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Cientistas marcaram em 1960 o fim do mundo para 13 de novembro de 2026, daqui a duas semanas

Cientistas marcaram em 1960 o fim do mundo para 13 de novembro de 2026, daqui a duas semanas

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Cientistas marcaram em 1960 o fim do mundo para 13 de novembro de 2026, daqui a duas semanas

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 29/10/2026 às 20:17

Atualizado em 29/10/2026 às 20:40

Curiosidades

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Em 1960, o físico Heinz von Foerster previu o fim do mundo para 13 de novembro de 2026, uma sexta-feira 13. Especialistas explicam por que a conta errou.

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Em 1960, o físico Heinz von Foerster e colegas publicaram na revista Science uma conta que marcava o fim do mundo para 13 de novembro de 2026, uma sexta-feira 13. A população, segundo eles, cresceria até o infinito. Hoje, especialistas dizem que a previsão errou e que os nascimentos caem.

O físico Heinz von Foerster, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, previu em 1960 que o fim do mundo chegaria em 13 de novembro de 2026. A data cai numa sexta-feira 13, daqui a duas semanas. A previsão saiu num estudo feito com outros autores e publicado na revista científica Science, que depois foi muito citado.

As informações foram publicadas pela revista Popular Science em 13 de outubro de 2026, em texto de Mack DeGeurin. A reportagem ouviu o biólogo matemático Joel Cohen, das universidades Rockefeller e Columbia, e o demógrafo econômico Dean Spears, da Universidade do Texas, que explicam por que a conta do fim do mundo deu errado.

Fim do mundo de von Foerster não viria pela fome, e sim pelo excesso de gente

Em 1960, o físico Heinz von Foerster previu o fim do mundo para 13 de novembro de 2026, uma sexta-feira 13. Especialistas explicam por que a conta errou.

Hoje, quando se fala em fim do mundo, muita gente pensa em inteligência artificial fora de controle. Von Foerster tinha outra catástrofe na cabeça: uma população grande demais para o planeta.

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Catástrofe é uma desgraça muito grande, que atinge muita gente de uma vez.

Medo antigo era a fome, desde o economista Thomas Malthus

Por mais de um século, o medo mais comum veio do economista inglês Thomas Malthus, que viveu de 1766 a 1834. Para ele, a população cresceria mais rápido que a comida, e o resultado seria a fome.

Economista é quem estuda como as pessoas produzem, vendem e usam as coisas.

Von Foerster achava que a comida não ia faltar, e nisso acertou

Von Foerster rompeu com essa ideia. Ele imaginou que a criatividade humana manteria o mundo quase todo alimentado, e nisso estava certo, segundo a Popular Science.

O problema que levaria ao fim do mundo, para ele, era outro. A população continuaria acelerando, rumo ao “infinito”.

“Nossos tataranetos não vão morrer de fome”, escreveram os autores

Uma frase do estudo ficou famosa. “Nossos tataranetos não vão morrer de fome. Eles vão morrer espremidos”, escreveram von Foerster e os coautores.

Tataraneto é o neto do neto. Espremido quer dizer apertado, sem espaço. Pela previsão, o último suspiro do Homo sapiens, o nome científico do ser humano, viria em 2026.

Estudo do “Dia do Juízo Final” saiu em 4 de novembro de 1960

Von Foerster e os colegas publicaram o estudo do “Dia do Juízo Final” em 4 de novembro de 1960. A previsão do fim do mundo dependia de uma equação que levava a população humana para o futuro com base no que tinha acontecido no passado.

Dia do Juízo Final é um jeito de falar do fim do mundo. Equação é uma conta matemática com letras e números.

Conta do fim do mundo usou 24 estimativas da população dos últimos 2.000 anos

Para calcular o fim do mundo, a equipe juntou 24 estimativas da população do mundo, cobrindo 2.000 anos. A ideia principal era que os humanos são diferentes dos outros animais porque sabem cooperar e inventar coisas.

