Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Com até seis reatores e 6,6 GW, empresa mira obras em 2028 no Kentucky e propõe complexo nuclear que poderá superar a maior usina dos Estados Unidos em capacidade de geração

Com até seis reatores e 6,6 GW, empresa mira obras em 2028 no Kentucky e propõe complexo nuclear que poderá superar a maior usina dos Estados Unidos em capacidade de geração

Faça um comentário

5 min de leitura

Com até seis reatores e 6,6 GW, empresa mira obras em 2028 no Kentucky e propõe complexo nuclear que poderá superar a maior usina dos Estados Unidos em capacidade de geração

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 23/10/2026 às 07:42

Atualizado em 23/10/2026 às 07:45

Energia Nuclear

Grupo

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Prosperity One prevê até seis reatores no Kentucky e uma fase inicial com duas unidades AP1000. A empresa busca licenças para começar as obras em 2028, enquanto estudos definirão o tamanho e a viabilidade do complexo.

Um projeto com até seis reatores nucleares e 6,6 gigawatts de potência foi anunciado para as margens do rio Ohio, no Kentucky, nos Estados Unidos. A The Nuclear Company apresentou o Prosperity One em 21 de outubro e pretende obter as autorizações necessárias para começar a construção em 2028.

O campus ficaria no condado de Lewis, com uma primeira etapa planejada de dois reatores Westinghouse AP1000. A expansão até seis unidades depende dos estudos de viabilidade e do licenciamento. Se integralmente construído, o empreendimento poderá se tornar o maior complexo de geração nuclear do país, segundo a empresa.

Terras compradas e opções de aquisição ampliam a área em Carrs Bottom

O local escolhido é Carrs Bottom, no leste do Kentucky. O empresário Sam Howard comprou 738 acres em julho, por meio da Carrs Land LLC, ligada ao grupo Trace Creek, conforme apuração do jornal Lewis County Herald. A área fica em uma região que já havia recebido planos para uma central a carvão.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Com novas opções de compra, o conjunto de terras próprias ou sob opção passou de 4.200 acres, informa o jornal. Isso equivale a aproximadamente 1.700 hectares. A parcela que será ocupada pelas instalações e pela infraestrutura de apoio será definida durante as avaliações do projeto.

O anúncio também movimenta a preparação das comunidades próximas. O condado de Lewis e os municípios de Vanceburg e Concord aprovaram resoluções de apoio à certificação em um programa estadual de preparação para a energia nuclear. A autorização para construir uma central depende de uma análise federal própria.

AP1000 usa água pressurizada e tem potência elétrica de cerca de 1.100 MW

Os equipamentos previstos são reatores de grande porte. A Westinghouse apresenta o AP1000 como um modelo de água pressurizada, com potência elétrica líquida nominal de 1.110 megawatts por unidade. A proposta apresentada para o Kentucky considera cerca de 1.100 MW por reator.

No reator, a energia liberada pela fissão nuclear aquece a água do circuito primário, mantida sob pressão. O calor passa para outro circuito, que produz o vapor responsável por movimentar a turbina ligada ao gerador. A eletricidade segue então para a rede de transmissão.

Turbina e gerador da unidade 3 de Vogtle, na Geórgia, durante a construção em junho de 2020. Foto: Georgia Power Company.

O fabricante informa que o desenho incorpora sistemas de segurança passivos, capazes de manter funções de resfriamento por pelo menos 72 horas após a perda de alimentação elétrica, sem depender de intervenção do operador nesse período. Gravidade e circulação natural estão entre os princípios usados nessas funções.

A construção utiliza técnicas modulares, com componentes e estruturas preparados para montagem. A fabricante adotou um desenho com menos componentes, cabos e estruturas relacionadas à segurança, buscando simplificar a construção e a manutenção.

Regra publicada em outubro atualiza o desenho dos reatores

O anúncio do Kentucky ocorre uma semana após a publicação de uma regra da Nuclear Regulatory Commission, a NRC, para renovar a certificação do AP1000. O texto saiu no Federal Register em 14 de outubro de 2026 e incorpora a revisão 20 do documento de controle do projeto.

A atualização aproveita alterações aprovadas durante o licenciamento, a construção e a operação das unidades 3 e 4 de Vogtle. Novos empreendedores poderão usar uma referência padronizada que incorpora essa experiência, seguindo as condições estabelecidas pela agência reguladora.

A entrada em vigor está prevista para 28 de dezembro de 2026, sujeita ao procedimento de comentários previsto na norma. A NRC recebe comentários adversos significativos até 13 de novembro e poderá retirar a regra caso eles exijam uma revisão.

A certificação examina o desenho do reator. Para construir em Carrs Bottom, a empresa terá de obter as aprovações específicas do local, com avaliações ambientais, de segurança e de implantação. A NRC esclarece que esses impactos são examinados no processo relativo a cada instalação.

Vogtle já opera a tecnologia e chegou a mais de 9 mil trabalhadores na obra

Na Geórgia, as unidades 3 e 4 de Vogtle já fornecem eletricidade com a tecnologia AP1000. A Georgia Power colocou a unidade 3 em operação comercial em 31 de julho de 2023; a unidade 4 começou em 29 de abril de 2024.

Segundo a companhia, as obras dessas duas unidades chegaram a reunir mais de 9 mil trabalhadores no pico, incluindo engenheiros, soldadores, eletricistas e profissionais de tubulação. A expansão criou ainda 800 empregos permanentes na operação.

Unidades 3 e 4 de Vogtle em construção na Geórgia, em junho de 2020. Foto: Georgia Power Company.

Esses números pertencem a Vogtle. No Kentucky, o orçamento total e uma estimativa específica de postos de trabalho continuam em definição, conforme o Lewis County Herald. O planejamento anunciado pela The Nuclear Company inclui transporte, moradia, uso de água e preparação para emergências nas comunidades que receberiam o empreendimento.

O próximo passo do Prosperity One será investigar o terreno, aprofundar a engenharia e preparar o licenciamento federal, além de planejar a conexão à rede elétrica. Para quem vive perto de uma obra desse porte, qual deveria ser a prioridade: formação de trabalhadores, infraestrutura local ou fornecimento de energia? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

Sair da versão mobile