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Com 125 metros de aço vindo da Bélgica e dos Estados Unidos, ponte centenária virou rodoferroviária e ainda marca a engenharia de Goiás

Com 125 metros de aço vindo da Bélgica e dos Estados Unidos, ponte centenária virou rodoferroviária e ainda marca a engenharia de Goiás

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Com 125 metros de aço vindo da Bélgica e dos Estados Unidos, ponte centenária virou rodoferroviária e ainda marca a engenharia de Goiás

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 02/10/2026 às 20:38

Construção

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Construída para levar os trilhos sobre o Rio Corumbá, a estrutura foi concluída em 1922, ganhou piso de madeira quatro décadas depois para receber também veículos rodoviários e permaneceu no local após perder a função de transporte para pontes de concreto.

Uma ponte metálica de 125 metros sobre o Rio Corumbá reúne diferentes etapas da história do transporte em Pires do Rio. Erguida para a ferrovia com componentes vindos da Bélgica e dos Estados Unidos, a estrutura foi posteriormente adaptada para permitir também a passagem de veículos.

A Secretaria de Estado da Cultura de Goiás, por meio do Museu Ferroviário de Pires do Rio, registra que a construção começou em 1º de junho de 1921. A obra ficou pronta em 31 de janeiro de 1922.

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O nome da ponte homenageou Epitácio Pessoa, presidente da República durante a execução do projeto. Para colocar a estrutura sobre o Corumbá, os elementos metálicos importados precisaram chegar ao interior goiano e ser montados no trecho em que a ferrovia precisava vencer o rio.

A travessia passou a integrar a infraestrutura ferroviária usada na ligação de Pires do Rio com outros centros. Os trilhos permitiam o transporte de passageiros e mercadorias, inserindo a ponte em uma rede que acompanhou a formação e a expansão do núcleo urbano na região.

Os registros públicos consultados divergem sobre o dia da inauguração. A página do Museu Ferroviário informa 9 de novembro de 1922, enquanto um inventário turístico estadual de Pires do Rio aponta 13 de julho do mesmo ano.

A diferença se limita à data registrada para a cerimônia. As duas fontes situam a ponte em 1922, período em que a implantação da ferrovia também se relacionava à formação de Pires do Rio e à consolidação da ligação ferroviária naquela parte de Goiás.

Assoalho de madeira colocou trens e veículos na mesma ponte

A função da Ponte Epitácio Pessoa mudou cerca de quatro décadas depois. Na década de 1960, a estrutura recebeu um assoalho de madeira e passou a funcionar como ponte rodoferroviária, permitindo que veículos rodoviários utilizassem a mesma travessia originalmente destinada à circulação dos trens.

A intervenção manteve a estrutura metálica e alterou a forma de utilização do tabuleiro. Com o piso instalado, a ponte passou a atender dois modos de transporte no mesmo ponto sobre o Rio Corumbá, sem que fosse necessário substituir naquele momento a obra construída na década de 1920.

Essa configuração prolongou a utilização de uma infraestrutura concebida para uma rede essencialmente ferroviária. O tabuleiro adaptado permitiu incorporar o tráfego rodoviário a uma travessia que já fazia parte da paisagem e da circulação regional havia décadas.

O compartilhamento, porém, não permaneceu como solução definitiva. Com a modernização das ligações locais, duas pontes de concreto foram construídas nas proximidades, e a Epitácio Pessoa acabou desativada, deixando de cumprir a função cotidiana que havia exercido para trens e veículos.

A estrutura metálica permaneceu no local mesmo depois da substituição operacional. Dessa forma, a sequência de mudanças pode ser observada na própria obra: primeiro como passagem ferroviária, depois como travessia compartilhada e, por último, como estrutura desativada ao lado das ligações mais novas.

Obra está ligada à formação de Pires do Rio

A história da ponte também se cruza com a origem do município. O inventário turístico estadual situa a fundação de Pires do Rio em 1922, dentro do contexto de implantação da ferrovia e da infraestrutura necessária para fazer os trilhos avançarem pela região.

O nome da cidade homenageia José Pires do Rio, então ministro da Viação e Obras Públicas. O documento registra que ele esteve na região em 1921 para inspecionar as obras da ponte, enquanto a própria travessia recebeu o nome do presidente Epitácio Pessoa.

As duas denominações preservaram referências a autoridades diferentes ligadas ao período de implantação da infraestrutura ferroviária. Uma ficou associada ao município que se formou junto aos trilhos; a outra, à estrutura metálica destinada a permitir a passagem da ferrovia sobre o Corumbá.

A origem estrangeira dos componentes mostra outra característica da obra. Peças produzidas na Bélgica e nos Estados Unidos tiveram de ser transportadas até o interior de Goiás antes da montagem, em uma época em que executar uma ponte metálica dessa dimensão dependia de uma cadeia logística muito diferente da atual.

A estrutura de 125 metros de extensão acabou atravessando diferentes momentos da mobilidade regional sem ser reconstruída para cada mudança de uso. O principal acréscimo ocorreu com o assoalho de madeira, que permitiu incorporar veículos rodoviários a uma travessia concebida inicialmente para os trilhos.

Depois que as pontes de concreto assumiram o tráfego, a Epitácio Pessoa perdeu sua função operacional, mas continuou fisicamente sobre o Rio Corumbá. O inventário turístico estadual registra ainda que a ponte foi tombada como patrimônio cultural e histórico de Goiás pela Lei estadual nº 12.675, de 1995.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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