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Cientista de Florianópolis adapta máquina de café para detectar petróleo em peixes, cria protocolo pioneiro no Brasil e entra na lista da Forbes
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 21/10/2026 às 10:45
Atualizado em 21/10/2026 às 10:50
Agronegócio
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Ana Paula Zapelini desenvolveu protocolo para monitorar contaminantes em peixes e frutos do mar após o desastre de 2019. A pesquisa utilizou uma máquina de café adaptada e conquistou reconhecimento no Brasil e no exterior
Uma pesquisa sobre contaminação por petróleo em peixes levou a cientista Ana Paula Zapelini de Melo, de Florianópolis, à lista de 100 mulheres de destaque do agronegócio brasileiro publicada pela Forbes em outubro de 2026. O trabalho começou após um desastre ambiental.
Pesquisadora brasileira entra na lista da Forbes
A inclusão foi noticiada pelo ND Mais. Ana Paula aparece sob o número 13 na relação da Forbes, mas isso não significa que seja a 13ª colocada por desempenho ou influência.
A própria Forbes explica que a seleção de 2026 reúne produtoras, executivas, pesquisadoras e lideranças. Depois das duas primeiras participantes, os nomes estão organizados em ordem alfabética, e não por uma classificação de poder.
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O destaque dado à cientista vem de um método desenvolvido durante seu doutorado em Ciência dos Alimentos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A técnica ajudou a examinar pescados expostos a contaminantes associados ao petróleo.
Máquina de café foi adaptada para identificar resíduos de petróleo
A solução chamou atenção por usar uma máquina de café expresso adaptada. Em vez de preparar bebida, o equipamento serviu para extrair substâncias químicas de amostras de peixes e frutos do mar.
A adaptação aproveita o princípio da extração com líquido pressurizado. Depois dessa etapa, os pesquisadores utilizam análises laboratoriais para identificar e quantificar hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), marcadores de contaminação relacionados ao petróleo.
Segundo a Capes, o método foi validado conforme diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária e da União Europeia. A pesquisa contribuiu para o primeiro protocolo oficial brasileiro de monitoramento desses contaminantes no pescado.
Desastre ambiental de 2019 motivou a pesquisa
A necessidade de criar esse procedimento apareceu após o derramamento de petróleo de 2019. A contaminação atingiu mais de 4 mil quilômetros do litoral brasileiro, do Maranhão ao Espírito Santo, e prejudicou atividades pesqueiras.
Na época, era necessário avaliar se o pescado poderia ser consumido com segurança. A tese de Ana Paula, defendida em agosto de 2023, reuniu técnicas de extração, identificação química e avaliação de risco.
Em entrevista à Capes, a pesquisadora informou que, desde 2019, o monitoramento havia analisado mais de 400 amostras. Os contaminantes foram quantificados em 23% delas, mas menos de 1% apresentou não conformidade.
A avaliação relatada pela pesquisadora indicou baixa preocupação para a saúde dos consumidores. O estudo também passou a utilizar um equipamento de extração mais avançado para aumentar a capacidade de análise.
Reconhecimento internacional e novas pesquisas
A tese recebeu, em 2024, o Prêmio Capes de Tese na área de Ciência de Alimentos e o Grande Prêmio Ennio Candotti, na categoria Ciências da Vida.
Em 2025, Ana Paula entrou para a seleção Innovators Under 35 Brasil, da MIT Technology Review. Atualmente, de acordo com a Forbes, seu pós-doutorado investiga a contaminação de peixes por microplásticos e nanoplásticos.
Matéria elaborada com base em informações de ND Mais e Forbes.
Fonte
https://ndmais.com.br/eco
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

