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Chile reutiliza área preparada para ampliar usina a carvão e instala 160 contêineres de baterias por US$ 174 milhões; parque de 802 MWh pode atender mais de 84 mil casas por até cinco horas

Chile reutiliza área preparada para ampliar usina a carvão e instala 160 contêineres de baterias por US$ 174 milhões; parque de 802 MWh pode atender mais de 84 mil casas por até cinco horas

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Chile reutiliza área preparada para ampliar usina a carvão e instala 160 contêineres de baterias por US$ 174 milhões; parque de 802 MWh pode atender mais de 84 mil casas por até cinco horas

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 13/10/2026 às 08:39

Atualizado em 13/10/2026 às 09:03

Energia Renovável

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Vista aérea do BESS Lile dentro do Complexo Energético Mejillones, ao lado da infraestrutura térmica. Crédito: ENGIE Chile.

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No Chile, a ENGIE inaugurou 160 contêineres de baterias em infraestrutura reservada à expansão térmica. O BESS Lile custou US$ 174 milhões, armazena 802 MWh e pode atender o equivalente a mais de 84 mil casas por até cinco horas.

O que estava reservado para ampliar a geração térmica de um complexo industrial no norte do Chile agora abriga uma bateria de escala incomum: 160 contêineres, 40 equipamentos de suporte e capacidade de armazenar 802 MWh de eletricidade. A ENGIE Chile colocou o BESS Lile em operação comercial em Mejillones, na região de Antofagasta, após investir US$ 174 milhões.

O empreendimento tem 142 MW de potência e pode devolver eletricidade ao sistema chileno por até cinco horas. Segundo a empresa, isso equivale ao consumo de mais de 84 mil residências durante esse intervalo. A autorização para operar comercialmente foi concedida pelo Coordinador Eléctrico Nacional em 25 de setembro de 2026; a companhia anunciou a conclusão da primeira etapa da reconversão do complexo em 8 de outubro.

Um espaço planejado para aumentar a geração térmica recebeu 160 contêineres de baterias

O BESS Lile reutiliza a subestação de interconexão, vias internas e áreas de um complexo que havia sido preparado para expansão de geração térmica. São instalações que já tinham acesso ao sistema elétrico, originalmente previstas para uma ampliação da geração a carvão. A antiga estrutura passou a ter outra finalidade sem que todo o complexo térmico fosse convertido de uma só vez.

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As baterias ficam distribuídas em 160 contêineres, acompanhados por 40 conjuntos elétricos de apoio. O parque funciona como sistema independente de armazenamento, conhecido como stand-alone: recebe eletricidade da rede e pode reinjetá-la quando o operador necessita. Ao contrário de uma usina, o equipamento não gera eletricidade: guarda a energia recebida e a devolve em horários determinados pela operação da rede.

Contêineres de equipamentos elétricos da ENGIE em Mejillones. Imagem publicada por La Tercera em outubro de 2025.

São 142 MW de potência, 802 MWh guardados e autonomia de até cinco horas

A capacidade final divulgada em 2026 superou a previsão de 140 MW apresentada pela empresa um ano antes. Os 142 MW indicam a potência que o parque pode entregar ou receber. Os 802 MWh representam a quantidade de energia que seus módulos podem guardar. A relação entre potência e capacidade define por quanto tempo as baterias podem fornecer eletricidade. A empresa usa uma referência residencial para traduzir essa capacidade: eletricidade equivalente ao consumo de mais de 84 mil casas durante até cinco horas de fornecimento.

Quando há muita produção solar durante o dia, baterias conectadas à rede podem absorver parte dessa energia e devolvê-la após o pôr do sol, quando a geração fotovoltaica diminui. Como o BESS Lile está conectado diretamente à rede, sua carga e descarga dependem da operação do sistema, e não de um parque solar exclusivo no local.

O carvão começou a sair de Mejillones no fim de 2025, mas a transformação continua

A mudança não começou com os contêineres. Depois de quase três décadas de operação, a ENGIE desligou em 31 de dezembro de 2025 as unidades a carvão CTM1 e CTM2, que tinham juntas 334 MW de capacidade instalada, segundo o relatório anual da companhia. O plano de descarbonização ainda prevê outros equipamentos e retiradas de unidades no mesmo conjunto industrial.

Outra unidade da região, a Infraestrutura Energética Mejillones (IEM), está em processo de adaptação para funcionar com gás natural. Em outubro de 2026, a empresa dizia que essa instalação ainda aguardava a entrada em operação comercial após a conversão. A empresa mantém no plano de transformação o futuro encerramento de operações a carvão nas unidades Central Termoeléctrica Andina (CTA) e Central Termoeléctrica Hornitos (CTH).

Profissionais envolvidos no BESS Lile diante das instalações do projeto em Mejillones. Crédito: ENGIE Chile.

Potência de baterias no Chile saiu de 1,2 GW para 3,2 GW ao longo de 2025

O novo parque entra em uma rede que está mudando rapidamente. Um levantamento do Coordinador Eléctrico Nacional, divulgado em abril, mostrou que a potência de armazenamento em baterias no Chile passou de aproximadamente 1,2 GW para 3,2 GW ao longo de 2025.

O mesmo relatório apontou participação conjunta recorde de 46,2% da geração solar e eólica em dezembro de 2025. O órgão também identificou gargalos e atrasos na infraestrutura de transmissão e apontou a necessidade de atualizar regras de operação e remuneração diante do crescimento das baterias.

Antes de Lile, a ENGIE colocou mais 251 MW de baterias em operação em agosto

Em 28 de agosto de 2026, a companhia informou a entrada em operação comercial de outros dois projetos: BESS Libélula, na região de Santiago, e BESS Los Loros, em Atacama. Juntos, eles adicionaram 251 MW de potência de armazenamento ao sistema chileno, com US$ 283 milhões investidos nessa parte dos empreendimentos.

O BESS Libélula dispõe de 203 MW e 1.034 MWh, com 208 contêineres, e integra um projeto que também inclui geração solar. O Los Loros reúne 48 MW e 275,23 MWh junto a uma usina fotovoltaica existente. Lile é diferente: opera como armazenamento independente, dentro de um complexo de origem térmica.

Com o início das operações em Mejillones, a ENGIE contabiliza cinco sistemas de baterias que começaram a operar comercialmente em 2026 e informa ter alcançado 803 MW de capacidade instalada nessa tecnologia no Chile. O novo uso da infraestrutura e as próximas retiradas de unidades a carvão mostram que a transformação de Mejillones ocorre em etapas.

Você considera que reaproveitar terrenos e conexões de antigas instalações térmicas deveria ser prioridade na expansão das baterias? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria com quem acompanha a mudança da matriz elétrica.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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