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Cientistas brasileiros examinam quase 5 mil proteínas no sangue, encontram 10 sinais ligados ao risco de doença nos pulmões e abrem caminho para detectar a hipertensão pulmonar mais cedo

Cientistas brasileiros examinam quase 5 mil proteínas no sangue, encontram 10 sinais ligados ao risco de doença nos pulmões e abrem caminho para detectar a hipertensão pulmonar mais cedo

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Cientistas brasileiros examinam quase 5 mil proteínas no sangue, encontram 10 sinais ligados ao risco de doença nos pulmões e abrem caminho para detectar a hipertensão pulmonar mais cedo

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 26/10/2026 às 12:07

Atualizado em 26/10/2026 às 12:10

Ciência e Tecnologia

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Representação ilustrativa de pesquisa laboratorial com amostras de sangue e circulação pulmonar. Estudo brasileiro encontrou dez proteínas associadas ao risco futuro de hipertensão pulmonar.

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Pesquisadores ligados à USP examinaram quase 5 mil proteínas e identificaram dez associadas ao risco futuro de hipertensão pulmonar. A descoberta abre caminho para um exame de sangue, mas o teste ainda não está disponível.

Um simples exame de sangue poderá, no futuro, ajudar médicos a perceber mais cedo o risco de uma doença que muitas vezes começa com falta de ar e cansaço. Pesquisadores ligados à USP analisaram cerca de 5 mil proteínas e chegaram a um conjunto de dez sinais no sangue associados ao desenvolvimento posterior de hipertensão pulmonar, condição grave que afeta a circulação entre o coração e os pulmões.

A descoberta, divulgada pela Agência FAPESP em 23 de outubro de 2026, veio de uma pesquisa publicada na Nature Communications em 5 de outubro. Além de apontar moléculas que poderão ajudar na detecção precoce, a investigação encontrou indícios de que a proteína NOTCH3 participa do processo que favorece a doença. O resultado abre caminhos para novos exames e tratamentos, mas ainda não representa um teste disponível nos laboratórios nem a descoberta de uma cura.

Falta de ar e cansaço podem esconder uma doença que sobrecarrega o coração

A hipertensão pulmonar é diferente da pressão alta comum, medida no braço. Ela acontece quando a pressão no sistema de vasos que leva sangue do coração aos pulmões fica elevada. O lado direito do coração passa a enfrentar mais resistência para bombear sangue, e a doença pode comprometer a capacidade de realizar atividades cotidianas.

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O problema é que os primeiros sinais não são exclusivos dessa condição. Falta de ar ao subir escadas, fadiga que não melhora, tonturas ou desconforto no peito podem levar a diferentes hipóteses médicas. Muitas pessoas precisam passar por uma investigação que inclui exames de imagem e avaliação especializada antes de chegar ao diagnóstico.

O ecocardiograma permite estimar a pressão nas artérias pulmonares. Para confirmar a hipertensão pulmonar em situações indicadas, os profissionais recorrem ao cateterismo cardíaco direito, em que um tubo fino é introduzido por uma veia e conduzido até o coração e a circulação pulmonar para medir as pressões. É um exame mais invasivo, nem sempre disponível em todos os serviços.

De quase 5 mil proteínas, cientistas encontraram dez com ligação ao risco futuro da doença

A pesquisa foi conduzida por Fernando Rabioglio Giugni, do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração (InCor), ligado à Faculdade de Medicina da USP, durante seu pós-doutorado na University of Texas Southwestern Medical Center, nos Estados Unidos.

Em vez de analisar apenas uma substância escolhida antecipadamente, Giugni e seus colaboradores usaram uma técnica capaz de examinar simultaneamente milhares de proteínas presentes no sangue. A primeira seleção encontrou 22 moléculas cujos níveis acompanhavam diferenças de pressão nas artérias pulmonares. A associação era promissora, mas ainda não dizia quais proteínas poderiam antecipar a doença.

A equipe ampliou as verificações com dados de pacientes que haviam passado pelo cateterismo cardíaco direito, método que mede diretamente a pressão. Nessa etapa, 15 das 22 proteínas continuaram associadas às alterações observadas.

