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Chuva demais, cana de menos nas usinas: até 27 milhões de toneladas podem ficar no campo para 2027, enquanto previsão de etanol de cana encolhe 800 milhões de litros no Centro-Sul

Chuva demais, cana de menos nas usinas: até 27 milhões de toneladas podem ficar no campo para 2027, enquanto previsão de etanol de cana encolhe 800 milhões de litros no Centro-Sul

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Chuva demais, cana de menos nas usinas: até 27 milhões de toneladas podem ficar no campo para 2027, enquanto previsão de etanol de cana encolhe 800 milhões de litros no Centro-Sul

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 20/10/2026 às 15:18

Atualizado em 20/10/2026 às 15:19

Biocombustíveis Renováveis

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Chuvas tiram 800 milhões de litros da previsão de etanol de cana no Centro-Sul: XP vê 27 milhões de toneladas de cana ficando para 2027 e usinas têm de refazer suas contas

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Chuvas no Centro-Sul podem adiar a colheita de 27 milhões de toneladas de cana para 2027/28. Analistas reduziram em 800 milhões de litros a previsão de etanol feito de cana, mas o total ainda deve crescer 5% com o milho.

Chuva em excesso, colheita atrasada e milhões de toneladas de cana que podem atravessar o ano sem sair do campo. Essa é a combinação que mudou as expectativas para as usinas do Centro-Sul: uma nova análise calcula que até 27 milhões de toneladas de cana poderão ficar para a safra de 2027/28, enquanto a previsão de produção de etanol de cana foi revista para baixo em cerca de 800 milhões de litros.

O dado que completa a história vai na direção oposta: mesmo com a pressão sobre a colheita de cana, a produção total de etanol do Centro-Sul, somando cana e milho, ainda é projetada em 35,4 bilhões de litros, alta de 5% sobre a temporada anterior. Os três números integram um levantamento publicado pela XP Investimentos em 15 de outubro e detalhado pelo AgFeed em 19 de outubro.

Com terra molhada, a colheitadeira para e a moagem perde ritmo

Para produzir etanol de cana, a usina precisa receber a matéria-prima em fluxo contínuo. A colhedora corta os talos, o transporte leva a carga até a indústria, e as moendas extraem o caldo que depois será fermentado. As chuvas frequentes complicam essa sequência: máquinas pesadas têm mais dificuldade para operar no solo encharcado, e os dias perdidos se acumulam justamente quando a safra se aproxima do fim.

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O atraso já apareceu em dados efetivos de processamento. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura e repercutidas pela Reuters em 1º de outubro, as usinas do Centro-Sul haviam moído 443,71 milhões de toneladas de cana desde abril até 15 de setembro, volume 1,5% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior.

Mapa oficial do INMET com a precipitacao acumulada no Brasil em setembro de 2026, com chuvas elevadas em parte do Centro-Sul

Os dados realizados medem a cana que efetivamente passou pelas usinas. Já os novos cálculos para o encerramento de 2026/27 são projeções: no relatório de outubro, a XP reduziu sua estimativa de moagem em 12,4 milhões de toneladas, para 613,5 milhões de toneladas durante o ciclo completo.

Até 27 milhões de toneladas podem esperar pela safra seguinte

Em condições normais, a cana é colhida na janela planejada para que a usina transforme a matéria-prima em açúcar, etanol e outros produtos. Com o calendário apertado, parte das áreas pode ficar de pé até o ciclo seguinte, formando a chamada cana bisada.

O estudo da XP estima que aproximadamente 27 milhões de toneladas possam ser transferidas para 2027/28. Esse volume poderá ampliar a matéria-prima disponível no próximo ano, mas o resultado dependerá das condições dos canaviais, do clima e da capacidade de colher e processar a planta no momento adequado.

Para quem vive da safra, o atraso mexe com os dias de serviço de colheitadeiras, equipes de transporte e unidades industriais. Quando a safra entra no fim do ano, as equipes precisam aproveitar janelas de tempo seco para concluir a colheita, com menos margem para novos atrasos.

