O Acre passou os anos de 2024 e 2025 sem receber serviços de manutenção nas estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apesar de equipamentos apresentarem problemas de funcionamento. A situação foi apontada pela Controladoria-Geral da União (CGU) em relatório de avaliação sobre a gestão da rede meteorológica federal, concluído em 1º de setembro e publicado na última sexta-feira (16).
Segundo os dados fornecidos pelo Inmet à auditoria, o Acre possuía sete estações meteorológicas automáticas em 20 de fevereiro de 2026. Desse total, três estavam em pane. A média de tempo de inoperância desses equipamentos era de 1.587 dias, aproximadamente quatro anos e quatro meses.
O estado aparece entre as cinco unidades da Federação que não tiveram nenhuma estação atendida por rotas de manutenção nos dois anos analisados. Além do Acre, a relação inclui Amapá, Ceará, Piauí e Roraima.
As informações constam da análise sobre a manutenção da rede meteorológica do Inmet. De acordo com a CGU, em 2025 foram realizadas rotas de manutenção em oito estados, com inspeções em 60 estações. O Acre, porém, não recebeu atendimento em 2024 nem em 2025, mesmo com registros de equipamentos em pane.
Falhas na rede meteorológica
A auditoria identificou problemas mais amplos na gestão das estações meteorológicas do país. Em 19 de fevereiro de 2026, a rede do Inmet era composta por 707 estações, sendo 600 automáticas e 107 convencionais. Entre as automáticas, 422 estavam classificadas como operantes e 178, o equivalente a 29,67%, estavam em pane.
O relatório também apontou limitações nos indicadores utilizados para acompanhar o funcionamento dos equipamentos. Na avaliação da CGU, os critérios então adotados não contemplavam adequadamente situações em que uma estação funcionava apenas parcialmente nem estabeleciam níveis mínimos de operação por estado ou região. Essa limitação poderia fazer com que os indicadores nacionais não refletissem as dificuldades específicas enfrentadas em determinadas áreas do país.
As estações meteorológicas são utilizadas para coletar informações sobre as condições atmosféricas, subsidiar previsões do tempo, emitir avisos de eventos meteorológicos extremos e acompanhar as condições climáticas. Problemas de funcionamento e ausência de manutenção podem comprometer a continuidade e a qualidade dos dados produzidos.
Durante os trabalhos da CGU, o Inmet apresentou o Plano de Manutenção das Estações Meteorológicas Automáticas para 2026. O documento estabeleceu um diagnóstico da rede, critérios de prioridade e um cronograma mensal de atuação, com previsão de visitas a 525 estações até o fim daquele ano.
O planejamento prevê prioridade inicial para estados com mais de 50% das estações em pane, além da realização de manutenção preventiva periódica. O instituto também informou ter promovido mudanças organizacionais, incluindo a criação de unidades de apoio meteorológico nos estados e a reorganização da estrutura responsável pela rede.
A CGU reconheceu as providências adotadas durante a avaliação, mas apontou a necessidade de consolidar e formalizar os mecanismos de planejamento, manutenção e monitoramento dos equipamentos. O relatório não informa quais eram as três estações acreanas em pane nem confirma se elas foram recuperadas posteriormente. Os dados específicos do Acre têm como referência 20 de fevereiro de 2026.
Fonte: ac24horas
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

