Faça um comentário
4 min de leitura
Clima provocou 43% dos desligamentos em linhas de transmissão no Brasil, e EPE propõe medidas para proteger o fornecimento de energia
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 16/10/2026 às 22:33
Atualizado em 16/10/2026 às 22:35
Energia Renovável
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Estudo divulgado em outubro alerta para os riscos de secas, temporais e ondas de calor sobre o setor elétrico brasileiro e recomenda reforços na infraestrutura e no armazenamento de energia.
As mudanças climáticas representam um desafio crescente para a segurança do fornecimento de eletricidade no Brasil. Segundo estudo publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 14 de outubro de 2026, secas prolongadas, chuvas extremas e temperaturas elevadas podem comprometer diferentes partes do sistema elétrico. Um levantamento utilizado pela instituição aponta que fatores relacionados ao clima responderam por 43% dos desligamentos em linhas de transmissão entre 2014 e 2023. Diante desse cenário, a EPE apresentou um conjunto de estratégias para preparar a infraestrutura energética brasileira.
Secas e temporais ameaçam hidrelétricas e linhas de transmissão
O estudo, chamado Roadmap para Fortalecimento da Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro em Resposta às Mudanças Climáticas, analisa como fenômenos extremos podem afetar a produção, o transporte e o consumo de eletricidade.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Entre os principais riscos estão as secas prolongadas, as chuvas intensas, os ventos extremos e as ondas de calor.
Nas hidrelétricas, por exemplo, a redução das chuvas pode diminuir a disponibilidade de água nos reservatórios. Consequentemente, as usinas podem enfrentar limitações para produzir eletricidade.
Já as linhas de transmissão ficam expostas a tempestades, descargas atmosféricas e outros fenômenos capazes de danificar equipamentos ou interromper o fornecimento.
Segundo levantamento apresentado pela EPE, quatro fatores relacionados ao clima responderam por 43% dos desligamentos registrados nas linhas de transmissão entre 2014 e 2023, com destaque para descargas atmosféricas e queimadas.
Além disso, temperaturas elevadas podem aumentar o consumo de eletricidade, especialmente pelo uso de aparelhos de refrigeração.
Por isso, a instituição considera necessário incorporar os riscos climáticos ao planejamento de novos empreendimentos.
O Brasil também prepara investimentos para ampliar sua infraestrutura. Em reportagem do CPG, Roberta Souza mostrou que a Aneel confirmou um leilão de transmissão com R$ 8,9 bilhões em investimentos e obras previstas em sete estados.
EPE propõe reforçar redes elétricas e ampliar armazenamento de energia
Para reduzir os impactos dos eventos extremos, a EPE organizou seis estratégias complementares de adaptação climática.
As recomendações envolvem melhorias no planejamento, reforço da infraestrutura, aperfeiçoamento das operações e preparação para situações de emergência.
Entre as possibilidades estão o uso de equipamentos mais resistentes, a ampliação das conexões entre diferentes regiões e o desenvolvimento de sistemas de armazenamento.
Além disso, a instituição recomenda considerar projeções climáticas futuras ao definir a localização e as características de novos empreendimentos.
Assim, o planejamento não dependeria exclusivamente dos registros históricos de temperatura, chuva e vento.
O armazenamento também pode contribuir para a segurança energética. Afinal, baterias permitem guardar eletricidade e disponibilizá-la em momentos de maior necessidade.
Entretanto, essa tecnologia não substitui os investimentos necessários para proteger linhas de transmissão e instalações de geração.
Em outra reportagem do CPG, foi apesentado uma pesquisa sobre o uso de rochas subterrâneas para armazenar excedentes de energia solar e eólica, mostrando alternativas que também podem contribuir para a flexibilidade dos sistemas elétricos.
Mudanças climáticas exigem novo planejamento para a energia brasileira
O documento da EPE também destaca a importância de preparar o setor elétrico para responder rapidamente a eventos extremos.
Além de evitar danos, as medidas buscam facilitar a recuperação do sistema após interrupções.
Para isso, a instituição defende maior integração entre estudos climáticos, planejamento energético e decisões sobre infraestrutura.
O trabalho considera diferentes cenários de mudanças climáticas e avalia como os riscos podem evoluir ao longo do tempo.
Além disso, analisa seis áreas do setor: hidreletricidade, geração solar, geração eólica, geração termelétrica, transmissão e demanda de eletricidade.
Esse planejamento ganha importância diante da expansão das fontes renováveis no Brasil.
Em reportagem recente do CPG, foi detalhado um projeto de transmissão de R$ 18,1 bilhões que pretende ampliar o transporte de energia renovável entre regiões brasileiras.
Entretanto, o novo Roadmap da EPE não estabelece obras obrigatórias, investimentos aprovados ou prazos específicos para executar todas as recomendações.
O documento apresenta orientações técnicas para apoiar futuras decisões do setor elétrico.
Assim, a principal mensagem do estudo é que expandir a geração de energia não será suficiente sem preparar a infraestrutura brasileira para os impactos das mudanças climáticas.
Com secas, tempestades e ondas de calor afetando diferentes etapas do fornecimento, o planejamento precisará considerar não apenas a quantidade de eletricidade disponível, mas também a capacidade do sistema de resistir e se recuperar de eventos extremos.
Fonte
Empresa de Pesquisa Energ
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

