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Criada por engenheiros do ITA, empresa brasileira instala IA capaz de parar máquinas em 9 sondas offshore de empresa formada por Saudi Aramco e Valaris

Criada por engenheiros do ITA, empresa brasileira instala IA capaz de parar máquinas em 9 sondas offshore de empresa formada por Saudi Aramco e Valaris

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Criada por engenheiros do ITA, empresa brasileira instala IA capaz de parar máquinas em 9 sondas offshore de empresa formada por Saudi Aramco e Valaris

Escrito por Ana Alice

Publicado em 14/10/2026 às 23:43

Setor Offshore

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Altave leva IA brasileira a nove sondas offshore da ARO na Arábia Saudita e avança com sistemas capazes de parar máquinas automaticamente. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Altave expande tecnologia brasileira de inteligência artificial para nove sondas offshore na Arábia Saudita, após desenvolver sistemas de visão computacional que monitoram riscos e podem acionar automaticamente a parada de equipamentos em operações industriais.

Uma empresa brasileira criada por engenheiros formados no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) está ampliando sua presença em uma das maiores operações offshore do Oriente Médio.

A Altave fechou um contrato plurianual para implantar sua plataforma de inteligência artificial Harpia na frota própria de nove sondas jack-up da ARO Drilling que operam na Arábia Saudita.

A ARO é uma empresa formada em partes iguais pela Saudi Aramco e pela companhia de perfuração offshore Valaris. O acordo com a Altave foi anunciado em 13 de janeiro de 2026, depois de um projeto-piloto realizado ao longo de 2025, e prevê o uso de inteligência artificial e análise automática de imagens para acompanhar atividades críticas nas sondas.

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A tecnologia analisa imagens de câmeras instaladas nas áreas operacionais e identifica situações como entrada de trabalhadores em zonas de risco e descumprimento de regras relacionadas ao uso de equipamentos de proteção individual.

A plataforma também permite configurar protocolos específicos de segurança e consolidar informações em painéis e relatórios utilizados pelas equipes de operação e HSE.

IA pode avançar do alerta para a parada automática de máquinas

O sistema desenvolvido pela companhia brasileira já avançou para uma etapa adicional de automação.

Em entrevista publicada pela Brasil Energia em setembro de 2026, o CEO da Altave, Bruno Avena, explicou que a empresa desenvolveu aplicações de intertravamento capazes de enviar automaticamente comandos de parada a equipamentos quando a inteligência artificial identifica uma pessoa em rota de colisão ou em uma área crítica.

Plataforma Harpia utiliza inteligência artificial e análise de vídeo para identificar pessoas em zonas de risco e gerar alertas durante operações industriais. Crédito: Altave/Divulgação.

A aplicação de parada automática já conta com dois contratos em execução no Brasil, segundo a empresa.

No contrato saudita das nove sondas, a divulgação oficial detalha principalmente funções de monitoramento por vídeo, controle de acesso a zonas de risco e verificação de EPIs, sem especificar quais unidades receberão o recurso de intertravamento.

O projeto da ARO, porém, utiliza a mesma plataforma Harpia que serve de base para as aplicações avançadas desenvolvidas pela Altave.

Projeto-piloto levou tecnologia brasileira a nove sondas offshore

O contrato com a ARO nasceu de testes realizados em 2025. Segundo as empresas, o piloto apresentou resultados em indicadores relacionados à conformidade de segurança, visibilidade de riscos e governança operacional.

A partir dessa experiência, a companhia saudita decidiu ampliar o uso da tecnologia para toda a sua frota própria de nove jack-ups.

As jack-ups são sondas móveis utilizadas principalmente em águas relativamente rasas. Durante a operação, pernas metálicas são apoiadas no fundo do mar e elevam o casco acima da superfície, criando uma plataforma estável para a perfuração.

Sonda jack-up da ARO Drilling, companhia formada por Saudi Aramco e Valaris que contratou a brasileira Altave para instalar a plataforma de inteligência artificial Harpia em nove unidades offshore. Crédito sugerido: ARO Drilling/Divulgação.

Nesse ambiente, trabalhadores circulam próximos de cargas suspensas, tubulações e equipamentos pesados, tornando o controle de zonas de risco uma parte importante da segurança operacional.

