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De câmeras a carros elétricos: marcas chinesas conquistam mercados antes liderados por empresas ocidentais, combinando preços competitivos, inovação rápida e uma estrutura de produção que ajuda a explicar essa virada
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 21/10/2026 às 10:25
Atualizado em 21/10/2026 às 10:40
Ciência e Tecnologia
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Polos industriais como Shenzhen ajudam fabricantes a reduzir custos e acelerar lançamentos. A expansão internacional também enfrenta desconfiança sobre dados e barreiras comerciais.
Marcas chinesas ganharam espaço em setores que tinham empresas ocidentais como principais referências. DJI e Insta360 desafiam a GoPro nas câmeras de ação, enquanto montadoras como BYD e Xpeng integram o avanço da China nos carros elétricos. Nos aspiradores robóticos, fabricantes chinesas também pressionam a americana iRobot, pioneira nesse mercado.
De acordo com a DW, divulgado pelo G1, essa mudança combina preços competitivos, melhoria dos produtos e uma estrutura industrial que permite desenvolver e fabricar com rapidez. Fornecedores integrados, automação e concorrência intensa dentro da própria China ajudam essas empresas a responder às mudanças do mercado.
Para os consumidores, a disputa se traduz em alternativas que competem por desempenho, recursos e preço. Para as fabricantes tradicionais, significa enfrentar concorrentes capazes de aperfeiçoar seus equipamentos e colocá-los à venda em ciclos mais curtos.
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GoPro e iRobot perdem espaço para concorrentes chinesas
Em 2015, a GoPro vendeu cerca de 6,6 milhões de unidades e tinha participação superior a 70% no mercado de câmeras de ação. A marca americana se tornou uma referência para quem queria registrar esportes, viagens e atividades ao ar livre.
A DJI entrou nesse segmento em 2019, seguida pela Insta360 em 2021. As duas passaram a disputar consumidores que antes associavam esse tipo de equipamento quase automaticamente à GoPro.
O motociclista Alexander Hannemann está entre os usuários que fizeram essa troca. Ele passou a usar uma Insta360 e atribui a escolha à qualidade das imagens durante seus passeios, inclusive em acelerações e curvas.
A pressão sobre a GoPro também envolve dificuldades além da concorrência chinesa. A empresa sofreu com apostas malsucedidas em produtos e com a competição dos smartphones, que atendem a parte das necessidades de registro de imagens dos consumidores.
imagem: BYD/divulgação
Nos carros elétricos, a mudança alcançou uma escala maior. Em 2025, o conjunto das montadoras chinesas, incluindo BYD e Xpeng, respondeu por quase dois terços das vendas globais desses veículos, superando concorrentes estabelecidas, como a Tesla.
Algo semelhante ocorre nos aspiradores robóticos. A iRobot, que ajudou a popularizar esses aparelhos, enfrenta dificuldades para competir em um mercado dominado por fabricantes chinesas.
Fornecedores integrados ajudam a produzir mais rápido
Para Chris Pereira, empreendedor canadense cuja consultoria iMpact ajuda empresas chinesas a crescer no exterior, parte da vantagem começa na concorrência doméstica. Cidades como Shenzhen, Hangzhou e Xangai reúnem companhias submetidas a uma disputa intensa por consumidores e oportunidades.
Na avaliação dele, esse ambiente estimula respostas rápidas a problemas e aperfeiçoamentos frequentes dos produtos. A velocidade se combina com cadeias de suprimentos altamente integradas, que articulam fornecedores, componentes e fabricação.
Essa organização facilita a passagem do desenvolvimento para a produção. Uma empresa precisa conseguir fabricar seu equipamento, controlar os custos e colocá-lo à venda enquanto ainda existe espaço para competir.
Automação industrial, uso de inteligência artificial na manufatura e mão de obra relativamente barata também contribuem para essa estrutura. Juntos, esses fatores ajudam a reduzir custos e a encurtar os ciclos de inovação.
A concentração de fornecedores atrai até negócios sediados fora da China. Joey Cheng, fundador da Prolo Ring, dirige uma empresa americana que desenvolve anéis capazes de controlar dispositivos com movimentos dos polegares, mas realiza quase toda a produção em Shenzhen.
Cheng considera a cadeia de suprimentos da cidade decisiva para reduzir despesas e desenvolver produtos rapidamente. Para uma startup, afirma, demorar a chegar ao mercado significa correr o risco de ser ultrapassada pela concorrência.
Preço e qualidade dividem espaço com a preocupação sobre dados
Pereira avalia que fabricantes chinesas passaram a combinar produtos acessíveis com qualidade. Essa combinação ajuda a conquistar consumidores, mas a expansão internacional ainda exige superar dúvidas sobre as empresas e seus equipamentos.
Ele chama esse obstáculo de “prêmio de confiança”. Em sua avaliação, marcas que despertam mais desconfiança precisam oferecer uma combinação ainda mais competitiva de produto e preço para serem escolhidas.
A preocupação aparece especialmente nos aparelhos conectados usados dentro de casa. A blogueira Nadine utiliza câmeras da DJI e da Insta360 durante viagens, mas prefere um aspirador robótico de uma empresa alemã por receio relacionado ao tratamento dos dados.
Ela associa sua escolha à preocupação com o acesso a câmeras e sistemas de áudio. Seu comportamento mostra como a aceitação de uma marca pode variar conforme o tipo de aparelho e o ambiente em que ele será utilizado.
Fabricantes chinesas afirmam cumprir as regras de proteção de dados da União Europeia. Ainda assim, autoridades alemãs apontam limitações na supervisão de possíveis transferências de informações de servidores europeus para outros países.
Para Pereira, estabelecer uma presença física nos mercados estrangeiros pode ajudar a conquistar confiança. A instalação de fábricas fora da China passa, assim, a atender tanto a objetivos comerciais quanto à aproximação com os mercados locais.
Tarifas incentivam produção no exterior e disputa por produtos premium
A expansão chinesa também enfrenta tarifas, restrições e exigências de importação adotadas pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais. Essas medidas alteram as condições de acesso aos mercados e pressionam as empresas a rever suas estratégias.
Pereira prevê dois movimentos: a transferência de mais produção para outros países e uma disputa crescente por consumidores de produtos de maior valor.
O raciocínio é que as tarifas podem diminuir a vantagem de preço dos modelos mais baratos. Nesse cenário, fabricantes chinesas teriam mais incentivo para disputar segmentos premium, nos quais buscam margens maiores e enfrentam marcas ocidentais já estabelecidas.
Essa mudança também aumenta a importância da confiança. Quanto mais diretamente uma empresa disputa compradores com marcas consolidadas, maior é a necessidade de convencer o público sobre a qualidade e a confiabilidade de seus produtos, avalia Pereira.
Para as concorrentes menores, uma alternativa é encontrar necessidades específicas que ainda não estejam bem atendidas. Kaz Merchant, que trabalha em uma companhia britânica de importação e exportação de equipamentos de tecnologia da informação, defende a busca por nichos geográficos e diferenciais de produto.
Outra possibilidade, segundo ele, é formar parcerias com empresas chinesas. A cooperação também aparece entre as opções consideradas por fabricantes da própria China para continuar operando em mercados com restrições.
Um representante da fabricante de robôs Primebot afirmou que a empresa poderia buscar uma parceira americana ou construir uma fábrica nos Estados Unidos. As duas possibilidades estão entre os caminhos considerados para lidar com as barreiras comerciais.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

