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Comigo ergue megafábrica de soja de R$ 1,5 bilhão em Goiás, mas uma condição encontrada no subsolo obrigou engenheiros a desenvolver uma solução pouco comum para o complexo industrial

Comigo ergue megafábrica de soja de R$ 1,5 bilhão em Goiás, mas uma condição encontrada no subsolo obrigou engenheiros a desenvolver uma solução pouco comum para o complexo industrial

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Comigo ergue megafábrica de soja de R$ 1,5 bilhão em Goiás, mas uma condição encontrada no subsolo obrigou engenheiros a desenvolver uma solução pouco comum para o complexo industrial

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 26/10/2026 às 14:43

Atualizado em 26/10/2026 às 15:10

Agronegócio

Grupo

A Comigo constrói uma fábrica de soja de mais de R$ 1,5 bilhão em Palmeiras de Goiás, com capacidade de 6 mil toneladas diárias. A obra prevê mais de 300 empregos e processamento total de 11,5 mil toneladas por dia.

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A Comigo constrói uma fábrica de soja de mais de R$ 1,5 bilhão em Palmeiras de Goiás, com capacidade de 6 mil toneladas diárias. A obra prevê mais de 300 empregos e processamento total de 11,5 mil toneladas por dia.

A cooperativa Comigo investe mais de R$ 1,5 bilhão na construção de uma fábrica de soja em Palmeiras de Goiás, projetada para processar 6 mil toneladas por dia. A nova indústria terá capacidade superior à unidade de Rio Verde e poderá gerar mais de 300 empregos diretos quando entrar em operação.

Com as duas instalações funcionando, a capacidade industrial da cooperativa aumentará das atuais 5,5 mil para 11,5 mil toneladas diárias. O complexo ocupa 843 mil metros quadrados e reúne planos de ampliação da armazenagem e uma conexão ferroviária para movimentar grandes volumes de farelo de soja.

Fábrica de 6 mil toneladas por dia superará a capacidade da unidade de Rio Verde

A indústria já instalada em Rio Verde processa 5.500 toneladas de soja por dia. A nova fábrica acrescentará outras 6 mil toneladas, mais que dobrando a capacidade conjunta da cooperativa. Segundo o gerente industrial Josmar Tadeu, a Comigo espera que Palmeiras tenha a maior instalação individual de processamento de soja do Brasil.

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Além do óleo, as linhas industriais produzirão farelo de soja, ingrediente utilizado na fabricação de rações. A projeção é de aproximadamente 4.300 toneladas de farelo diariamente, quantidade que exige armazenagem e sistemas de expedição dimensionados para grandes carregamentos.

Com mais processamento próprio, a Comigo pretende industrializar uma parcela maior dos grãos recebidos dos cooperados, em vez de comercializar toda essa matéria-prima para outros compradores. O óleo e o farelo passarão a concentrar parte adicional do valor gerado pela produção agrícola.

Armazenagem projetada sobe para 450 mil toneladas em atualização de outubro

Em junho, a Comigo apresentava a ampliação da armazenagem em Palmeiras para 270 mil toneladas, equivalentes a 4,5 milhões de sacas. Uma atualização oficial de 9 de outubro passou a indicar 450 mil toneladas, ou 7,5 milhões de sacas, após a conclusão das estruturas previstas.

O projeto reúne novos armazéns, correias transportadoras e linhas de recebimento. Em comunicado de agosto, a cooperativa também informou que pretende elevar a capacidade de secagem da unidade de 300 para 600 toneladas por hora, além de instalar uma linha para grãos já secos.

Vista aérea das obras da nova fábrica de processamento de soja da cooperativa Comigo, em Palmeiras de Goiás (GO). O complexo recebe investimento superior a R$ 1,5 bilhão e terá capacidade para processar 6 mil toneladas de soja por dia. Foto: Comigo/Divulgação.

A ampliação da estocagem permitirá manter reservas próximas da fábrica para abastecer as máquinas ao longo do ano, mesmo com a variação de fluxo entre os períodos de maior colheita e os meses de menor entrega.

Silo de 12 mil toneladas ficou suspenso após engenheiros encontrarem água rasa no terreno

A obra exigiu uma solução diferente para alimentar continuamente as máquinas. O lençol freático próximo da superfície dificultava a abertura de túneis subterrâneos, comuns em sistemas de descarga de grandes armazéns. A equipe da cooperativa desenvolveu um silo elevado conectado às demais estruturas por correias transportadoras.

Com capacidade estática de 12 mil toneladas, o silo poderá armazenar o equivalente a dois dias de processamento da nova fábrica. O diretor industrial Paulo Carneiro explicou que o desenho evita escavações e espaços confinados que seriam necessários em uma instalação tradicional.

Projeto ferroviário prevê 80 vagões e 7,2 mil toneladas por carregamento

Para escoar a produção, o complexo contará com uma pera ferroviária de aproximadamente 3 quilômetros. Conforme os dados divulgados pela própria Comigo, o traçado foi dimensionado para receber composições de até 80 vagões.

Uma operação poderá movimentar cerca de 7.200 toneladas de farelo. O planejamento prevê tempo médio de seis horas para o carregamento e uma composição a cada dois dias, com ligação à Ferrovia Norte-Sul. São capacidades e frequências projetadas para a futura operação, após a conclusão da infraestrutura.

A estrutura ferroviária permitirá retirar grandes volumes de produtos da indústria e reduzir a dependência de longas viagens rodoviárias no escoamento do farelo, especialmente em cargas destinadas a mercados distantes.

Mais de 300 empregos diretos e 700 pessoas impactadas entram nas projeções

O gerente de indústria João Antônio informou que a unidade deverá empregar mais de 300 trabalhadores diretos em áreas operacionais e administrativas. A cooperativa estima que o impacto sobre funcionários, prestadores de serviço e atividades econômicas relacionadas supere 700 pessoas.

Esses postos representam a demanda prevista para a futura operação da fábrica. As atividades industriais envolverão processamento de soja, movimentação de grãos, manutenção, controle operacional e serviços de apoio ao complexo.

Palmeiras aproximará o processamento de produtores de quatro regiões de Goiás

A localização foi escolhida para atender agricultores que hoje estão mais distantes do polo industrial de Rio Verde. O presidente executivo Dourivan Cruvinel citou Paraúna, Indiara, Nova Crixás e Montes Claros de Goiás entre os municípios cujos produtores poderão entregar grãos em uma estrutura mais próxima.

O novo ponto de recebimento poderá encurtar viagens e ampliar o volume de soja que a Comigo transforma dentro da própria cooperativa. A expansão alcançará tanto o processamento industrial quanto a rede de armazenagem e transporte dos associados.

Testes estão previstos para o fim de 2026 e funcionamento pleno para 2027

Dirigentes da cooperativa apontaram o fim de 2026 como período planejado para testes industriais e 2027 para o funcionamento pleno. A entrada em operação depende da conclusão das obras, da instalação dos equipamentos e da integração dos sistemas de armazenagem e transporte.

A expansão também abriu caminho para estudos de uma futura usina própria de biodiesel em Rio Verde, separada do investimento em Palmeiras. O projeto principal permanece concentrado no esmagamento de soja e na produção de óleo e farelo em maior escala.

Com a nova fábrica, a Comigo planeja industrializar praticamente o dobro de soja por dia e criar outra rota de escoamento para o agronegócio goiano. Para você, investimentos desse porte podem aumentar a competitividade dos produtores brasileiros?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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