilhãocerca de US$ 3,2 bilhões

Nos carros, 4,09 dividido por 0,767 dá cerca de 5,3 bilhões em 2025. Somando 4,09, chega-se a cerca de 9,4 bilhões em 2026. Em todas as linhas, o período são os nove primeiros meses do ano.

De onde vêm os carros e os componentes que o Brasil compra?

A nota divide as compras por região. Quase tudo vem da Ásia, sem o Oriente Médio. Os carros de passageiros de lá aumentaram 149,9%, ou US$ 3,9 bilhões, de um total de US$ 4,09 bilhões.

Um trabalhador acompanha um carro a bordo do navio no desembarque em Paranaguá, em março. Foto: Claudio Neves/Gcom Portos do Paraná

Os componentes eletrônicos asiáticos subiram 33,7%, com US$ 1,8 bilhão a mais, dos US$ 1,91 bilhão do total. Em contas rápidas, a Ásia responde por cerca de 95% do aumento dos carros e por 94% do aumento dos componentes.

A mesma regra de base vale aqui. Se 3,9 bilhões são 149,9% sobre o ponto de partida, os carros asiáticos foram de cerca de US$ 2,6 bilhões para cerca de US$ 6,5 bilhões.

A nota não diz quais países nem quais marcas respondem pela alta.

E o carro que o Brasil vende para fora, subiu ou caiu?

Caiu na América do Sul. Na parte das exportações da indústria de transformação por região, a Secex registra queda de 20,7% nas vendas de carros de passageiros para o bloco. Isso equivale a US$ 0,9 bilhão a menos.

Os veículos rodoviários, na mesma seção, tiveram queda de 28,5% (US$ 0,3 bilhão). As partes e acessórios de veículos caíram 18,3% (US$ 0,3 bilhão).

O lado de lá do balcão comprou menos do Brasil, enquanto o Brasil comprou mais da Ásia.

Como isso aparece no cais do porto?

Um episódio de março mostra a escala física de uma única carga. Entre a noite de 22 e o dia 23, o Porto de Paranaguá (PR) desembarcou 3.370 carros elétricos importados de um só navio vindo da China. A operação durou cerca de 17 horas, segundo a Portos do Paraná.

Na operação de março, a equipe trabalhou sob chuva ao lado dos carros recém-descarregados. Foto: Claudio Neves/Gcom Portos do Paraná

Foram 220 veículos por hora, em um berço exclusivo para esse tipo de operação, com mais de cem trabalhadores só no primeiro turno. O porto diz que movimentou mais de 106 mil veículos em 2025, somando importação e exportação.

Esse caso é uma foto de um dia, e não uma amostra do ano. Serve para dar rosto ao número: US$ 4,09 bilhões a mais em carros de passageiros são navios inteiros chegando a portos como esse.

O que mudou em setembro, olhando só o mês?

Em setembro isolado, o quadro foi outro. As importações de produtos da indústria de transformação caíram US$ 0,82 bilhão (3,2%) ante setembro de 2025, segundo a mesma nota da Secex.

A queda veio de plataformas e embarcações (menos 98,0%) e de motores e máquinas não elétricos (menos 79,1%). A alta de nove meses não se repetiu no último mês, mas a conta acumulada segue acima da de 2025.

O saldo geral da balança continua positivo: US$ 62,396 bilhões no ano, com exportações de US$ 284,654 bilhões e importações de US$ 222,259 bilhões.

O que esses números não dizem?

A nota não mostra quantos carros ou computadores foram comprados, de que marcas, nem a que preço o consumidor pagou. Também não separa o carro pronto do kit para montagem no Brasil.

O dado serve para medir o tamanho. Em nove meses, três grupos da indústria de transformação responderam por dois terços do aumento dos manufaturados importados: o carro de passageiros, o componente eletrônico e o computador.

O que o leitor vê na rua e na prateleira pesa direto nessa conta.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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