É justamente nesse cenário que a inteligência artificial entra. Em vez de depender apenas da observação humana das câmeras, o software processa continuamente as imagens e procura padrões previamente definidos.

Se alguém entrar em uma área classificada como restrita, por exemplo, o sistema pode reconhecer a situação e emitir um alerta. O Harpia também pode identificar pessoas sem determinado EPI e acompanhar atividades envolvendo cargas suspensas.

A própria Altave descreve a plataforma como um sistema de análise inteligente de vídeo que transforma imagens em alertas automáticos e informações operacionais.

Os dados podem ser consultados posteriormente para verificar frequência de desvios, locais com maior incidência de situações de risco e padrões que exigem mudanças nos procedimentos.

Na versão com intertravamento, a lógica deixa de terminar no alerta. Caso determinados critérios de segurança sejam atingidos, o sistema pode se comunicar com o equipamento e enviar um comando para interromper seu funcionamento.

Essa diferença é relevante porque transforma a inteligência artificial de uma ferramenta de observação em um componente de segurança ativa. A decisão sobre quais situações podem acionar uma parada depende da configuração do sistema e dos protocolos definidos para cada operação.

Empresa nasceu em São José dos Campos com tecnologia de monitoramento

A Altave chegou a essa tecnologia depois de uma trajetória bastante diferente da atual atuação em petróleo e gás.

A empresa nasceu em São José dos Campos, no interior de São Paulo, em 2011, fundada por Bruno Avena de Azevedo e Leonardo Mendes Nogueira.

Os fundadores, formados no ITA, começaram trabalhando com balões cativos, também chamados de aeróstatos, para monitoramento de grandes áreas. A companhia participou de operações de segurança em grandes eventos, incluindo os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Com o passar dos anos, a empresa passou a direcionar parte da experiência acumulada em processamento de imagens para softwares capazes de funcionar com câmeras fixas.

Dessa mudança surgiu o Harpia, que posteriormente ganhou aplicações em setores como petróleo e gás, mineração, energia, portos e defesa.

Segundo a Brasil Energia, a entrada mais estruturada da Altave no setor de óleo e gás ocorreu em 2019. A empresa começou com aplicações relacionadas ao monitoramento de manchas de óleo no mar e avançou para sistemas utilizados em sondas de perfuração.

No mercado offshore brasileiro, uma das aplicações ganhou espaço no acompanhamento das chamadas red zones, áreas onde existe risco associado à movimentação de máquinas, equipamentos ou cargas.

O sistema também passou a verificar automaticamente o uso de EPIs e gerar registros para análise das equipes de segurança.

Contrato com ARO amplia presença da Altave no Oriente Médio

A expansão para a Arábia Saudita representa uma mudança de escala.

A ARO Drilling é uma joint venture 50% controlada pela Saudi Aramco e 50% pela Valaris, criada para possuir e operar sondas de perfuração no mercado saudita.

A relação entre a Altave e a ARO começou com um piloto e avançou para um contrato de vários anos. No anúncio feito em janeiro, a empresa brasileira informou que também fornecerá suporte técnico 24 horas por dia e monitoramento contínuo do funcionamento da solução durante a vigência do acordo.

A presença internacional não está restrita ao projeto saudita. Em setembro, Bruno Avena afirmou à Brasil Energia que a tecnologia da companhia já estava presente em ecossistemas relacionados a 12 operadoras globais.

Ao mesmo tempo, a Altave continua desenvolvendo aplicações para o mercado brasileiro. Além dos dois contratos de intertravamento citados pelo executivo, a companhia afirma ter tecnologias homologadas para uso em sondas e embarcações de apoio e já atuar com sistemas de imagem térmica ligados à preparação para resposta a derramamentos de óleo.

Esse tipo de monitoramento também aparece nas discussões sobre novas operações offshore brasileiras.

A empresa informou que suas ferramentas estão tecnicamente preparadas para possíveis trabalhos associados à Margem Equatorial, embora contratos futuros e o uso efetivo das soluções dependam das empresas responsáveis por cada operação.

O avanço para nove sondas da ARO mostra como uma tecnologia que começou com balões de monitoramento em São José dos Campos passou a integrar operações de perfuração no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do intertravamento automático no Brasil indica a próxima etapa dessa evolução: sistemas de visão computacional que não apenas identificam um risco, mas podem atuar diretamente sobre máquinas quando determinadas condições de segurança são detectadas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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