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Correios recebem garantia do governo para empréstimo de R$ 7 bilhões com quatro bancos privados, operação integra plano de reestruturação da estatal, que acumula 15 trimestres no vermelho
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 28/10/2026 às 10:48
Atualizado em 28/10/2026 às 10:50
Economia
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O governo federal concedeu garantia do Tesouro Nacional para um empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios, oferecido por quatro bancos. A decisão foi publicada após o segundo turno eleitoral. A estatal enfrenta 15 trimestres consecutivos de prejuízo e tenta financiar sua reestruturação prevista até 2027, nos próximos meses.
Os Correios conseguiram uma garantia de R$ 7 bilhões do governo federal para contratar um empréstimo com quatro bancos privados. A medida faz parte do plano de reestruturação da estatal, que acumula 15 trimestres consecutivos de prejuízo e registrou perdas de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026. Com a garantia, o Tesouro Nacional assume o compromisso de pagar as parcelas caso a empresa não consiga cumprir suas obrigações.
A autorização foi formalizada em despacho do ministro da Fazenda, Dario Durigan, publicado no Diário Oficial da União, após o segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro. Segundo reportagem publicada pelo g1, os Correios já haviam confirmado a operação em agosto e esperavam sua concretização em setembro, mas a garantia só foi formalizada depois da votação que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva.
Quatro bancos privados participam do empréstimo de R$ 7 bilhões
O financiamento será realizado por um grupo formado por ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e JP Morgan. As quatro instituições participam do consórcio responsável pela operação destinada aos Correios.
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A garantia concedida pelo governo funciona como uma proteção aos bancos. Se a estatal não conseguir pagar as parcelas previstas, o Tesouro Nacional deverá honrar os compromissos cobertos pela garantia. Isso não significa que o governo já tenha desembolsado os R$ 7 bilhões.
Tesouro Nacional assume risco caso os Correios não paguem
A participação do Tesouro Nacional é um ponto importante da operação porque os Correios atravessam uma crise financeira prolongada. A garantia oferece aos bancos a segurança de que os pagamentos estarão respaldados pelo governo federal.
O empréstimo, porém, continua sendo uma obrigação da estatal. A autorização da garantia não representa perdão das dívidas existentes nem significa que o Tesouro já tenha assumido o pagamento das parcelas.
Empréstimo era esperado para setembro, mas saiu após as eleições
Os Correios já haviam informado sobre o financiamento nas demonstrações financeiras do primeiro semestre de 2026, divulgadas no final de agosto. Portanto, a operação não foi anunciada pela primeira vez depois das eleições.
Em setembro, a empresa comunicou ao g1 que esperava conseguir o empréstimo ainda naquele mês. A previsão não se concretizou, e a formalização da garantia ocorreu somente após o segundo turno presidencial, realizado em 25 de outubro de 2026. A sequência das datas está documentada, mas as informações disponíveis não demonstram que o calendário eleitoral tenha sido a causa do atraso.
Governo também assumiu compromisso de aportar R$ 6 bilhões até 2027
O empréstimo bancário não é a única medida financeira prevista para os Correios. Em setembro, a estatal também confirmou um compromisso firmado com o governo federal para um aporte de R$ 6 bilhões até o final de 2027.
As duas operações têm características diferentes. O financiamento de R$ 7 bilhões envolve bancos privados e uma garantia do Tesouro Nacional. Já os R$ 6 bilhões correspondem ao aporte governamental informado pela empresa, cuja realização está prevista dentro do prazo anunciado.
Correios acumulam 15 trimestres consecutivos de prejuízo
A situação financeira da estatal ajuda a explicar a necessidade de buscar novos recursos. Os Correios completaram 15 trimestres seguidos com resultados negativos, em uma sequência de perdas que pressiona a capacidade de recuperação da empresa.
No primeiro semestre de 2026, o prejuízo acumulado chegou a R$ 5,6 bilhões. O resultado mostra a dimensão das dificuldades enfrentadas pela companhia enquanto tenta reorganizar suas atividades e equilibrar suas contas.
Primeiro trimestre de 2026 teve prejuízo recorde
O início de 2026 foi especialmente difícil para os Correios. A empresa registrou seu maior prejuízo trimestral no primeiro trimestre do ano, ampliando as preocupações com sua situação financeira.
O resultado do segundo trimestre foi menos negativo do que os registrados no primeiro trimestre de 2026 e no último trimestre de 2025. Essa diferença indica uma melhora pontual, mas não significa que a empresa tenha voltado a registrar lucro ou superado a crise.
Estatais federais somaram déficit de R$ 6,51 bilhões em oito meses
As dificuldades dos Correios também aparecem no resultado das empresas estatais federais. Segundo dados do Banco Central, o conjunto dessas empresas acumulou déficit de R$ 6,51 bilhões entre janeiro e agosto de 2026.
O valor ficou próximo do resultado negativo de R$ 6,73 bilhões registrado no ano completo de 2024, considerado o maior déficit anual mencionado no levantamento. Os prejuízos dos Correios contribuíram para esse quadro, embora os resultados da estatal e o déficit calculado pelo Banco Central não sejam medidas contábeis diretamente equivalentes.
Governo autorizou Correios a vender seguros e serviços de telefonia
Além das medidas de financiamento, o governo federal autorizou, em maio de 2026, a ampliação das atividades comerciais dos Correios. A estatal recebeu permissão para atuar na oferta de seguros, títulos de capitalização e serviços de telefonia.
A proposta envolve a realização de convênios com instituições financeiras para disponibilizar esses produtos e serviços. A autorização abre possibilidades comerciais, mas não significa que todas essas operações já estejam funcionando ou produzindo receitas para a empresa.
Plano de reestruturação dos Correios vai de 2025 a 2027
O Ministério da Gestão informou que os Correios executam um plano de reequilíbrio financeiro e reestruturação previsto para o período de 2025 a 2027. A estratégia reúne medidas destinadas a enfrentar as perdas e reorganizar as condições financeiras da estatal.
O empréstimo de R$ 7 bilhões faz parte desse processo. A garantia concedida pelo governo permite que a operação avance com respaldo do Tesouro Nacional, mas não assegura, por si só, que a companhia conseguirá recuperar seus resultados.
Garantia foi formalizada, mas recuperação financeira ainda depende do plano
A publicação do despacho do ministro Dario Durigan representa uma etapa importante para a contratação do financiamento. Os quatro bancos passam a contar com a garantia federal prevista para a operação, enquanto os Correios seguem responsáveis pelo pagamento do empréstimo.
A estatal permanece com prejuízos acumulados e um compromisso de reestruturação até 2027. O próximo desafio será transformar as medidas financeiras e comerciais em melhora efetiva das contas, depois de 15 trimestres consecutivos no vermelho.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

