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CEO global da Shell coloca Brasil entre mercados estratégicos e sinaliza novos investimentos após avanço no pré-sal e entrada em Tupinambá

CEO global da Shell coloca Brasil entre mercados estratégicos e sinaliza novos investimentos após avanço no pré-sal e entrada em Tupinambá

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CEO global da Shell coloca Brasil entre mercados estratégicos e sinaliza novos investimentos após avanço no pré-sal e entrada em Tupinambá

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 02/10/2026 às 19:34

Petróleo e Gás

Canal

Shell reforça aposta no Brasil com mais de 70 contratos, novos projetos offshore e expansão no pré-sal, enquanto cobra previsibilidade para investimentos de longo prazo.

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Shell reforça aposta no Brasil com mais de 70 contratos, novos projetos offshore e expansão no pré-sal, enquanto cobra previsibilidade para investimentos de longo prazo.

A Shell está deixando cada vez mais claro que o Brasil ocupa uma posição central em seus planos de longo prazo. Durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, o CEO global da companhia, Wael Sawan, afirmou que o apetite da petroleira por crescer no país continua muito forte e sinalizou que o grupo pretende ampliar sua posição além dos ativos que já possui.

A declaração ganha peso porque não aparece isolada. Antes mesmo do discurso do executivo, a Shell já vinha aumentando sua exposição ao setor de óleo e gás brasileiro, com recorde de investimentos, aumento da produção, entrada em novos blocos exploratórios e ampliação de participações no pré-sal.

Em 2025, a companhia investiu aproximadamente R$ 12,5 bilhões no Brasil, o maior volume anual de sua história no país. Em 2026, a produção ligada à empresa já ultrapassou a marca de 500 mil barris de óleo equivalente por dia, enquanto sua carteira passou de cerca de 30 para mais de 70 contratos de Exploração e Produção.

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Agora, a mensagem enviada pelo comando global é direta: a petroleira vê espaço para crescer ainda mais.

CEO da Shell coloca Brasil entre mercados estratégicos para investimentos de longo prazo

Durante sua participação na ROG.e 2026, Wael Sawan destacou o papel brasileiro em um sistema energético internacional cada vez mais marcado por disputas geopolíticas, necessidade de segurança no abastecimento e busca por novas fontes de petróleo e energia.

Na visão apresentada pelo executivo, o Brasil reúne características que o colocam em uma posição diferenciada. Além de possuir enormes reservas offshore, o país combina crescimento da produção de petróleo, exportações relevantes e presença importante de biocombustíveis.

Para uma companhia do tamanho da Shell, isso significa acesso a uma das fronteiras energéticas mais importantes do mundo.

Sawan afirmou que o apetite para ampliar os negócios no Brasil permanece muito forte. Entretanto, também destacou um fator considerado decisivo para projetos que exigem bilhões de dólares e podem permanecer em operação durante décadas: previsibilidade.

Segundo o CEO, estabilidade fiscal e regulatória é um elemento fundamental para que empresas consigam tomar decisões de investimento de longo prazo.

A observação não significa que a Shell tenha anunciado qualquer retirada ou redução de investimentos no país. Pelo contrário: os movimentos recentes apontam justamente para crescimento.

O alerta, entretanto, mostra que futuras decisões de capital serão comparadas com oportunidades disponíveis em outras regiões do mundo.

Shell investiu R$ 12,5 bilhões e já produz mais de 500 mil barris por dia no Brasil

FPSO Espírito Santo, unidade offshore ligada às operações da Shell no Brasil, exemplifica a infraestrutura utilizada pela companhia na produção de petróleo em águas profundas. Foto: Shell.

Os números ajudam a entender por que o discurso realizado na ROG.e chama atenção.

A Shell informou que investiu cerca de R$ 12,5 bilhões no Brasil em 2025, estabelecendo um novo recorde para a companhia no país.

Ao mesmo tempo, sua produção brasileira cresceu aproximadamente 25% ao longo dos últimos anos e chegou, em 2026, à região de 500 mil barris de óleo equivalente por dia.

A expansão também aparece na quantidade de ativos.

A empresa, que possuía aproximadamente 30 contratos de Exploração e Produção, passou para mais de 70 contratos, aumentando significativamente sua exposição a áreas offshore brasileiras.

Esse avanço inclui ativos em diferentes momentos de maturação.

Há campos que já produzem centenas de milhares de barris diariamente, projetos em desenvolvimento que só começarão a produzir nos próximos anos e blocos exploratórios onde sequer se sabe ainda se haverá uma descoberta comercial.

Essa diversificação ajuda a Shell a construir uma carteira capaz de gerar produção durante décadas.

