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Depois da polpa, o filtro. Estudantes usam caroço de açaí e piaçava em protótipo para melhorar a água

Depois da polpa, o filtro. Estudantes usam caroço de açaí e piaçava em protótipo para melhorar a água

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Depois da polpa, o filtro. Estudantes usam caroço de açaí e piaçava em protótipo para melhorar a água

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 02/10/2026 às 20:48

Atualizado em 02/10/2026 às 21:03

Ciência e Tecnologia

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As camadas do filtro de água criado pelos alunos de Barcelos (AM). Foto: Divulgação/Samsung

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O filtro de água de torneira foi montado por estudantes de uma escola estadual do Amazonas com materiais que sobram na região, e o protótipo ainda aguarda o resultado da análise das amostras de água

O nome oficial é “Biofiltro de Torneira com Biochar de Açaí e Piaçava para Comunidades Amazônicas”. A proposta do filtro de água é usar o que existe no município, onde, segundo a orientadora, o acesso a filtros comerciais pode ser limitado.

Como funciona o filtro de água com caroço de açaí?

O filtro de água é um tubo encaixado na torneira, com camadas de piaçava, areia e biochar de caroço de açaí. A água entra por cima e sai por uma torneira na ponta de baixo.

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Na imagem do protótipo divulgada pela Samsung, o topo tem um disco de piaçava sem revestimento e fibra de piaçava compactada.

Logo abaixo vêm discos de piaçava revestidos com papel filtrante, separando uma camada de areia.

No meio do tubo fica a coluna mais longa, de biochar do caroço de açaí. Embaixo, outra camada de areia aparece entre dois discos de piaçava revestidos.

Biochar é o carvão obtido pela queima controlada de biomassa, com pouco oxigênio. No caso de Barcelos, a biomassa é o caroço de açaí, resíduo comum na região.

A piaçava é a fibra de palmeira usada em vassouras e cordas. No protótipo, ela vira disco de vedação e de retenção entre as camadas.

Por que os alunos de Barcelos criaram o filtro?

O projeto nasceu numa aula de ciências sobre o ciclo da água, contou a professora orientadora Francielly Alves Lourenço.

Os alunos passaram a discutir a água que chega às casas de Barcelos. “A água que chega às residências não passa por qualquer etapa de tratamento”, disse a professora.

Segundo ela, a água muitas vezes tem cheiro e cor incomuns e aspecto turvo. “Estamos em uma região onde o acesso a filtros comerciais pode ser limitado”, afirmou.

Por isso o grupo montou o filtro de água com piaçava, areia e caroço de açaí, materiais já disponíveis no município.

O filtro de água já deixa a água própria para beber?

Não há essa conclusão: o grupo aguarda os resultados das análises das amostras de água, segundo a Samsung.

Enquanto isso, a equipe segue aperfeiçoando o protótipo. A expectativa, de acordo com o comunicado, é que os próximos testes ajudem a validar o funcionamento do filtro de água.

Segundo o comunicado, o objetivo é melhorar as características da água usada pelos moradores. As características citadas pela professora são cheiro, cor incomum e aspecto turvo. Nem a Samsung nem a escola dizem que a água filtrada fica própria para beber.

Quem está por trás do projeto de piaçava e caroço de açaí?

A orientadora é a professora Francielly Alves Lourenço, da Escola Estadual Angelina Palheta Mendes, segundo o Solve for Tomorrow Brasil.

Para ela, o projeto mostrou que a falta de laboratório completo não impede atividade científica. “Um grande desafio enquanto professor é trazer a ciência para a realidade do aluno”, disse.

Lanna Letícia, aluna da 3ª série do ensino médio, faz parte do grupo. “Nosso aprendizado era muito focado no conceito, mas a gente não via, não aplicava nada”, afirmou a estudante.

O que acontece agora com o projeto de Barcelos?

Nesta fase, os 30 semifinalistas recebem mentorias de especialistas e voluntários da Samsung para aprimorar a parte técnica.

Os 10 finalistas saem em 16 de outubro. A votação do Júri Popular abre em 23 de novembro, e os vencedores serão anunciados em 8 de dezembro.

Cada escola semifinalista ganha uma Smart TV, de acordo com a página de premiação do Solve for Tomorrow Brasil. Finalistas recebem notebook para professores e smartphone para cada estudante.

Barcelos não é o único projeto amazônico com açaí na lista. O Euterpe-Aqua, de Parauapebas (PA), trabalha com biomassa do açaí para recuperação hídrica.

Em Manaus, outra escola semifinalista montou uma estufa microbiológica de baixo custo para análise da água. É um tema que se repete: o filtro de água de Barcelos divide a região Norte com projetos sobre qualidade da água. Ao todo, os 30 projetos vêm de 17 estados e das cinco regiões.

O programa está na 13ª edição no Brasil, com coordenação geral do Cenpec. Na América Latina, já alcançou mais de 442 mil alunos e professores em 21 países, segundo a Samsung.

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Solve for Tomorrow.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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