Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

China arremata 2 milhões de barris do pré-sal brasileiro em novo leilão, Petrobras fica com mais 1 milhão e outras cargas terão de voltar à disputa

China arremata 2 milhões de barris do pré-sal brasileiro em novo leilão, Petrobras fica com mais 1 milhão e outras cargas terão de voltar à disputa

Faça um comentário

8 min de leitura

China arremata 2 milhões de barris do pré-sal brasileiro em novo leilão, Petrobras fica com mais 1 milhão e outras cargas terão de voltar à disputa

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 30/10/2026 às 12:14

Atualizado em 30/10/2026 às 12:15

Petróleo e Gás

Grupo

Imagem editorial fotorealista criada digitalmente para representar o leilão de outubro de 2026. Não retrata a reunião virtual, os navios reais nem o destino físico das cargas.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Empresas chinesas arremataram 2 milhões de barris do pré-sal de Búzios, e a Petrobras ficou com mais 1 milhão. O leilão da PPSA deixou 1,5 milhão de barris para uma nova disputa. Entenda as cargas e os prazos.

O petróleo do pré-sal brasileiro voltou a despertar o interesse de grandes companhias internacionais. Em um leilão realizado na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, duas empresas chinesas arremataram juntas 2 milhões de barris extraídos do campo de Búzios, enquanto a própria Petrobras comprou mais 1 milhão. A disputa reuniu oito petroleiras e colocou em negociação cerca de 4,5 milhões de barris pertencentes à União, mas nem todo o volume encontrou comprador nesta rodada.

O resultado anunciado em 29 de outubro pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) revela uma divisão bem definida: PetroChina, CNOOC e Petrobras venceram os três primeiros lotes, e outros 1,5 milhão de barris, vinculados a duas plataformas, serão novamente ofertados. As cargas vendidas têm previsão de embarque na primeira quinzena de dezembro. A operação ajuda a explicar como o Brasil transforma parte do óleo produzido em alto-mar em receitas para o poder público.

PetroChina fica com 1 milhão de barris da P-79; CNOOC vence carga equivalente do Almirante Tamandaré

A PetroChina venceu o primeiro lote, formado por aproximadamente 1 milhão de barris de petróleo produzido pela P-79. A unidade opera no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, e entrou em produção em maio de 2026. Seu tamanho dá uma ideia da estrutura por trás do leilão: são cerca de 345 metros de comprimento e 180 metros de altura até o topo da torre de queima de gases, segundo a Petrobras.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A CNOOC arrematou o segundo lote, também de 1 milhão de barris, desta vez associado ao FPSO Almirante Tamandaré. Essa plataforma começou a produzir em fevereiro de 2025 e se tornou uma das maiores unidades produtoras do país. Em julho de 2026, atingiu uma média mensal de 263 mil barris de óleo por dia, de acordo com o relatório operacional divulgado pela Petrobras em 28 de outubro.

As duas vencedoras têm origem chinesa, mas o resultado do leilão informa quem adquiriu os direitos de compra das cargas, não o país para onde o petróleo será efetivamente transportado. O destino final dos carregamentos não foi divulgado pela PPSA. Por isso, a presença de empresas da China na negociação é um fato confirmado; a chegada física dos barris a portos chineses ainda não está estabelecida.

P-79, unidade de Búzios da qual virá o lote de 1 milhão de barris comprado pela PetroChina. Fotografia de arquivo de fevereiro de 2026. Crédito: Petrobras/Divulgação — uso editorial autorizado.

Petrobras também entra na disputa e compra petróleo das próprias plataformas P-75 e P-77

O terceiro lote ficou com a Petrobras, que arrematou duas cargas de 500 mil barris cada, uma da plataforma P-75 e outra da P-77. A soma é de mais 1 milhão de barris, o mesmo volume adquirido individualmente por cada petroleira chinesa. Conforme o programa divulgado antes do certame, os carregamentos dessas duas unidades estavam previstos para os dias 10 a 11 e 11 a 12 de dezembro, respectivamente.

À primeira vista, parece estranho que a Petrobras precise participar de um leilão para comprar petróleo produzido em um campo que ela mesma opera. A explicação está na divisão dos volumes extraídos. Búzios reúne diferentes participantes, e uma parcela da produção pertence à União, que é comercializada pela PPSA. O fato de a Petrobras operar as plataformas não lhe dá automaticamente a propriedade de todos os barris retirados delas.

No regime de partilha e nos acordos aplicáveis a jazidas compartilhadas, o poder público pode receber petróleo como parte de sua participação. A PPSA explica em seu modelo de atuação que administra a comercialização desse óleo, normalmente por concorrência entre compradores. A Petrobras pode, portanto, figurar como operadora de uma instalação e, em outra condição comercial, disputar um lote que pertence à União.

A compra desses barris também não altera a titularidade do campo ou das plataformas. Os vencedores adquirem cargas específicas, dentro de um cronograma de retirada, e não uma concessão de exploração nem a propriedade de reservas subterrâneas. A distinção ajuda a separar a disputa comercial pelo petróleo já programado da participação das empresas na produção do pré-sal.

Restaram 1,5 milhão de barris: duas cargas do pré-sal voltarão a outro leilão

O edital do décimo leilão previa cinco lotes, mas somente três tiveram vencedoras nesta etapa. Os dois restantes correspondiam a 500 mil barris da plataforma P-76 e a 1 milhão de barris do FPSO Almirante Barroso. Juntos, esses volumes representam aproximadamente um terço dos 4,5 milhões de barris oferecidos.