Entre os exemplos mais recentes está o bloco Tupinambá, no pré-sal da Bacia de Santos.

A Shell assinou acordo para adquirir 50% do projeto, enquanto a bp permanece com os outros 50% e continua como operadora.

O movimento chama atenção porque a entrada ocorre justamente quando a exploração do ativo começa a ganhar velocidade.

Compra de 50% de Tupinambá mostra que expansão já saiu do discurso

Tupinambá possui aproximadamente 3.056 km² e está localizado a cerca de 400 quilômetros da costa, em uma região de águas ultraprofundas da Bacia de Santos.

A área foi arrematada pela bp em 2023 e exige um programa exploratório que envolve centenas de milhões de reais.

Agora, a Shell quer dividir essa exposição.

A aquisição de 50% foi anunciada no início de setembro, poucos dias antes de começar a perfuração do primeiro poço exploratório do bloco.

A operação ocorre em águas de aproximadamente 2.300 metros de profundidade, e a campanha ambientalmente autorizada pode incluir até três poços, dependendo dos resultados encontrados.

Ainda não existe estimativa pública consolidada sobre quanto petróleo comercialmente recuperável Tupinambá pode conter. Portanto, não é possível tratar o bloco como uma nova descoberta gigante.

Mesmo assim, o negócio revela uma estratégia importante.

A Shell está colocando capital em áreas nas quais a produção pode acontecer somente muitos anos no futuro, justamente enquanto seu CEO global fala sobre continuar aumentando a presença brasileira.

Tupinambá também não está sozinho.

A companhia aumentou recentemente sua exposição a Mero e Atapu, dois dos ativos mais importantes do pré-sal brasileiro.

Em Mero, sua participação deverá chegar a cerca de 20%. Em Atapu, a fatia também será ampliada após a conclusão das transferências previstas.

São campos enormes e já conhecidos pela indústria.

Mero possui capacidade instalada próxima de 770 mil barris por dia, enquanto Atapu deverá receber uma nova unidade de produção com capacidade para até 225 mil barris diários.

Orca, Lapa, Pelotas e novos poços reforçam aposta no offshore brasileiro

Outro projeto central na estratégia da empresa é Orca, anteriormente conhecido como Gato do Mato.

O empreendimento será o primeiro projeto do pré-sal operado diretamente pela Shell e possui aproximadamente 370 milhões de barris recuperáveis estimados.

O FPSO planejado poderá produzir até 120 mil barris por dia, com início da produção previsto para 2029.

A Shell também continua ampliando a produção em Lapa.

A fase conhecida como Lapa Sudoeste começou a produzir em 2026 e deverá adicionar aproximadamente 25 mil barris por dia no pico, levando a produção total do campo para perto de 60 mil barris diários.

Na Bacia de Pelotas, a empresa entrou em 29 blocos exploratórios, principalmente em parceria com a Petrobras, abrindo uma frente de longo prazo em uma região ainda pouco explorada quando comparada ao pré-sal de Santos.

Outra perfuração está prevista para 2027 no sul da Bacia de Santos, onde a Shell participa de 16 blocos e opera 15 deles.

A combinação desses movimentos mostra que a petroleira está atuando simultaneamente em três frentes: campos que já produzem, projetos que estão sendo construídos e áreas exploratórias que podem sustentar uma nova geração de produção brasileira.

Brasil disputa bilhões em capital com outros grandes projetos ao redor do mundo

A expansão ocorre em meio a uma disputa internacional por capital.

A Shell pretende investir globalmente dezenas de bilhões de dólares por ano e precisa selecionar quais projetos receberão esses recursos.

Nesse cenário, o Brasil compete com operações e oportunidades nos Estados Unidos, Golfo do México, Oriente Médio, África e outras grandes regiões produtoras.

É justamente por isso que o comentário de Wael Sawan sobre estabilidade regulatória ganha importância.

Projetos offshore podem exigir muitos anos entre a descoberta de petróleo e o primeiro barril produzido. Mudanças tributárias, fiscais ou regulatórias durante esse período podem alterar completamente a rentabilidade esperada inicialmente.

Mesmo com essa preocupação, os movimentos recentes indicam que a Shell continua aumentando sua exposição ao Brasil.

A companhia já alcançou mais de 500 mil barris de óleo equivalente por dia, investiu R$ 12,5 bilhões em apenas um ano, acumulou mais de 70 contratos e segue comprando participações e preparando novos poços.

O recado deixado na ROG.e 2026, portanto, vai muito além de um discurso corporativo.

Para a Shell, o Brasil já é uma das peças importantes de sua carteira global, e, se as condições permanecerem competitivas para investimentos que atravessam décadas, a empresa deixa claro que ainda vê espaço para crescer muito mais no país.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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