Além de atrasar a colheita, a chuva deixa menos açúcar em cada tonelada

O volume que chega à esteira não é a única preocupação. Para fabricar açúcar e etanol, também importa a concentração de sacarose da cana. Com excesso de precipitação, o acúmulo de açúcares na planta pode diminuir, afetando a quantidade de produto obtida de cada tonelada processada.

A XP reduziu em 2,3 quilos por tonelada sua estimativa para o indicador conhecido como ATR, ou açúcar total recuperável, para 134,3 quilos por tonelada. No mesmo relatório, a instituição diminuiu em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas a previsão de produção de açúcar para a região.

Um canavial com menos dias de colheita e menor concentração de açúcar limita a produção potencial mesmo quando as instalações industriais permanecem disponíveis. É uma dificuldade que começa no campo e chega até a quantidade de litros e toneladas que as usinas podem obter.

Previsão de etanol de cana perde 800 milhões de litros; o milho muda a conta final

Na parte de combustíveis, os analistas da XP diminuíram em cerca de 800 milhões de litros sua expectativa de produção de etanol obtido da cana para 2026/27. O número é a diferença entre duas previsões elaboradas pela instituição financeira; os dados efetivos de produção são apurados separadamente.

Apesar da revisão para a cana, a previsão para todo o etanol do Centro-Sul continua em alta. A XP projeta 35,4 bilhões de litros na atual temporada, ante 33,7 bilhões na anterior. A expansão do etanol de milho explica parte dessa diferença: a projeção para o cereal na região é de 9,7 bilhões de litros, contra 9,2 bilhões no ciclo anterior.

Resumo visual das projeções da XP para a safra 2026/27. Arte editorial produzida a partir dos dados da fonte.

As destilarias que usam milho seguem um processo industrial diferente e trabalham com grãos armazenáveis, enquanto a produção a partir da cana depende diretamente do corte e da entrega dos talos frescos. O crescimento do milho ajuda a sustentar a oferta nacional, mas não resolve os problemas específicos dos canaviais que seguem sem colheita.

Chuva acima da média em setembro e nova previsão para outubro mantêm a atenção no campo

O Instituto Nacional de Meteorologia registrou chuvas acima da média em áreas do Centro-Sul em setembro de 2026, com anomalias positivas superiores a 200 milímetros em parte da região central paulista. Em Iguape, no litoral de São Paulo, o acumulado mensal chegou a 454,2 milímetros, segundo o levantamento oficial. Os valores variaram entre cidades, mas mostram a intensidade da umidade registrada em partes do estado.

Para outubro, o Inmet projetou precipitações acima da média em áreas de São Paulo e de Mato Grosso do Sul, entre outros pontos do Sul e Sudeste. Essa previsão meteorológica não determina quantas toneladas deixarão de ser moídas; ela ajuda a dimensionar o risco de mais atrasos nas regiões produtoras.

Mapa oficial do INMET com anomalias de chuva e de temperatura previstas no Brasil para outubro de 2026

O preço na bomba vai subir? A resposta depende da oferta real nas próximas semanas

O preço que o motorista encontra no posto não depende de uma única previsão agrícola. A XP descreveu estoques de etanol ainda confortáveis, embora em queda quando comparados aos padrões sazonais. A oferta efetiva, a demanda, a gasolina, os tributos e os custos de distribuição influenciam a disputa entre os combustíveis nos postos.

Para o restante de 2026, o dado decisivo virá das usinas e dos balanços de safra: quanto de cana ainda conseguirá entrar nas moendas antes do fechamento do ciclo, e quanto ficará de pé até 2027. Acompanhar esses números será mais importante do que interpretar a revisão de um relatório como um corte já ocorrido no abastecimento.

Você percebeu mudanças no preço do etanol na sua cidade? Conte nos comentários e compartilhe esta reportagem com quem acompanha o mercado de combustíveis e a safra de cana.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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