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COSCO abre rota marítimo-aérea da China a São Paulo: encomenda de loja online pode chegar em cerca de 30 dias, quase 10 a menos que no navio direto, mas o frete ainda não tem preço
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 12/10/2026 às 12:09
Atualizado em 12/10/2026 às 12:10
Logística e Transporte
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A COSCO Shipping Lines abriu uma rota marítimo-aérea de Xangai a São Paulo via Peru. Pela agência estatal Xinhua, a carga da China chega ao Brasil em cerca de 30 dias, mas frete e imposto ficam sem resposta no texto.
Uma remessa de plataformas chinesas de comércio eletrônico saiu de Xangai e cruzou o Pacífico de navio até o Porto de Chancay, no Peru. De lá, seguiu de avião até São Paulo. Assim a COSCO Shipping Lines inaugurou uma rota marítimo-aérea entre China, Peru e Brasil, segundo a agência estatal chinesa Xinhua, em texto de 12 de outubro.
A Xinhua escreve de Pequim, em 12 de outubro de 2026. Diz que o serviço entrou em operação “recentemente” e não cita o dia da primeira remessa. A data do fato é, então, a da publicação: 12/10/2026. Os números de prazo e de carga vêm todos da agência, uma fonte só.
Quanto tempo a rota marítimo-aérea de Xangai a São Paulo economiza?
O prazo total de transporte da China ao Brasil cai para cerca de 30 dias, quase dez a menos que no transporte marítimo convencional, segundo a Xinhua. Na primeira remessa, o transbordo no Porto de Chancay levou 48 horas. Deu tempo de a carga pegar voos cargueiros até São Paulo.
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A carga pode ser acompanhada por uma plataforma digital em todo o trajeto. A encomenda tem um único código de rastreio, diz a agência.
Uma conta com os números da própria Xinhua: o navio entre Xangai e o Peru leva cerca de 23 dias, e o transbordo, 48 horas, o que soma 25 dias.
A rota marítimo-aérea deixa, então, uns cinco dos 30 dias para o voo até São Paulo e para os trâmites no Brasil, se a promessa incluir essa etapa. O texto não mostra como esses dias se dividem.
Como a carga vai de Xangai a São Paulo?
O serviço nasceu da COSCO Shipping Lines, subsidiária da COSCO Shipping Holdings, com a empresa de logística aérea da COSCO Shipping Supply Chain. A Xinhua descreve o Porto de Chancay como centro de conexão. O navio da rota direta Xangai-Chancay descarrega, e a carga troca de navio para avião.
A rota marítimo-aérea busca unir custo menor e entrega ágil para as exportações chinesas de comércio eletrônico com destino ao Brasil. O texto aponta os entraves do setor na América Latina: distância marítima longa, frete caro, infraestrutura desigual e redes de distribuição fragmentadas.
A rota marítima Xangai-Chancay existe desde o fim de 2024. Naquela época, segundo a agência, a viagem entre a China e o Peru caiu de mais de um mês para cerca de 23 dias. O custo de transporte baixou pelo menos 20%.
O que os números da rota Xangai-Chancay mostram em 2026?
A agência traz o balanço dos oito primeiros meses de 2026 do trecho de navio. É nele que o Porto de Chancay agora apoia a rota marítimo-aérea:
Segundo o balanço da Xinhua de 12 de outubro de 2026, dividindo as 141 mil toneladas pelas 170 viagens, saem cerca de 829 toneladas por viagem e perto de 17,6 mil por mês. O valor médio é de aproximadamente US$ 4.270 por tonelada.
Outra conta: o valor cresceu 33,3% e o volume, 13,7%. O valor médio por tonelada subiu, então, cerca de 17%. Isso combina com mercadoria mais cara, como a do comércio eletrônico.
São médias, não retrato de cada viagem. A Xinhua não diz que tipo de carga domina nem o tamanho dos navios.
Por que o Brasil pouco usava o porto peruano até agora?
Em abril de 2025, o Datamar News relatou que o entusiasmo de parte do empresariado brasileiro tinha diminuído. Segundo o veículo, o Porto de Chancay e outros do Pacífico não tinham efeito real nas importações e exportações do Brasil. As causas: frete alto, burocracia aduaneira e a travessia dos Andes, sem estradas e ferrovias suficientes.
Luiz Pedro Bier, presidente da Aprosoja-MT, deu ao Datamar um exemplo em toneladas. O caminhão de nove eixos leva até 55, mas a travessia dos Andes permite só 27 por veículo.
No dia da inauguração do porto, 14 de novembro de 2024, o pesquisador Marco Germanò, da Universidade de Nova York, resumiu o problema à Bloomberg Línea: “É geograficamente complicado”.
A nova rota marítimo-aérea contorna esse gargalo de um jeito simples: o trecho aéreo evita a travessia dos Andes por terra. A contrapartida é o frete aéreo. Ele costuma servir carga leve e de valor alto, como encomenda de loja online, e não soja nem milho. Isso é leitura a partir das duas fontes, não dado da Xinhua.
O que a Xinhua deixou em aberto sobre preço, imposto e data?
Pontos sem resposta no texto da agência:
- o preço do frete e a comparação com o navio direto;
- o dia da primeira remessa e a frequência das próximas;
- o nome da transportadora aérea e o aeroporto de chegada em São Paulo;
- as plataformas de comércio eletrônico que usaram o serviço;
- o imposto de importação sobre a carga.
O relato cita só “especialistas”, sem nomes, e nenhum cliente brasileiro ou autoridade do Brasil ou do Peru. Buscas feitas em 12 de outubro não acharam comunicado da COSCO sobre São Paulo nem confirmação em veículo brasileiro de logística. Só apareceram republicações do texto da Xinhua, como a do Brasil 247 e a de O Maringá.
Para quem compra no comércio eletrônico chinês, o recado é de cautela. Os 30 dias são o prazo total de transporte da carga, segundo a agência. A notícia não promete entrega mais rápida ao consumidor, frete menor nem imposto diferente.
Por ora, a nova rota leva cerca de 30 dias na versão da Xinhua. Só as próximas remessas, com preço e frequência à vista, mostrarão se isso se repete.
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Cosco Shipping
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

