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CATL vai passar de 20 GWh por ano na fábrica de baterias dentro da fábrica de carros da Seres, mas a fabricante do Aito perdeu 1,72 bilhão de yuans no semestre

CATL vai passar de 20 GWh por ano na fábrica de baterias dentro da fábrica de carros da Seres, mas a fabricante do Aito perdeu 1,72 bilhão de yuans no semestre

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CATL vai passar de 20 GWh por ano na fábrica de baterias dentro da fábrica de carros da Seres, mas a fabricante do Aito perdeu 1,72 bilhão de yuans no semestre

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 12/10/2026 às 15:01

Atualizado em 12/10/2026 às 15:02

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Foto: Divulgação/CATL

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O acordo da CATL com a Seres, assinado em Chongqing em 10/10, prevê uma segunda fase de 10 a 12 GWh por ano, mas o comunicado não traz valor nem data de início. Veja a primeira fase, quanto a Seres perdeu e se isso toca o Brasil.

A CATL e a Seres assinaram no sábado (10), em Chongqing, na China, um acordo de longo prazo. Ele amplia a fábrica de baterias que a CATL opera dentro da fábrica de carros da Seres, segundo o comunicado da própria CATL. A segunda fase terá capacidade de 10 a 12 GWh por ano. Somada à primeira, a produção passará de 20 GWh anuais.

GWh é a energia que as baterias feitas em um ano conseguem guardar. Um pacote hipotético de 75 kWh guarda 0,000075 GWh, então 20 GWh dariam para cerca de 266 mil pacotes desse tamanho. É conta do CPG: as empresas não informaram a capacidade da bateria de cada Aito.

O comunicado diz que o Aito continuará usando bateria da CATL em toda a linha, no longo prazo. A marca já passou de 1,2 milhão de carros entregues, todos com bateria da CATL.

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Para ter escala, veja a CATL no ano. Ela instalou 333,0 GWh em carros elétricos nos oito primeiros meses de 2026, alta de 25,2%. Isso dá 39,4% do mercado, segundo a SNE Research (dados de 2 de outubro) citada pela CnEVPost. Os mais de 20 GWh de Chongqing são uma fatia pequena disso. A novidade está no modelo, não no tamanho.

Como funciona uma fábrica de baterias dentro da fábrica de carros?

A CATL ocupa um pedaço dos galpões da Seres Super Factory. Ali monta os pacotes de bateria que seguem direto para a linha do Aito.

Os presidentes da CATL e da Seres visitaram as linhas de pacotes de bateria em 30/06/2025, segundo a legenda da foto original. Foto: Divulgação/Seres

Quem toca a operação é a CATL, não a Seres. A unidade é da ChuanYu Shidai, subsidiária da CATL criada em Chongqing em 24 de março de 2025. A informação é do portal ichongqing, em texto de 7 de julho de 2025 que cita a Seres.

As peças chegam à montagem final por corredores suspensos. Se algo dá errado, as equipes das duas empresas resolvem no próprio local. O portal atribui esse desenho à agência estatal Xinhua e diz que ele reduz tempo e custo de logística.

A primeira fase começou em 30 de junho de 2025, com duas linhas de pacotes no padrão CTP 2.0. Nesse padrão, a célula vai direto para o pacote. O governo da zona de Liangjiang, onde fica a fábrica, registrou a partida. Disse que era a primeira vez que a CATL usava o formato com uma montadora.

ItemFase 1Fase 2Início30/06/2025, duas linhas CTP 2.0sem data divulgadaCapacidade anualnão divulgada10 a 12 GWhInvestimento230 milhões de yuans (US$ 32,11 milhões)não divulgadoValor anual de produção esperado7 bilhões de yuansnão divulgado

Fase 1: ichongqing, 07/07/2025, com dados da Seres. Fase 2: comunicado da CATL de 10/10/2026, CnEVPost de 11/10 e electrive de 12/10.

Se a fase 2 traz até 12 GWh e o total passa de 20, a fase 1 teria mais de 8 GWh. É dedução do CPG, porque a CATL não publicou o número da primeira fase.

Quanto a Seres vende e por que a conta ficou no vermelho?

A Seres entregou 178,8 mil veículos de energia nova no primeiro semestre de 2026, alta de 3,87% sobre um ano antes. Os números vêm do relatório semestral de 19 de agosto, resumido pela Gasgoo. As entregas da marca Aito cresceram 10,2%.

A receita do semestre foi de 57,49 bilhões de yuans. O lucro virou prejuízo de 1,72 bilhão de yuans atribuído aos acionistas, contra lucro de 2,94 bilhões um ano antes.

Segundo a Gasgoo, a empresa culpou a troca dos modelos de topo no segundo trimestre, que impediu o uso pleno da capacidade. Citou também aumentos temporários no preço de baterias e chips. Lançou ainda perdas de 1,86 bilhão de yuans em ativos.

O caixa aguenta: 73,15 bilhões de yuans, 57% do ativo, e dívida com juros de só 3,2%.

O ritmo de vendas, porém, esfriou. A HIMA, aliança de marcas da Huawei na qual o Aito é o maior contribuinte, entregou 37.490 veículos em setembro. É queda de 29% em um ano e a quarta baixa mensal seguida, informou a Electrek em 12 de outubro. A mesma reportagem registra queda de 7,9% na receita do semestre.

Segundo o comunicado da CATL, o objetivo da fábrica dentro da fábrica é ganhar eficiência industrial e competitividade de custo. Ligar isso ao prejuízo é leitura do CPG. Nenhuma das duas empresas disse que o acordo é resposta às perdas.

O que o comunicado não diz?

Não há valor de investimento da segunda fase. Não há data para ela começar a produzir, nem prazo de validade do acordo. Quem notou foram a CnEVPost e a electrive.

Assinatura do acordo entre CATL e Seres, em Chongqing, no sábado (10). Foto: Divulgação/CATL

A parte de recarga rápida e serviços de bateria também ficou sem detalhe de local e de prazo. E a cooperação no exterior cita Europa, Oriente Médio e Ásia Central, sem dizer quais modelos nem como.

Na Europa, o único prazo vem de outro anúncio. Em Paris, no dia 12 de outubro, o Aito disse que começa a vender lá no outono de 2027, segundo a Electrek. Ainda não há preço, países ou distribuidores.

O Aito vai chegar ao Brasil?

O comunicado não menciona o Brasil nem a América Latina. O Aito também ainda não é vendido por aqui. Em 21 de julho, o O Tempo apontou a HIMA, braço de carros da Huawei, e a Tesla como as únicas do top 10 da China sem operação no país. Das 10 maiores da China no primeiro semestre, 8 já têm operação no Brasil.

A Seres, a fabricante, vende carros aqui desde 2023, quando o Motor Show publicou a tabela de preços do Seres 3 e do Seres 5. O CPG não conferiu se essa linha segue à venda. Também não conferiu o fornecedor de bateria dela. O acordo de sábado trata só do Aito.

O que o leitor brasileiro leva do caso é indireto. A CATL diz buscar custo menor com o modelo. Se isso se confirmar, ele vira argumento de preço para a próxima leva de carros chineses. Por ora é hipótese, porque ninguém divulgou quanto se ganha.

O que acompanhar agora?

Três pontos decidem se o anúncio vira fábrica de verdade. O primeiro é o valor da fase 2. O segundo é a data de partida das linhas. O terceiro é se as vendas do Aito voltam a subir depois da queda de setembro. O CPG segue acompanhando a CATL, a Seres e o Aito.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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