O calendário original colocava o lote da P-76 na janela de 22 a 23 de dezembro e o do Almirante Barroso em 29 a 30 de dezembro. Depois da disputa, a PPSA informou que as duas cargas foram reprogramadas para um próximo leilão. A empresa não apresentou no comunicado uma justificativa detalhada para a ausência de arrematação nem uma nova data definitiva para essas ofertas.

É importante distinguir reprogramação de cancelamento da produção. Os volumes continuam no planejamento de comercialização, mas dependem de uma nova rodada para definir comprador. As datas dos carregamentos podem ser ajustadas conforme a organização comercial e logística da PPSA e das plataformas envolvidas.

Plataforma P-75, cuja carga de 500 mil barris integra o lote vencido pela Petrobras. Foto de arquivo de agosto de 2024: André Ribeiro/Agência Petrobras — uso editorial autorizado.

A situação lembra movimentos recentes do próprio mercado de petróleo da União. Na nona edição do leilão spot, realizada em etapas entre setembro e outubro, cargas que não encontraram compradores na primeira tentativa voltaram à mesa com novos agrupamentos e janelas de retirada. A convocação do décimo certame informou que os lotes de dezembro refletiam uma atualização daquele programa anterior.

Oito petroleiras participaram de uma negociação baseada no preço internacional do Brent

Além de PetroChina, CNOOC e Petrobras, participaram do leilão ExxonMobil, Galp, Prio, TotalEnergies e Equinor. A disputa foi conduzida em reunião on-line, com abertura das propostas em tempo real. As ofertas foram apresentadas em referência ao Brent datado, uma cotação internacional utilizada em negociações de petróleo físico.

Esse mecanismo permite comparar propostas a partir de um preço de referência e de condições comerciais associadas à carga e ao momento de sua retirada. O resultado divulgado pela PPSA confirma vencedoras, volumes e plataformas, mas não apresenta o preço final pago por cada barril. Sem esse dado, seria incorreto atribuir um faturamento específico ao leilão com base apenas na quantidade ofertada.

Em comunicados de rodadas anteriores, a PPSA informou que os valores obtidos podem ser divulgados após o carregamento das cargas. O décimo leilão foi realizado em 28 de outubro, enquanto o embarque dos lotes vendidos está previsto para dezembro. O anúncio das vencedoras, portanto, antecede a movimentação física do petróleo e o fechamento de parte das informações comerciais.

Búzios produz em águas de mais de 2 mil metros e já superou 1,2 milhão de barris por dia

Por trás de uma disputa de poucos minutos em ambiente virtual existe uma das maiores operações offshore do planeta. O campo de Búzios fica a cerca de 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, na Bacia de Santos, em águas ultraprofundas. Foi descoberto em 2010 e reúne grandes reservatórios de petróleo do pré-sal, explorados por plataformas ligadas a poços e sistemas submarinos.

Em junho de 2026, Búzios superou a marca de 1,2 milhão de barris de petróleo produzidos por dia, conforme divulgação da Petrobras. Naquele momento, a produção era realizada por oito unidades: P-74, P-75, P-76, P-77, P-78, P-79, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré. Todas aparecem, direta ou indiretamente, no programa de cargas da União colocado em disputa em outubro.

O crescimento do campo continua apoiado em novas unidades e maior aproveitamento dos poços. A P-79, de onde sairá a carga vencida pela PetroChina, foi projetada para produzir até 180 mil barris de óleo por dia e comprimir até 7,2 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. O Almirante Tamandaré, ligado ao lote adquirido pela CNOOC, teve sua capacidade de produção elevada ao longo da operação e alcançou recordes sucessivos em 2026.

O negócio envolve companhias chinesas que já possuem diferentes vínculos com a indústria brasileira. A CNOOC participa do consórcio produtor de Búzios, ao lado da Petrobras e de outra companhia de origem chinesa, a CNODC. Essa composição, descrita pela Petrobras, é diferente da lista de empresas que participaram do leilão de compra das cargas pertencentes à União.

O que o leilão representa para o Brasil e quais são os próximos passos até dezembro

Quando a PPSA vende a parcela de petróleo da União, a comercialização cria uma fonte de receitas públicas ligada à produção do pré-sal. O valor final depende dos preços contratados e do calendário de carregamento. A negociação de outubro mostra que a estatal consegue atrair diferentes compradores para volumes produzidos por plataformas brasileiras, sem precisar vender a propriedade das jazidas.

Há duas etapas concretas a acompanhar. A primeira será a retirada, na primeira quinzena de dezembro, dos 3 milhões de barris já arrematados por PetroChina, CNOOC e Petrobras. A segunda é a definição de uma nova disputa pelos 1,5 milhão de barris das plataformas P-76 e Almirante Barroso, cujo comprador ainda não foi anunciado.

Enquanto os navios não carregam o petróleo e os valores definitivos não são informados, o que já se sabe é suficiente para dimensionar o interesse internacional: duas empresas chinesas venceram cargas de grande volume de um campo brasileiro que segue ampliando sua produção, e a Petrobras também precisou disputar a parcela da União. Você acha positivo vender petróleo do pré-sal por meio de leilões abertos a empresas estrangeiras? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe esta reportagem.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

Sair da versão mobile