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Com 54 amostras de solo, além de teias de aranha, Embrapa testa DNA ambiental para medir a biodiversidade de propriedades da Mata Atlântica em SP

Com 54 amostras de solo, além de teias de aranha, Embrapa testa DNA ambiental para medir a biodiversidade de propriedades da Mata Atlântica em SP

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Com 54 amostras de solo, além de teias de aranha, Embrapa testa DNA ambiental para medir a biodiversidade de propriedades da Mata Atlântica em SP

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 02/10/2026 às 14:46

Atualizado em 02/10/2026 às 14:47

Agronegócio

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Pesquisadoras do projeto eDNA Rural em área de Mata Atlântica, em imagem divulgada com o anúncio da primeira campanha de coleta. Foto: Divulgação/Semear Digital (Embrapa Agricultura Digital)

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O projeto eDNA Rural usa o DNA ambiental deixado por seres vivos para medir a vida silvestre em cinco propriedades de Lagoinha (SP) e prepara novas coletas também em Jacupiranga. Veja como a amostra vira dado e por que ela pode, no futuro, valorizar quem mantém a floresta em pé.

A Embrapa e instituições parceiras estão testando o DNA ambiental, conhecido pela sigla eDNA, em pequenas propriedades da Mata Atlântica. A primeira coleta foi feita em Lagoinha, no interior de São Paulo, e as próximas devem incluir também Jacupiranga.

A técnica lê vestígios genéticos deixados no solo, na água, no ar e até em teias de aranha. Com eles, os pesquisadores querem medir a biodiversidade que cada propriedade guarda.

O passo mais recente foi uma reunião de alinhamento técnico na Embrapa Agricultura Digital. O encontro foi divulgado pelo Semear Digital em 11 de setembro de 2026.

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“Faremos as campanhas de campo nos próximos meses tanto no DAT Lagoinha quanto no DAT Jacupiranga”, disse Poliana Giachetto, coordenadora do projeto eDNA. Ela é pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital e citou também ações de capacitação com produtores rurais nas duas regiões.

Todo ser vivo deixa DNA pelo caminho, e é isso que o DNA ambiental lê

Todo organismo deixa vestígios de DNA por onde passa, por meio de células. Foi assim que Priscilla Villela, fundadora da EcoMol, apresentou a base da técnica na reunião.

Reunião técnica do projeto eDNA na Embrapa Agricultura Digital, divulgada em setembro de 2026. Foto: Valéria Costa/Embrapa Agricultura Digital

A EcoMol é a empresa responsável pelas análises de laboratório do projeto, segundo o Semear Digital.

“O eDNA é o DNA extraído diretamente do ambiente e o iDNA é o DNA obtido de vetores como sanguessugas, mosquitos ou besouros”, afirmou Villela.

Na prática, a equipe não arma armadilhas nem passa horas observando animais. Ela recolhe amostras do próprio ambiente, e o laboratório identifica quais espécies deixaram rastro ali.

“As técnicas tradicionais de monitoramento são muito mais custosas e complexas”, disse a pesquisadora Debora Drucker, da Embrapa Agricultura Digital. Para ela, o DNA ambiental “dispensa capturas e observação direta”.

“Basta recolher amostras de solo, água, sedimento ou teias de aranha”, completou Drucker.

Na reunião, Villela destacou duas vantagens do método. Ele detecta várias espécies de uma vez, inclusive as discretas ou raras, e não é invasivo.

Por que teias de aranha entram na coleta de DNA ambiental

A teia funciona como uma rede que segura o que circula pelo ar. As teias de aranha têm grande capacidade de reter DNA ambiental de diferentes grupos biológicos, de acordo com a Embrapa Agricultura Digital.

Por isso elas foram recolhidas na primeira campanha, ao lado das amostras de solo. Nenhum animal precisa ser pego para que o DNA dele apareça na análise.

Na reunião divulgada em setembro, a lista de materiais incluiu água, solo, ar e teias de aranha. Em nenhum caso é preciso coletar o organismo.

As 54 amostras de solo de Lagoinha e a conta das coletas

A primeira campanha de campo aconteceu entre 23 e 27 de março de 2026. O local foi o Distrito Agrotecnológico (DAT) de Lagoinha (SP), segundo a Embrapa Agricultura Digital.

Foram recolhidas 54 amostras de solo em 18 pontos de cinco propriedades da região. As teias de aranha vieram junto.

A conta a seguir é da redação. As 54 amostras divididas por 18 pontos dão três amostras de solo por ponto de coleta.

Os 18 pontos espalhados por cinco propriedades dão, em média, 3,6 pontos de coleta por propriedade rural.

Jacupiranga, também em São Paulo, deve receber novas campanhas, informou a Embrapa em maio. Em setembro, a coordenação confirmou as coletas nos dois distritos para os próximos meses.

Seis marcadores para separar vertebrados, plantas, fungos e bactérias

O DNA recolhido não sai do laboratório como uma lista pronta de espécies. Para separar os grupos de seres vivos, o projeto vai usar seis marcadores moleculares.

