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Descoberta de petróleo no pré-sal pode mobilizar até quatro plataformas gigantes e abrir nova frente de produção offshore para a bp no Brasil
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 23/10/2026 às 10:56
Atualizado em 23/10/2026 às 11:02
Setor Offshore
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Descoberta da bp na Bacia de Santos pode receber quatro FPSOs, com capacidade projetada de 590 mil barris diários de líquidos no pré-sal brasileiro.
A descoberta de petróleo e gás feita pela britânica bp no pré-sal brasileiro começou a ganhar novos contornos industriais. Uma análise da consultoria Wood Mackenzie indica que o desenvolvimento do bloco Bumerangue, na Bacia de Santos, poderá exigir até quatro plataformas gigantes de produção, capazes de processar, juntas, 590 mil barris de líquidos por dia. Segundo a Agência iNFRA, em reportagem publicada em 21 de outubro de 2026, o plano estimado envolve uma primeira unidade de produção antecipada e outras três plataformas para as etapas seguintes.
A descoberta, considerada pela bp a maior da companhia em 25 anos, possui estimativa preliminar de 8 bilhões de barris de líquidos originalmente presentes no reservatório. Entretanto, a produção comercial ainda depende de novas perfurações, estudos técnicos e uma decisão definitiva de investimento.
Consultoria projeta quatro plataformas para explorar descoberta da bp na Bacia de Santos
A Wood Mackenzie apresentou uma avaliação sobre como o campo de Bumerangue poderá ser desenvolvido nos próximos anos.
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O estudo considera a utilização de quatro FPSOs, embarcações flutuantes que recebem o petróleo dos poços submarinos, fazem o processamento inicial, armazenam o produto e permitem sua transferência para navios.
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A proposta começa com uma unidade menor, destinada à produção antecipada. Outras três plataformas seriam utilizadas nas etapas seguintes.
Primeira plataforma teria capacidade para produzir 50 mil barris de líquidos por dia
A etapa inicial prevista pela consultoria considera um FPSO com capacidade de processamento de 50 mil barris diários de líquidos.
O equipamento também seria preparado para processar aproximadamente 4 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
Uma unidade de produção antecipada permite observar o comportamento do reservatório durante a extração real de petróleo e gás.
Os dados obtidos ajudam a avaliar a pressão dos poços, o comportamento dos fluidos e as condições necessárias para ampliar a operação.
Entretanto, a bp ainda não anunciou a aprovação dessa primeira plataforma nem apresentou um cronograma definitivo para sua instalação.
Outras três unidades poderiam elevar capacidade conjunta a 590 mil barris diários
Se o desenvolvimento avançar, a Wood Mackenzie considera a possibilidade de instalar outras três plataformas.
Cada uma teria capacidade para processar aproximadamente 180 mil barris de líquidos por dia, além de 12 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.
Somadas à primeira unidade, as quatro plataformas alcançariam capacidade projetada de 590 mil barris diários de líquidos. A capacidade nominal de processamento de gás poderia chegar a 40 milhões de metros cúbicos por dia.
Descoberta de 8 bilhões de barris ainda precisa comprovar quanto petróleo pode ser extraído
O tamanho estimado de Bumerangue despertou interesse da indústria internacional. A bp calcula que o reservatório possa conter aproximadamente 8 bilhões de barris de líquidos originalmente presentes nas formações geológicas.
Esse volume inclui petróleo e condensado, um líquido associado ao gás natural. A estimativa, porém, não significa que todos esses barris poderão ser recuperados.
Uma parte dos hidrocarbonetos permanece presa nas rochas mesmo depois da exploração. Outra parcela pode apresentar dificuldades técnicas ou custos elevados de extração.
Primeiro poço atravessou mais de 5,8 mil metros e encontrou petróleo no pré-sal
A descoberta começou a tomar forma em 2025, quando a bp perfurou o poço exploratório 1-BP-13-SPS. A operação ocorreu em uma região onde a profundidade da água chega a aproximadamente 2.372 metros.
O poço alcançou 5.855 metros de profundidade total, atravessando formações geológicas até encontrar os reservatórios. A área está localizada a cerca de 353 quilômetros da costa de Santos, no litoral paulista.
Os primeiros resultados indicaram a presença de hidrocarbonetos em rochas carbonáticas do pré-sal, formações que também armazenam petróleo em outros campos brasileiros. A extensão identificada pelos estudos ultrapassa 300 quilômetros quadrados.