Dezenas de tubos de amostras, alguns com tampas laranja, organizados em suporte verde de laboratório; técnica aparece ao fundo

O passo seguinte foi comparar os achados com registros do UK Biobank, um grande estudo britânico que acompanha participantes por anos. Dez das proteínas puderam ser analisadas nessa base, e todas apresentaram associação com o risco de desenvolver hipertensão pulmonar depois da coleta: em nove, níveis maiores indicavam maior risco; em uma, a associação foi com níveis menores.

Essa sequência — quase 5 mil, depois 22, depois 15 e finalmente dez — explica por que os resultados chamaram atenção. Os pesquisadores saíram de uma busca ampla e chegaram a um grupo pequeno de possíveis indicadores que poderão ser testados em pesquisas clínicas específicas.

Uma proteína chamada NOTCH3 levou os pesquisadores a investigar a origem do problema

Entre as dez proteínas, a NOTCH3 despertou interesse especial. Ela participa de processos relacionados às células que formam os vasos sanguíneos, e os cientistas queriam descobrir se poderia contribuir para o desenvolvimento da hipertensão pulmonar, em vez de apenas aparecer alterada como consequência do problema.

Para avançar, cruzaram informações sobre variações genéticas e níveis de proteínas em grandes grupos populacionais. Pessoas que nasceram com características genéticas associadas à produção de mais NOTCH3 também apresentaram maior risco da doença. A abordagem, chamada randomização mendeliana, reforça a hipótese de uma relação causal, embora não demonstre que um medicamento dirigido à proteína será seguro ou eficaz.

Estudos anteriores feitos com células e animais já haviam sugerido que essa via biológica influencia alterações nos vasos pulmonares. A convergência entre pesquisas experimentais e dados humanos ajuda a definir onde concentrar novos estudos. Por enquanto, a NOTCH3 é um possível alvo de pesquisa, não um tratamento aprovado.

Por que um futuro exame de sangue poderia mudar a investigação médica

O objetivo de estudar essas moléculas é encontrar um sinal mais acessível de quem talvez precise ser acompanhado de perto. Se novos estudos confirmarem os resultados, um teste poderá ajudar a selecionar pessoas para ecocardiogramas, avaliações especializadas ou exames adicionais antes de a doença chegar a um estágio avançado.

Mas o trabalho ainda não definiu um exame de rotina, valores de referência capazes de separar pacientes com segurança, nem quando ou para quem o teste deverá ser solicitado. Também será preciso verificar se os indicadores funcionam em outras populações e em diferentes formas de hipertensão pulmonar.

Isso é especialmente importante porque a condição inclui doenças com causas distintas, entre elas problemas cardíacos, doenças respiratórias e alterações específicas das artérias dos pulmões. Um resultado de laboratório, isoladamente, não deve substituir a avaliação da história clínica e dos exames necessários.

Pesquisa brasileira publicada em revista internacional agora precisa passar por novas validações

O estudo recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e foi publicado na revista científica Nature Communications. As análises combinaram estimativas por ecocardiografia, medidas invasivas e acompanhamento de pessoas ao longo do tempo, tornando possível examinar tanto a pressão pulmonar quanto o surgimento posterior da doença.

O próximo desafio é transformar as dez proteínas em marcadores medidos de maneira padronizada e verificar se um futuro exame realmente melhora decisões médicas. A outra frente será explorar melhor a NOTCH3, sem antecipar resultados de terapias que ainda precisam ser desenvolvidas e testadas.

Para quem sente falta de ar persistente, episódios de desmaio ou cansaço inexplicável, a orientação continua sendo procurar avaliação médica, e não esperar pela chegada de um teste experimental. A descoberta aponta uma possibilidade futura, enquanto o diagnóstico atualmente depende de investigação clínica.

Você sabia que existe uma pressão alta que afeta especificamente os vasos dos pulmões? Conte nos comentários se essa descoberta brasileira mudou sua percepção sobre a doença.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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