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Caso Yara Paulino: Ex-marido e outros três devem ir a júri popular mais de 1 ano após crime no Acre

Caso Yara Paulino: Ex-marido e outros três devem ir a júri popular mais de 1 ano após crime no Acre

Ismael Bezerra Freire (ex-marido), Patrícia de Castro da Silva, Leiliane Alves da Silva e Francisco Gleidson de Souza Nunes vão a júri por envolvimento na morte de Yara Paulino da Silva em Rio Branco, em 2025 — Foto: Reprodução/MP-AC

Os suspeitos Francisco Gleidson de Souza Nunes, Leiliane Alves da Silva e Patrícia de Castro da Silva também devem ir ao banco dos réus juntamente com Ismael. Inclusive, os dois últimos entraram com recurso contra a decisão judicial.

Em razão de o processo referente ao caso estar em segredo de justiça, o g1 não conseguiu contato com a defesa dos quatro pronunciados até a última atualização desta reportagem.

“A Patrícia de Castro da Silva e o Ismael Bezerra Freire recorreram dessa decisão de pronúncia, pedindo para não serem pronunciados. Mas é possível que eles sejam pronunciados também. Então, hoje tem dois para ir para o júri e outros dois estão aguardando esse recurso […] para verificar se eles irão a júri ou não”, disse o promotor Teotônio Rodrigues, do Ministério Público do Acre (MP-AC).

👉Contexto: Yara Paulino da Silva, de 28 anos, foi retirada de dentro de casa e assassinada no dia 24 de março do ano passado, na frente de outros dois filhos dela, sob a acusação de ter matado a filha de 2 meses e jogado o corpo em uma área de mata. Segundo as investigações da Polícia Civil, o crime foi cometido por integrantes de uma facção criminosa e tratado como uma espécie de ‘disciplina’. À época, circulou o boato de que a mulher teria matado a própria filha e escondido os restos mortais em um saco de ração. A informação, no entanto, foi descartada após análise do Instituto Médico Legal (IML), que confirmou que a ossada encontrada em uma área de mata era de um animal. A criança, identificada como Cristina Maria, à época com 3 meses, nunca foi encontrada.

Além destes quatro acusados, Maria Liberdade da Silva Siqueira Chaves, José Gabriel Lima do Nascimento, Janderson Duque de Barros, Gabriel Sales Souza e Mizael Bezerra Freire também são suspeitos de participarem do crime.

Ainda de acordo com o promotor, a partir da morte de Yara, a Polícia Civil instaurou uma investigação e, na fase do inquérito, concluiu que nove pessoas foram responsáveis pelo crime. Em abril do ano passado, inclusive, oito suspeitos foram presos. No mês seguinte, mais um foi detido, totalizando os nove apontados pelo MP.

“A Yara morreu a partir de um boato de que teria matado sua filha. Em razão disso, o crime organizado ali daquela região deliberou pela morte dela. Durante a investigação, a polícia concluiu que nove pessoas estavam envolvidas naquele homicídio”, afirmou.

O promotor acrescentou ainda que o Ministério Público ofereceu denúncia contra todos os nove suspeitos e que o processo seguiu para a instrução processual, onde quatro foram pronunciadas e outros cinco impronunciados para júri até então, embora também façam parte da denúncia do órgão.

“Depoimento das pessoas envolvidas ali, os próprios réus indicaram nesse sentido [que o crime ocorreu devido ao boato de que Yara havia matado a filha]. Então, são provas testemunhais que nos levaram a esse indício”, detalhou.

Conforme o promotor, após o surgimento do boato, uma pessoa encontrou, em um terreno baldio, um saco de lixo com restos mortais e afirmaram que seria a filha de Yara. “Falaram que a criança estava no saco e surgiu esse boato. Quando se fez a perícia naqueles restos mortais, que estavam naquele saco, descobriu-se que era de um animal. E, por conta disso [do boato], Yara foi morta”, acrescentou.

⏩ O MP ofereceu denúncia contra os nove suspeitos envolvidos na morte de Yara por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, mediante ferimentos causados por instrumento contundente que causou a morte dela.

Yara Paulino da Silva foi assassinada em 24 de março de 2025, após boato de ter matado a própria filha — Foto: Reprodução

Denúncia do MP

Ainda de acordo com o órgão, após a vítima informar a algumas pessoas da Cidade do Povo sobre o desaparecimento da filha, os acusados, que integram a facção criminosa ‘Bonde dos 13’, invadiram a casa de Yara e a agrediram, exigindo que ela confessasse que fosse a responsável pelo desaparecimento da filha.

A ordem para matar Yara, conforme a denúncia, foi emitida por Francisco Gleidson de Souza Nunes, liderança da facção na região e um dos que vão a júri.

“De acordo com a investigação, a vítima conseguiu se desvencilhar dos seus agressores e tentou fugir do local, mas foi rapidamente alcançada pelos denunciados, que, em plena via pública, desferiram sucessivos golpes contra ela até dilacerar seu cérebro, matando-a”, detalha a denúncia.

O corpo da vítima, segundo o laudo do exame cadavérico, apresentava feridas extensas na região da cabeça, tórax, braços e pernas. “Isso revela que, na execução do homicídio, foi infligido à vítima processo de sofrimento prolongado, intenso e desnecessário, caracterizando o meio cruel”, acrescenta o processo.

Ainda de acordo com a denúncia, sete testemunhas, incluindo o filho de Yara que presenciou a morte da mãe, devem ser ouvidas. Com relação ao menor, a lei determina que a escuta seja conduzida por meio de um depoimento especial, em local reservado e conduzido por um profissional como psicólogo ou assistente social.

Yara Paulino da Silva, assassinada em Rio Branco — Foto: Reprodução

Veja abaixo por quais crimes cada um foi denunciado:

A denúncia requer ainda a fixação de multa aos acusados, no valor mínimo de R$ 100 mil à família da vítima por danos morais causados pela morte de Yara Paulino.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por G1.

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