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China amplia em 117% vendas de tratores ao Brasil enquanto máquinas agrícolas recuam 15,8% e colheitadeiras caem quase 40%
Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/10/2026 às 14:14
Atualizado em 23/10/2026 às 14:30
Agronegócio
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Importações de tratores chineses aceleram em 2026 enquanto o mercado brasileiro de máquinas agrícolas perde força, com retração nas vendas internas e queda mais intensa no segmento de colheitadeiras.
A presença de tratores chineses no agronegócio brasileiro acelerou em 2026 justamente quando o mercado doméstico de máquinas agrícolas perdeu força.
Entre janeiro e setembro, as compras brasileiras de tratores fabricados na China cresceram 117% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a cerca de 5,2 mil unidades.
Enquanto isso, as vendas internas de máquinas agrícolas recuaram 15,8% entre janeiro e agosto, e o segmento de colheitadeiras registrou queda de 39,4%.
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Os números revelam movimentos simultâneos, mas medidos em períodos diferentes.
O avanço das importações chinesas considera os nove primeiros meses de 2026, enquanto os dados de vendas internas disponíveis abrangem janeiro a agosto.
Por isso, o crescimento da presença chinesa não pode ser tratado isoladamente como causa da retração das vendas nacionais.
O cenário brasileiro combina crédito caro, endividamento de produtores, menor rentabilidade em algumas atividades agrícolas e adiamento da renovação de máquinas.
Paralelamente, fornecedores estrangeiros ampliaram sua participação, sobretudo nas faixas de tratores de menor potência.
China ganha espaço no mercado brasileiro de tratores
No conjunto, o Brasil importou aproximadamente 11,2 mil máquinas agrícolas entre janeiro e setembro, crescimento de 42% em unidades frente ao mesmo período do ano anterior.
As exportações brasileiras chegaram a cerca de 5 mil equipamentos e avançaram 9%.
A China foi o destaque entre os fornecedores externos de tratores.
As compras de equipamentos chineses saltaram 117%, atingindo aproximadamente 5,2 mil unidades.
A Índia apresentou volume semelhante, mas cresceu em ritmo bem menor, de 11%.
Somados, China e Índia responderam por 93% dos tratores agrícolas importados pelo Brasil no período.
O avanço está concentrado principalmente nas máquinas de menor potência.
Cerca de 90% dos tratores importados até setembro tinham potência de até 100 cavalos, faixa utilizada em diferentes atividades agrícolas, propriedades de menor porte e operações que não exigem os equipamentos mais pesados do mercado.
Na categoria entre 50 e 100 cavalos, as importações chegaram a 6.412 unidades, crescimento de 56% na comparação anual.
Nos tratores de até 24 cavalos, foram importadas 1.154 unidades, alta de 36%.
Entre 24 e 50 cavalos, o volume atingiu 3.564 unidades, aumento de 29%.
A faixa de 101 a 175 cavalos também cresceu, com 756 equipamentos importados e avanço de 43%.
Acima de 175 cavalos, porém, a expansão praticamente desapareceu.
Foram 452 unidades, apenas 0,4% acima do resultado registrado no mesmo período de 2025.
A distribuição ajuda a mostrar onde os fabricantes estrangeiros estão encontrando espaço.
Em vez de um avanço uniforme em todas as categorias, os dados indicam maior presença nas máquinas de menor potência, justamente um segmento no qual preço de aquisição, facilidade de financiamento, manutenção e custo operacional pesam de maneira significativa para o produtor.
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Vendas internas de máquinas agrícolas perdem força
Do outro lado do mercado, as vendas internas diminuíram em praticamente todas as faixas analisadas pela Anfavea.
Entre janeiro e agosto, foram comercializados 25,5 mil tratores de rodas, contra aproximadamente 29,7 mil unidades no mesmo período de 2025.
A queda foi de 14,1%.
Nos tratores de até 100 cavalos, as vendas recuaram 8,3%, para 18,2 mil unidades.
Na faixa entre 100 e 180 cavalos, o mercado caiu 22,4%, com aproximadamente 4,4 mil máquinas comercializadas.
Entre os tratores acima de 180 cavalos, o recuo alcançou 30,3%, para cerca de 2,8 mil unidades.
A retração mais intensa apareceu nas colheitadeiras.