Equipe que testa o DNA ambiental para monitorar a biodiversidade da Mata Atlântica. Foto: Vanessa Suguiyama/C3 Ambiental (divulgação Semear Digital)

Um é para vertebrados em geral e outro é específico para mamíferos. Um terceiro mira os invertebrados, com atenção especial a abelhas e outros polinizadores. Os demais servem para detectar bactérias, fungos e plantas.

A aposta das pesquisadoras é ter uma visão ampla dos serviços ecossistêmicos da vegetação nativa, informou a Embrapa. Entre eles, polinização, ciclagem de nutrientes e saúde do solo.

Mais uma conta da redação. Se cada uma das 54 amostras passar pelos seis marcadores, são 324 leituras de DNA ambiental só na primeira campanha. As teias de aranha ficam fora dessa soma.

Do mato ao laboratório, o caminho de uma amostra de DNA ambiental

Tudo começa dentro da propriedade rural. A escolha da área onde o DNA será coletado conta com a colaboração do agricultor, registra o Semear Digital.

Depois vem o cuidado para não contaminar a amostra, do campo até o laboratório. Qualquer DNA estranho que entre no tubo pode aparecer no resultado como se fosse da floresta.

No laboratório, o DNA é extraído, purificado, amplificado com marcadores específicos e sequenciado. As espécies são identificadas pela comparação com bancos de dados genéticos de referência, explica a Embrapa.

A bolsista Jeniffer Teles detalhou na reunião as técnicas de coleta por tipo de material. Ela também apresentou os principais bancos de referência de eDNA.

Phelipe Toledo, gerente da Illumina, empresa de sequenciamento parceira, falou da precisão. A vantagem, disse, é “trabalhar com a certeza de que você está vendo exatamente o que tem na amostra, a acurácia”.

Por que medir a biodiversidade dentro das pequenas propriedades

Cerca de 53% da vegetação nativa brasileira está em propriedades privadas, de acordo com o Semear Digital. Já a biodiversidade das unidades de conservação é a mais estudada e conhecida.

É nesse vazio, a terra particular com mata, que o projeto atua. O foco são pequenas propriedades e médias.

O Semear Digital é um centro de ciências em agricultura digital coordenado pela Embrapa Agricultura Digital. Lagoinha e Jacupiranga fazem parte dele como Distritos Agrotecnológicos.

Para a Embrapa, o método também pode ajudar a entender o papel dos fragmentos de floresta nas paisagens rurais. A técnica permite identificar e quantificar, de forma padronizada, animais, plantas e microrganismos.

O pagamento a quem preserva a Mata Atlântica ainda é aposta para o futuro

O objetivo é criar métricas de biodiversidade que comprovem o benefício de manter a floresta em pé. A explicação é de Vanessa Suguiyama, pesquisadora da C3 Ambiental, empresa com acordo de cooperação técnica com a Embrapa.

A ideia, disse ela, é valorizar economicamente os produtores que preservam áreas nativas.

Hoje, o mecanismo de remuneração mais conhecido nesse campo é o mercado de carbono. Os padrões de certificação de carbono vêm incorporando métricas de biodiversidade como cobenefícios, informou a Embrapa.

O problema é a escala. Pequenas propriedades e médias podem não ter tamanho para bancar sozinhas um projeto de crédito de carbono, informou a Embrapa.

“A empresa C3 Ambiental trouxe para esse projeto a experiência de reunir pequenos e médios produtores”, disse Debora Drucker. São produtores, segundo ela, que “querem manter a floresta em pé e ser remunerados por isso”.

O que existe por enquanto é a construção das métricas. Elas poderão, no futuro, embasar políticas de pagamento por serviços ambientais, segundo a Embrapa.

“Essas tecnologias tendem a se tornar mais viáveis com o tempo”, afirmou Drucker. Quando isso ocorrer, disse, a técnica “poderá se tornar uma ferramenta de rotina para avaliar a biodiversidade em propriedades rurais”.

Quem está no projeto eDNA Rural da Mata Atlântica

O nome completo do projeto fala em aliar agricultura e biodiversidade em pequenas propriedades rurais da Mata Atlântica com o uso de DNA ambiental. A parceria com a C3 Ambiental faz parte do programa Floresta & Carbono.

A reunião, divulgada em setembro, teve pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital e da Embrapa Meio Ambiente. Também participaram cerca de 20 especialistas de outras instituições.

Entre elas estão a Universidade Federal do ABC, a Esalq/USP e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O Instituto Tecnológico Vale (ITV) também enviou especialistas.

As empresas EcoMol, Illumina e C3 Ambiental explicaram as etapas em que atuam. A EcoMol cuida das análises de laboratório, da padronização das coletas em campo e da capacitação.

O que vem agora em Lagoinha e Jacupiranga

As próximas campanhas de campo vão acontecer nos dois Distritos Agrotecnológicos. Junto com elas, estão previstas ações de capacitação de produtores rurais.

As novas coletas vão dar robustez aos resultados, disse Debora Drucker, especialista em biodiversidade da Embrapa Agricultura Digital.

“Assim, será possível aprimorar a capacidade de monitorar a biodiversidade baseada no uso de eDNA em propriedades rurais na Mata Atlântica”, completou Drucker.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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