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Cientistas criam adesivo transparente de silicone que se fixa à pele como ventosas de polvo e usa mudanças de cor para monitorar sinais cardiovasculares sem componentes eletrônicos
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 27/10/2026 às 11:31
Atualizado em 27/10/2026 às 11:50
Ciência e Tecnologia
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Adesivo criado na NTNU mede pulso e rigidez vascular usando câmera de smartphone, sem bateria ou fios, por meio de mudanças de cor na superfície.
Um adesivo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) permite medir a frequência cardíaca e obter informações sobre a rigidez dos vasos sanguíneos com a câmera de um smartphone convencional. A tecnologia, apresentada em um estudo publicado na revista Advanced Materials, dispensa bateria, cabos e componentes eletrônicos incorporados ao material. Seu funcionamento depende de alterações de cor provocadas pelos pequenos movimentos da pele durante a passagem das ondas de pulso.
A inovação foi projetada para simplificar medições relacionadas à saúde cardiovascular, utilizando um material flexível de silicone em vez dos sensores eletrônicos encontrados em dispositivos vestíveis tradicionais. Os pesquisadores apresentam o adesivo como o primeiro do gênero e apontam possibilidades de aplicação em locais com acesso limitado a equipamentos médicos especializados.
Adesivo utiliza princípio diferente dos sensores presentes em relógios inteligentes
Uma das diferenças mais importantes da tecnologia está na maneira como os sinais cardíacos são identificados. Enquanto relógios inteligentes normalmente utilizam luz para acompanhar mudanças no volume sanguíneo, o dispositivo desenvolvido na NTNU responde diretamente aos movimentos da superfície da pele.
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Essa distinção também envolve uma questão levantada pelos pesquisadores sobre o funcionamento dos sensores ópticos convencionais.
De acordo com Angelos Xomalis, professor associado de sistemas eletrônicos da universidade, a quantidade de pigmento presente na pele pode interferir nas medições realizadas pelos sistemas utilizados em smartwatches.
Essa característica pode comprometer a uniformidade do desempenho entre pessoas com diferentes tonalidades de pele, representando uma dificuldade para a oferta de tecnologias de monitoramento mais equitativas.
O novo adesivo, por outro lado, não precisa analisar a absorção de luz pela pele para identificar o pulso. O sinal é produzido pela deformação mecânica do próprio material, que posteriormente pode ser observada por uma câmera.
Rigidez dos vasos sanguíneos revela informações além da frequência cardíaca
A pesquisa também chama atenção para uma capacidade que vai além da contagem dos batimentos cardíacos: a obtenção de informações relacionadas à rigidez vascular.
Segundo Torjus Lines Steffensen, pesquisador de pós-doutorado em imagem médica da NTNU, os vasos sanguíneos costumam perder flexibilidade com o envelhecimento, mas essa mudança não depende exclusivamente da idade.
Pessoas que mantêm uma rotina de exercícios e hábitos saudáveis podem conservar características vasculares associadas a um organismo mais jovem. Em sentido contrário, o tabagismo intenso pode estar relacionado a um envelhecimento vascular mais acentuado.
A rigidez dos vasos é relevante porque pode contribuir para o desenvolvimento de diferentes problemas cardiovasculares.
Entretanto, sua avaliação por métodos convencionais pode exigir uma estrutura mais complexa. Entre os recursos utilizados estão eletrodos posicionados em regiões como braços, pernas e tórax, conectados por fios a equipamentos de eletrocardiografia.
Os pesquisadores destacam que esse tipo de informação também é difícil de obter com os sensores ópticos normalmente presentes nos relógios inteligentes.
Tecnologia pode facilitar medições em regiões com poucos equipamentos médicos
A possibilidade de utilizar um telefone celular como parte do sistema de medição abre uma perspectiva de uso em locais onde instrumentos médicos avançados não estão facilmente disponíveis.
Xomalis observa que, embora países como a Noruega contem com acesso a equipamentos especializados, a situação pode ser diferente em comunidades remotas de outras regiões do mundo.
Nesses locais, a distância até profissionais de saúde e centros equipados pode dificultar a realização de determinadas avaliações.
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A proposta da equipe é concentrar no smartphone parte das funções que normalmente dependem de sistemas de medição mais complexos.
Dessa forma, o adesivo poderia contribuir para tornar algumas avaliações mais acessíveis, utilizando um dispositivo que já faz parte da rotina de muitas pessoas.
Isso não significa, entretanto, que a tecnologia tenha sido apresentada como substituta definitiva dos exames cardiovasculares convencionais. O estudo destaca seu funcionamento e suas possibilidades de utilização.
Estrutura inspirada em polvos permite que adesivo acompanhe movimentos da pele
Para desenvolver o dispositivo, os cientistas combinaram duas características em uma pequena estrutura feita de borracha de silicone.
Na face responsável pela fixação, foram criadas formações tridimensionais inspiradas nas ventosas dos polvos. Elas permitem que o material permaneça aderido à superfície cutânea, acompanhando suas movimentações.
Já o lado externo apresenta um padrão em escala nanométrica, responsável pela aparência colorida do dispositivo. Essa superfície lembra o verso de um CD, com reflexos semelhantes aos de um arco-íris. Entretanto, as cores não desempenham apenas uma função visual.
Quando o sangue circula e as ondas de pulso provocam movimentos discretos na pele, o adesivo acompanha essas alterações e sofre pequenas deformações.
O estiramento modifica a coloração produzida pela superfície nanoestruturada. Essas variações são mensuráveis e permitem extrair os sinais utilizados pelos pesquisadores. A leitura pode ser realizada diretamente com a câmera convencional de um smartphone, sem necessidade de espectrômetros, lasers ou outros equipamentos ópticos especializados.
Adesivo foi desenvolvido e testado integralmente na NTNU
O projeto reúne características que os pesquisadores consideram importantes para uma nova geração de sensores de saúde: estrutura flexível, baixo custo pretendido, funcionamento sem alimentação elétrica externa e utilização simplificada.
Outra particularidade é a possibilidade de observar visualmente as alterações relacionadas ao sinal cardíaco, sem depender de circuitos eletrônicos instalados no próprio material. A tecnologia foi inteiramente projetada, fabricada e testada na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.
Embora a pesquisa apresente uma nova abordagem para acompanhar informações cardiovasculares, a fonte não estabelece que o dispositivo já esteja disponível comercialmente ou aprovado para uso clínico rotineiro.
Tags
adesivoNTNU
Fonte
Phys.org
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.