As vendas caíram de aproximadamente 2,3 mil máquinas entre janeiro e agosto de 2025 para 1,4 mil no mesmo período de 2026, redução de 39,4%.
Esse tipo de equipamento costuma exigir investimentos significativamente maiores do que tratores de entrada, tornando a decisão de compra mais sensível às taxas de financiamento e à capacidade de geração de caixa das propriedades.
Faturamento do setor também recua em 2026
O desempenho também aparece quando o mercado é observado pelo faturamento, embora os indicadores sejam diferentes.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a Abimaq, mostram que as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas movimentaram R$ 36,3 bilhões de janeiro a agosto de 2026, queda de 22,4% em relação aos mesmos oito meses de 2025.
Os dados da Abimaq não devem ser comparados diretamente com a retração de 15,8% divulgada pela Anfavea.
A Anfavea acompanha principalmente o número de unidades comercializadas dentro das categorias consideradas em seu levantamento, enquanto a Abimaq mede a receita do setor de máquinas e equipamentos.
Essa diferença também ajuda a explicar por que podem aparecer indicadores aparentemente contraditórios sobre importações.
Enquanto a Anfavea apontou crescimento de 42% no número de máquinas agrícolas importadas entre janeiro e setembro, os dados da Abimaq mostraram queda de 4% no valor das importações de máquinas e equipamentos agrícolas entre janeiro e agosto, para US$ 810,9 milhões.
Além de os períodos serem diferentes, um indicador contabiliza unidades e o outro acompanha valores financeiros de um conjunto de equipamentos que segue metodologia própria.
A combinação de crédito mais restritivo e margens pressionadas está entre os fatores apresentados pelas entidades para explicar a menor disposição dos produtores em comprar máquinas novas.
O endividamento acumulado em parte do setor rural também interfere nas decisões de investimento, principalmente em operações que dependem de financiamento de longo prazo.
Importados também avançam em compras públicas
Ao mesmo tempo, a entrada de equipamentos importados ampliou a concorrência não apenas nas negociações privadas.
Dados sobre compras públicas realizadas em 2025 mostram que foram licitadas 10.603 máquinas agrícolas e rodoviárias, movimentando aproximadamente R$ 3,7 bilhões.
Os equipamentos de origem chinesa representaram 33,5% das unidades licitadas e 26% do valor total, equivalente a aproximadamente R$ 960 milhões.
Os tratores agrícolas tiveram participação particularmente elevada de produtos fabricados fora do país.
Das 3.318 unidades de tratores incluídas nas licitações analisadas, 65% eram importadas e 35% correspondiam à produção local.
A classificação considera o local de fabricação.
Isso significa que máquinas produzidas no Brasil por multinacionais estrangeiras entram na categoria nacional, enquanto equipamentos trazidos prontos de outros países são contabilizados como importados.
A Anfavea argumenta que compras de máquinas devem considerar não apenas o preço inicial, mas também disponibilidade de peças, manutenção, assistência técnica e custo total durante a vida útil do equipamento.
Esse ponto ganha importância à medida que novas marcas entram no Brasil e tentam expandir redes de distribuição e pós-venda para competir com fabricantes que já possuem produção e estrutura de atendimento estabelecidas no país.
Alta de 117% consolida avanço chinês em 2026
O novo balanço de 2026 também se diferencia do movimento observado anteriormente no mercado brasileiro.
Dados usados no primeiro semestre já mostravam a expansão dos fabricantes asiáticos, mas ainda sem o retrato acumulado até setembro agora disponível.
Com alta de 117% nas compras brasileiras de tratores chineses, queda de 15,8% nas vendas internas de máquinas e retração de quase 40% nas colheitadeiras, o segundo semestre consolidou um cenário no qual expansão das importações e enfraquecimento da demanda doméstica passaram a ocorrer ao mesmo tempo.
Até setembro, porém, os números não permitem afirmar que os tratores chineses estejam substituindo diretamente máquinas nacionais na mesma proporção do crescimento das importações.
As faixas de potência, os canais de venda, as compras públicas e as condições de financiamento variam entre os segmentos.
Os dados mostram que a participação chinesa avançou rapidamente no mercado brasileiro de tratores em 2026, especialmente nas máquinas de menor potência, enquanto produtores reduziram investimentos em equipamentos novos e o mercado de colheitadeiras registrou uma das quedas mais acentuadas do setor.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

