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Depois de uma reflutuação de mais de R$ 8,6 milhões, o navio Professor Besnard, que levou as primeiras equipes do Brasil à Antártida, tem o casco à venda como sucata, e leme, âncoras e motor devem ser separados para um memorial
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 13/10/2026 às 06:30
Atualizado em 13/10/2026 às 06:31
Indústria Naval
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O Instituto do Mar decidiu vender o casco do Professor Besnard, de 49,3 metros, lançado em 1966. Com os números dos dois lados, a reflutuação contratada em Santos supera em quase 29 vezes o que a ONG diz ter gasto em dez anos de manutenção.
O navio Professor Besnard, que levou as primeiras equipes de pesquisa do Brasil à Antártida, deve virar sucata. Segundo reportagem do Jornal da Record de 10 de outubro de 2026, o Instituto do Mar (Imar), dono da embarcação, cansou de esperar uma solução e decidiu vender o casco. A negociação está em andamento.
O que o Instituto do Mar vai vender?
O Professor Besnard está em Santos, no litoral paulista. Os primeiros interessados na compra fizeram uma vistoria, de acordo com a Record, e o resultado pesou: o estado do navio impede que ele vire o museu flutuante previsto no projeto original.
Algumas peças devem ficar de fora da sucata. Leme, âncoras e motor devem ser separados para um memorial, segundo a reportagem de 10 de outubro de 2026. Ainda não há definição sobre o projeto do museu.
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O advogado Fernando Liberalli, fundador da organização, resumiu à Record que sobrou sucatear o que restou para tentar recuperar algum valor do que foi investido no navio.
Quanto custou manter e quanto custa reflutuar o Professor Besnard?
A Record informa que, em dez anos, a organização de Liberalli gastou R$ 300 mil em manutenção do navio. Sem patrocínio, a embarcação se deteriorou.
O socorro veio de outro tamanho de conta. Em 31 de março de 2026, o g1 Santos publicou que a retirada e a reflutuação do navio deviam custar mais de R$ 8,6 milhões. O serviço foi entregue à Marfort Serviços Marítimos, contratada em caráter emergencial pela Autoridade Portuária de Santos (APS).
A conta é simples: 8,6 milhões divididos por 300 mil dão cerca de 28,7. A reflutuação prevista em contrato, portanto, equivale a quase 29 vezes o gasto de manutenção que a ONG declara. Os dois números não são da mesma natureza: um é gasto declarado em dez anos, o outro é valor previsto em contrato em março de 2026.
O contrato da Marfort tem vigência de seis meses, segundo o g1. Ele inclui plano de mergulho, içamento, método de reflutuação, contenção de poluição e docagem da embarcação em estaleiro.
Quem contratou a reflutuação e de quem é o navio?
O navio é de propriedade privada, conforme o g1 de 31 de março de 2026. A APS assumiu a retirada por causa da situação emergencial declarada pela Capitania dos Portos. A reforma, segundo o mesmo texto, caberia ao Instituto do Mar, que buscava parceiros.
O resumo é este: a operação de salvamento foi contratada pela autoridade do porto, e o Instituto do Mar, dono que não conseguiu patrocínio, escolheu vender o casco.
O que a reflutuação deixou no navio?
A Record afirma que o Professor Besnard não corre mais risco de afundar, mas ficou ainda mais danificado depois do processo de reflutuação. A operação veio depois do dia 13 de março de 2026, quando a embarcação afundou parcialmente no cais do Valongo, segundo o g1.
Em 15 de junho de 2026, o Plantão Guarujá noticiou que o navio voltou a flutuar depois de mais de três meses. A APS dizia, então, que a embarcação seguia sob monitoramento técnico de estabilidade e de integridade da estrutura.
Naquela época, uma das possibilidades em estudo era transformar a embarcação em navio-escola, com apoio de empresas do setor portuário. A venda como sucata muda esse rumo.
O que o Professor Besnard fez antes de virar sucata?
Com 49,3 metros de comprimento, o navio foi construído por encomenda do governo paulista e lançado ao mar em 1966, segundo o g1. A embarcação fez mais de 260 viagens para a formação de pesquisadores e passou por mais de 10 mil pontos de coleta para estudos científicos.
Foi o navio que levou as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártida. O g1 registra duas reformas nos anos 1990 e um grande incêndio em 2008, que deixou o Professor Besnard inoperante.
O que acontece com o navio nos próximos dias?
De acordo com a Record, o navio deve ser levado a um estaleiro em até 30 dias, a contar de 10 de outubro de 2026. Uma perícia vai definir o destino da embarcação histórica.
Se o Instituto do Mar fechar a venda do casco, o fim do Professor Besnard em Santos ficará marcado por dois números: R$ 300 mil em manutenção em dez anos e mais de R$ 8,6 milhões previstos para reflutuá-lo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

