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CSN fecha acordo para vender por R$ 3 bilhões a siderúrgica alemã que teve o melhor trimestre desde 2022, mas o valor equivale a só 7% da dívida de R$ 42 bilhões

CSN fecha acordo para vender por R$ 3 bilhões a siderúrgica alemã que teve o melhor trimestre desde 2022, mas o valor equivale a só 7% da dívida de R$ 42 bilhões

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CSN fecha acordo para vender por R$ 3 bilhões a siderúrgica alemã que teve o melhor trimestre desde 2022, mas o valor equivale a só 7% da dívida de R$ 42 bilhões

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 11/10/2026 às 14:45

Atualizado em 11/10/2026 às 14:46

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Trabalhador diante de equipamento em brasa na SWT, a siderúrgica que a CSN quer vender na Alemanha. Foto: Divulgação/Stahlwerk Thüringen

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A espanhola Bipadosa, dona da Megasa, assinou um acordo vinculante com exclusividade de até 10 semanas pela Stahlwerk Thüringen. A conta do que isso abate da dívida líquida da CSN é o que as manchetes não fizeram.

A CSN assinou na sexta-feira (9) um acordo vinculante para vender a Stahlwerk Thüringen (SWT), sua siderúrgica alemã, à espanhola Bipadosa, controladora do grupo Megasa. O valor de empresa é de € 550 milhões, cerca de R$ 3 bilhões, sujeito a ajustes.

O negócio ainda não está fechado. Os contratos definitivos e as condições de praxe vêm depois, e o prazo de exclusividade para a Megasa chega a 10 semanas, segundo o Valor Econômico.

Quanto a CSN vai receber pela siderúrgica alemã?

Os € 550 milhões são o chamado valor de empresa, que inclui as dívidas da SWT, informou o Estadão. Por isso, o dinheiro que entra de fato no caixa da CSN não é necessariamente esse. A empresa não disse quanto sobra depois dos ajustes.

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A entrada da SWT leva o logotipo da CSN, dona da usina desde 2012. Foto: Divulgação/Stahlwerk Thüringen

![Placa com os logotipos da CSN e da SWT Stahlwerk Thüringen na entrada da usina](csn-vende-swt-alema-bt11-2.jpg)

A CSN comprou a usina em 2012, por cerca de € 482 milhões, na moeda da época, de acordo com O Globo. A diferença para os € 550 milhões de agora é de € 68 milhões, ou 14%. Não dá para chamar isso de lucro. Os dois números não medem a mesma coisa, e o comunicado não detalha a dívida da SWT.

A compradora é a Bipadosa, que controla a Megasa, grupo de aços longos com fábricas na Espanha, em Portugal e na França.

Quanto o negócio abate da dívida líquida de R$ 42 bilhões?

Pouco. No release do segundo trimestre, divulgado em 12 de agosto, a CSN informou dívida líquida de R$ 42.138,2 milhões em 30 de junho, o que dá 3,49 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses. O mesmo documento mostra R$ 15,4 bilhões em caixa e prejuízo líquido de R$ 773,1 milhões no trimestre, apesar de um Ebitda ajustado de R$ 2,77 bilhões.

A conta é simples: R$ 3 bilhões divididos por R$ 42,1 bilhões dão 0,071, ou 7,1%. Com os R$ 3,1 bilhões que o Estadão calculou, sobe para 7,4%. É valor bruto, antes dos ajustes.

O alvo anunciado em janeiro era bem maior. O Estadão lembra que, com a venda de até 100% da CSN Cimentos e de até 30% da CSN Infraestrutura, a empresa queria reduzir o endividamento em R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões. Perto disso, a SWT representa entre 17% e 20% da meta.

ItemValorOrigemValor de empresa da SWT€ 550 milhões (cerca de R$ 3 bilhões)CSN, via O GloboDívida líquida da CSN em 30/06/2026R$ 42,14 bilhõesRelease 2T26Peso da SWT sobre a dívida7,1% a 7,4%Cálculo próprioMeta de redução da dívida (janeiro)R$ 15 a R$ 18 bilhõesEstadãoPeso da SWT sobre a meta17% a 20%Cálculo próprio

Valores brutos, antes dos ajustes de preço. A conta divide R$ 3 bilhões e R$ 3,1 bilhões por R$ 42,138 bilhões.

Por que a CSN vende a siderúrgica alemã que vai bem?

Essa é a parte curiosa. Segundo o release da CSN, a SWT vendeu 205 mil toneladas no segundo trimestre, o maior volume desde o primeiro trimestre de 2022. A emissora pública alemã MDR diz, citando relatos da imprensa, que foi o melhor resultado trimestral da usina desde 2022.

O Estadão observa que a venda da SWT não era cogitada em público. Em janeiro, a lista de ativos à venda trazia só cimento e infraestrutura. O jornal também conta que nem a venda da CSN Cimentos cumpriu o prazo prometido, o fim do terceiro trimestre.

A própria CSN descreve a SWT como mais um passo do programa de desinvestimentos para equacionar sua estrutura de capital. O BTG avaliou o anúncio como positivo, mas de impacto isolado, porque a dívida continua alta em valores absolutos.

O que se sabe sobre a SWT e a Megasa?

A Stahlwerk Thüringen fica em Unterwellenborn, na Turíngia, e faz perfis de aço para construção civil e pontes. Tem capacidade de 1,1 milhão de toneladas por ano e, de acordo com a MDR, cerca de 750 funcionários. Ela produz a partir de sucata da região e, pelo site oficial, vende para comerciantes de aço em mais de 60 países.

A SWT faz perfis estruturais de aço longo, usados em obras e pontes. Foto: Divulgação/Stahlwerk Thüringen

![Perfis de aço em formato de H empilhados num galpão da SWT](csn-vende-swt-alema-bt11-3.jpg)

A imprensa alemã trata o negócio com cautela. A MDR escreve que ainda não se sabe o que a venda muda para a Stahlwerk Thüringen nem se as autoridades de concorrência terão de aprovar a compra.

O canal oficial da siderúrgica no YouTube tem um vídeo que, pelo título, marca os 30 anos da empresa e os 150 anos do polo industrial de Unterwellenborn:

Assista o vídeo

Não é a primeira vez que a CSN vende uma usina no exterior para respirar. Em 2018, ela se desfez da unidade de Indiana, nos Estados Unidos, por US$ 400 milhões, vendida à Steel Dynamics, lembrou o Estadão.

O que ainda pode mudar até o fechamento?

O comunicado trata o negócio como uma operação potencial. Faltam os documentos definitivos e o cumprimento das condições suspensivas. Se o prazo de dez semanas começou a contar na sexta-feira, a exclusividade da Megasa vai até 18 de dezembro. O texto da CSN não diz de quando o relógio conta, e a empresa prometeu informar o mercado dos próximos passos.

Fica de pé, enquanto isso, a pergunta maior. Com R$ 3 bilhões de um lado e uma dívida líquida de R$ 42 bilhões do outro, a venda da siderúrgica alemã sozinha não resolve. O que a CSN decidir sobre a cimenteira, que atraiu propostas da chinesa Huaxin e da Votorantim com a italiana Cementir, pesa mais.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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