Estimativa é um número calculado de forma aproximada. Cooperar quer dizer trabalhar junto.

Moscas-das-frutas param de crescer, mas humanos não, diziam os autores

Moscas-das-frutas presas num pote param de aumentar em algum momento, por causa do aperto e da disputa entre elas. Com os humanos, segundo os autores, acontece o contrário: quanto mais gente, melhor a cooperação, e quanto melhor a cooperação, mais rápido a população cresce.

Curva da população batia numa “parede” em 13 de novembro de 2026

Seguindo essa curva para a frente, a população não só crescia: ela disparava rumo ao infinito. A conta do fim do mundo batia na chamada parede matemática em 13 de novembro de 2026, com margem de cinco anos para mais ou para menos.

Margem é a folga do cálculo. Quer dizer que a data poderia chegar alguns anos antes ou depois.

Cientistas da época chamaram a previsão do fim do mundo de “ridícula”

Acadêmicos da época mandaram cartas irritadas ao editor da Science, segundo relatos citados pela Popular Science. Eles chamaram a previsão de “ridícula” e de “claramente absurda”.

Acadêmico é o professor ou pesquisador que trabalha em universidade.

Oito anos depois, Paul Ehrlich lançou “A Bomba Populacional”

Von Foerster não foi o único a dar o alarme sobre o excesso de população. Oito anos depois, o biólogo Paul R. Ehrlich publicou o livro “The Population Bomb” (“A Bomba Populacional”), talvez o texto mais influente a alimentar o medo da superpopulação, segundo a Popular Science.

Superpopulação é gente demais para o espaço e para as coisas que existem. “Os dois acertaram olhando para trás, mas erraram olhando para a frente”, diz Joel Cohen.

Von Foerster era físico, e Ehrlich estudava borboletas

Nem von Foerster nem Ehrlich eram especialistas em população humana. Von Foerster tinha formação em física e filosofia, e Ehrlich era biólogo, mas os dois eram muito bons em chamar a atenção, segundo a Popular Science.

“Paul Ehrlich era um biólogo que estudava borboletas, não demografia humana”, diz Dean Spears. Demografia é a ciência que estuda a população: quantos nascem, quantos morrem e onde vivem.

Pico do crescimento da população foi no começo dos anos 1960, diz Cohen

Joel Cohen estuda há anos as mudanças da população humana e publicou em 1995 o livro “How Many People Can the Earth Support?” (“Quantas pessoas a Terra consegue sustentar?”). “Ele acertou o retrato justamente quando esse retrato deixou de estar certo”, diz Cohen sobre von Foerster.

Segundo Cohen, von Foerster não sabia na época, e ninguém sabia, que o maior crescimento da população de todos os tempos já tinha acontecido. “O pico de todos os tempos aconteceu no começo dos anos 1960”, afirma. Pico é o ponto mais alto.

População passou de 1 bilhão perto de 1800 para 8 bilhões em 2022

A humanidade existe há cerca de 300 mil anos, e a população cresceu devagar durante quase todo esse tempo. Isso mudou muito com a globalização, a colonização e a Revolução Industrial, segundo a Popular Science.

Os números estão no livro “Empty Planet” (“Planeta Vazio”), de 2020, de Darrell Bricker e John Ibbitson. A população passou de 1 bilhão perto de 1800 e chegou a 2 bilhões em 1927. Dobrou de novo, para 4 bilhões, em 1974, levou mais 13 anos para passar de 5 bilhões e superou 8 bilhões em 2022.

Batata e milho das Américas ajudaram a população a crescer

Essa explosão da população teve muitas causas, segundo Cohen. Uma das mais importantes foi a chegada a outras partes do mundo de plantações baratas e cheias de calorias, como a batata e o milho, que vieram das Américas.

Caloria é a medida da energia que a comida dá para o corpo.