Reservatório apresenta coluna de hidrocarbonetos com aproximadamente mil metros
Os estudos realizados depois da descoberta identificaram uma coluna de hidrocarbonetos com aproximadamente mil metros de altura.
Desse total, cerca de 100 metros correspondem a uma coluna de petróleo. Outros 900 metros estão associados a gás rico em líquidos, incluindo condensado.
A análise dessas camadas permite avaliar como os diferentes fluidos estão distribuídos nas rochas. Também ajuda os engenheiros a escolher os locais de perfuração dos próximos poços.
A quantidade de petróleo e gás que poderá circular até a superfície ainda depende de testes de produção e da avaliação da qualidade dos reservatórios.
Dióxido de carbono encontrado no reservatório cria desafio para equipamentos submarinos
Além do petróleo e do gás, os primeiros estudos identificaram concentrações elevadas de dióxido de carbono, conhecido como CO₂. Esse gás pode estar naturalmente presente nos reservatórios petrolíferos.
Sua presença exige cuidados porque influencia o processamento dos fluidos e a escolha dos materiais utilizados nos equipamentos industriais.
A bp precisará avaliar como separar e administrar o CO₂ durante uma eventual produção comercial. A analista Glauce Santos, da Wood Mackenzie, explicou à Agência iNFRA que os próximos poços também ajudarão a verificar se a concentração desse gás é semelhante em diferentes partes do reservatório.
bp pretende aproveitar experiência brasileira para desenvolver reservatórios complexos
Durante a feira ROG.e 2026, realizada no Rio de Janeiro, a bp apresentou Bumerangue como uma das principais oportunidades de crescimento de suas operações no Brasil.
O vice-presidente-executivo de Exploração e Produção, Gordon Birrell, afirmou que a companhia pretende aproveitar a experiência desenvolvida pela indústria brasileira no pré-sal.
O país já possui conhecimento na operação de campos marítimos que apresentam CO₂ associado ao petróleo.
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Essa experiência envolve sistemas de processamento, equipamentos submarinos e tecnologias utilizadas em condições de alta pressão.
A bp considera que os conhecimentos acumulados no Brasil poderão contribuir para superar parte dos desafios técnicos de Bumerangue.
Halliburton já recebeu contrato para nova campanha de avaliação do campo
Enquanto as projeções sobre plataformas avançam, a bp iniciou preparativos concretos para conhecer melhor a descoberta.
Em 25 de agosto de 2026, a Halliburton anunciou que recebeu um contrato para fornecer serviços integrados de perfuração e avaliação de Bumerangue.
O trabalho inclui tecnologias digitais, automação e acompanhamento remoto das operações. Os sistemas deverão ajudar os engenheiros a coletar informações sobre os reservatórios e acompanhar o comportamento das perfurações.
O contrato representa uma etapa efetivamente contratada. Ele não inclui, por si só, a instalação das quatro plataformas projetadas pela Wood Mackenzie.
Novos poços deverão determinar se descoberta pode receber investimento de grande porte
A bp pretende realizar uma campanha de avaliação com novas perfurações, prevista para começar entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Em maio, a companhia informou que trabalhava com um programa de avaliação de três poços, com conclusão planejada para o primeiro semestre de 2027. Essas perfurações são conhecidas como poços de delimitação.
Elas ajudam a determinar a extensão do reservatório, a qualidade das rochas e a capacidade dos fluidos de se movimentar pelo subsolo.
Os resultados serão decisivos para definir o tamanho adequado das instalações industriais. Somente depois de reunir informações suficientes a petroleira poderá avançar nas decisões sobre produção comercial.
Quatro plataformas poderiam abrir oportunidades para estaleiros e fornecedores offshore
Caso a projeção de desenvolvimento seja confirmada, Bumerangue poderá exigir uma extensa estrutura industrial.
A instalação de quatro FPSOs envolveria sistemas de processamento, equipamentos submarinos, tubulações e serviços de engenharia.
Também seriam necessárias embarcações de apoio, operações de instalação e equipes especializadas para trabalhar em alto-mar.
Empresas brasileiras poderiam disputar parte dessas encomendas, dependendo das condições de contratação e das exigências técnicas.
Entretanto, ainda não foram divulgados valores definitivos de investimento, quantidade de empregos ou contratos de construção naval associados às quatro unidades.
O próximo movimento ocorrerá no fundo do mar, com a perfuração dos poços de avaliação.
A bp já confirmou uma descoberta de grande porte, enquanto a Wood Mackenzie projeta até quatro plataformas para seu desenvolvimento.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