Pessoas não passaram a ter mais filhos, mas a manter os filhos vivos

A população cresceu, mas as pessoas não passaram necessariamente a ter muito mais filhos. Elas ficaram muito melhores em manter os filhos vivos.

“A humanidade ficou melhor em manter vivas as pessoas que nasciam, com inovações simples, mas importantes, como a teoria dos germes, o saneamento e a nutrição”, diz Dean Spears, que publicou neste ano o livro “After the Spike” (“Depois do Pico”). Saneamento é água limpa e esgoto tratado. A teoria dos germes é a descoberta de que micróbios causam doenças.

Quando a maioria das crianças sobrevive, as famílias têm menos filhos

A queda nas mortes tem um limite. Quando a maioria das crianças sobrevive, as famílias costumam ter menos filhos, e isso abre um buraco enorme na conta do fim do mundo de von Foerster, segundo a Popular Science.

Para Spears, a ideia de um crescimento que acelera sem parar foi “baseada num mal-entendido sobre de onde vem o crescimento da população”. “Nunca houve, nem naquela época, nenhum motivo para achar que ela continuaria crescendo rápido daquele jeito”, diz ele.

Revolução Verde e pílula mudaram o rumo no fim do século 20

No fim do século 20, o crescimento da população começou a cair bem rápido, por causa de vários fatores juntos. A chamada Revolução Verde permitiu plantar mais comida no mesmo pedaço de terra, e isso acabou com o medo de a humanidade passar fome de repente.

A primeira pílula anticoncepcional, aprovada nos Estados Unidos em 1957, segundo a Popular Science, deu às mulheres mais liberdade para decidir quando e quantos filhos ter. Pílula anticoncepcional é o remédio que evita a gravidez.

Na cidade, mais um filho era mais uma boca para alimentar

Com menos trabalhadores necessários no campo, mais gente foi morar nas cidades. Famílias de fazenda costumavam ter mais filhos, porque as crianças podiam trabalhar na terra e trazer mais dinheiro para casa.

Na cidade, mais um filho era mais uma boca para alimentar, e não mais um par de mãos para trabalhar. As mulheres também ganharam mais liberdade com estudo, trabalho e acesso a métodos para evitar a gravidez, um dos maiores motivos da mudança na população nos últimos 50 anos, segundo os demógrafos.

China e Índia usaram medidas forçadas por medo da superpopulação

Alguns governos foram mais longe. A China criou a política do filho único em 1979, e a Índia fez campanhas de esterilização forçada entre 1975 e 1977, respostas duras movidas pelo pânico da superpopulação.

Esterilização é uma operação que impede a pessoa de ter filhos. Segundo Spears, o mais triste é que os nascimentos provavelmente teriam caído mesmo sem essas medidas.

Hoje, 55% dos países têm menos de 2,1 filhos por mulher

A cerca de duas semanas da data do fim do mundo de von Foerster, a população do planeta é de cerca de 8,3 bilhões de pessoas. Perto de 55% dos países do mundo, onde vivem mais de dois terços das pessoas, têm menos filhos por mulher do que o nível de reposição.

Nível de reposição é a quantidade de filhos, cerca de 2,1 por mulher, para a população se manter do mesmo tamanho de uma geração para a outra. Em boa parte do mundo, a população está no caminho de um dia diminuir.

Coreia do Sul, Japão e Europa agora se preocupam com poucos nascimentos

Em dezenas de países, da Coreia do Sul e do Japão a boa parte da Europa Ocidental, o medo mudou de lado. Os demógrafos passaram a se preocupar menos com o excesso de população e mais com a queda nos nascimentos.

“O que vemos agora, um mundo com nascimentos baixos e em queda, não é nada novo, é só o momento mais recente de uma trajetória de décadas ou mais de queda nos nascimentos, em média, em praticamente todo lugar”, diz Spears.

Trump se diz “presidente da fertilização” e estuda medalha para mães

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump se chama de “presidente da fertilização”, segundo a Popular Science. Ele oferece descontos em impostos para famílias novas e estuda até dar medalhas para mulheres que tiverem seis filhos ou mais.

A ideia da medalha já tinha sido defendida antes pelo ditador soviético Josef Stalin. Para Cohen, medidas do governo para estimular as famílias a ter mais filhos, como a medalha proposta pelo governo Trump, são “contraproducentes”, ou seja, atrapalham em vez de ajudar.

Mudanças na população vêm da sociedade, e não de um político, diz Cohen

Cohen também criticou as medidas forçadas do passado. “Eu diria que a escola coercitiva foi contraproducente”, afirma ele. Coercitivo quer dizer que obriga, que força.

Segundo Cohen, as mudanças reais na população entre as gerações costumam vir de grandes tendências da sociedade, que vão além do alcance de qualquer político ou partido.

Menos filhos pode significar mais atenção para cada criança

Os especialistas concordam, em geral, que os nascimentos estão caindo. Se isso é um problema a ser resolvido, já não está tão claro, segundo a Popular Science.

Na família, ter menos filhos pode significar mais dinheiro, mais recursos e mais atenção para cada um. Também pode significar mais liberdade para quem decidiu não ter filhos.

População mais velha pode pesar na economia e nos serviços

Demógrafos e especialistas debatem quanto as pessoas devem se preocupar com a queda nos nascimentos. Em geral, eles concordam que uma população com muito mais idosos do que jovens pode pesar, a longo prazo, na economia e nos serviços públicos de um país.

Spears diz que há bons motivos para querer que os nascimentos se estabilizem, em vez de continuarem caindo. Programas como a Seguridade Social dos Estados Unidos dependem dos trabalhadores jovens para pagar a aposentadoria dos mais velhos.

Spears usa o exemplo do food truck de tacos e da escola

Para Spears, uma população menor também significa menos coisas e serviços divididos entre todos. “Se você quer almoçar num food truck de tacos, mas é a única pessoa por perto que quer isso, o food truck não vai estar lá”, diz ele.

“E, se você é uma criança que quer ir para a escola, talvez não haja outras crianças suficientes para ter uma sala de aula adequada perto de você”, completa. Food truck é um caminhão que vende comida na rua.

OMS estima que 22% das crianças com menos de 5 anos têm crescimento atrasado

Cohen alerta que olhar demais para números e tendências da população pode esconder um problema mais urgente. A Organização Mundial da Saúde, a OMS, estima que cerca de 22% das crianças com menos de 5 anos têm o crescimento atrasado por desnutrição.

Desnutrição é quando o corpo não recebe a comida de que precisa. “Estamos cuidando tão mal das crianças que temos que não consigo entender por que a ênfase está em fazer mais crianças”, diz Cohen. “Estamos falando em ter mais filhos quando não cuidamos dos filhos que temos. Que história é essa?”

Queda nos nascimentos é “desafio de gerações”, diz Spears

Mesmo para quem se preocupa com a queda nos nascimentos, Spears pede cuidado com políticos que prometem soluções rápidas. Para ele, o tema não é uma emergência de curto prazo, mas um “desafio de gerações”.

Cohen continua pagando as contas antes do fim do mundo previsto

Nem Spears nem Cohen estão perdendo o sono com a data do fim do mundo marcada por von Foerster. “Com certeza não estou agindo como se estivesse muito preocupado com isso”, diz Cohen. “Continuo pagando minhas contas. Continuo pagando meus impostos.”

Data do fim do mundo de von Foerster chega em 13 de novembro de 2026

A data do fim do mundo calculada por Heinz von Foerster em 1960 chega em 13 de novembro de 2026, uma sexta-feira 13. A população mundial, de cerca de 8,3 bilhões de pessoas, não cresce no ritmo de quando ele escreveu, e em boa parte do mundo está no caminho de diminuir.

Na sua opinião, a queda nos nascimentos é um problema que os governos precisam resolver, ou é uma escolha que cabe a cada família? Deixe sua opinião nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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