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Desde 1º de outubro, carne bovina brasileira que ultrapassar a cota de 1,106 milhão de toneladas na China passa a enfrentar sobretaxa de 55%, encarecendo os embarques ao principal destino do produto
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 03/10/2026 às 13:40
Economia
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Brasil consumiu integralmente sua cota de carne bovina no mercado chinês em 2026 e agora enfrenta uma tarifa adicional que eleva a tributação total para 67%, enquanto o governo tenta negociar espaço extra com Pequim
A carne bovina brasileira entrou em uma nova fase no seu principal mercado externo. Depois de atingir o limite de 1,106 milhão de toneladas estabelecido pela China para 2026, novos volumes enviados pelo Brasil passaram a enfrentar, desde 1º de outubro, uma sobretaxa de 55%.
O impacto é maior do que o número isolado pode sugerir. Dentro da cota, a carne brasileira entra no mercado chinês pagando uma tarifa regular de 12%. Quando o limite anual é ultrapassado, os 55% são acrescentados a essa alíquota, levando a tributação total a 67%.
Segundo o InfoMoney, com informações da Agência O Globo, representantes do setor avaliam que esse patamar praticamente inviabiliza economicamente novos embarques para a China, justamente o mercado mais importante para as exportações brasileiras de carne bovina.
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China confirmou que Brasil chegou a 100% da cota em 29 de setembro
O esgotamento do limite já vinha sendo acompanhado havia meses.
Em julho, o Ministério do Comércio da China informou que as importações de carne bovina brasileira haviam alcançado 80% da quantidade prevista. Em 10 de agosto, o percentual já estava em 90%.
A confirmação definitiva veio no fim de setembro.
O órgão de defesa comercial do Ministério do Comércio chinês informou que, em 29 de setembro de 2026, o volume de carne bovina importado do Brasil atingiu 100% da quantidade estabelecida para o país.
Pelas regras da salvaguarda, a tarifa adicional de 55% começou a ser aplicada à meia-noite de 1º de outubro.
É justamente aí que está o ponto mais sensível para o setor brasileiro: o problema não é uma proibição formal da carne produzida no país. Os embarques podem continuar. O obstáculo é econômico.
Uma carga que antes estava submetida à tarifa de 12% passa a enfrentar uma carga tarifária total de 67% depois de ultrapassada a cota.
Sobretaxa pode retirar competitividade da carne brasileira na China
Na prática, a diferença tributária altera profundamente a conta de frigoríficos, exportadores e compradores chineses.
O InfoMoney destaca que a tributação adicional deixa a carne brasileira significativamente mais cara no mercado asiático e reduz sua competitividade. A avaliação dentro do setor é de que a tarifa pode tornar comercialmente inviáveis muitos dos embarques acima da cota.
A possibilidade de o teto ser atingido já havia provocado reação antes mesmo do esgotamento oficial.
Desde julho, frigoríficos brasileiros vinham reduzindo o ritmo dos embarques destinados à China na tentativa de administrar o volume restante da cota e evitar que grandes quantidades de carne fossem submetidas à tarifa adicional. Segundo a reportagem, algumas empresas chegaram a adotar férias coletivas nesse processo.
Esse detalhe ajuda a dimensionar o alcance da medida. Uma regra alfandegária aplicada nos portos chineses começa a produzir efeitos muito antes de uma carga chegar à Ásia, influenciando planejamento industrial, abates, produção, estoques e decisões comerciais dentro do Brasil.
Por que a China criou uma cota para a carne importada
O mecanismo faz parte de uma salvaguarda chinesa sobre as importações de carne bovina.
A medida não atinge exclusivamente o Brasil. A China definiu limites específicos para diferentes grandes fornecedores internacionais com o objetivo de controlar o crescimento das importações e proteger sua própria cadeia pecuária.
O Brasil, por sua relevância no abastecimento chinês, recebeu uma das maiores cotas.
Para 2026, o limite brasileiro foi estabelecido em 1,106 milhão de toneladas.
Dentro desse volume, permanece a tarifa regular. O problema começa justamente quando o fluxo comercial ultrapassa o teto determinado por Pequim.
A diferença transforma uma cota aparentemente técnica em uma barreira comercial bastante concreta.
Governo brasileiro tenta conseguir uma cota adicional
O próximo capítulo agora será diplomático.
Segundo técnicos do Ministério da Agricultura citados pelo InfoMoney, o governo brasileiro pretende intensificar as negociações com Pequim para tentar obter uma cota adicional ainda em 2026.
Esse movimento será especialmente relevante porque ainda restam três meses de comércio até o encerramento do ano.
Sem uma ampliação do limite, empresas brasileiras terão de decidir entre embarcar carne pagando a tarifa adicional, reduzir as vendas para a China ou procurar outros destinos para parte da produção.
Para 2027, há algum alívio previsto no próprio mecanismo. A cota destinada ao Brasil sobe para 1,128 milhão de toneladas, ante 1,106 milhão em 2026.
O sistema de cotas deverá permanecer em vigor até 2028.
A discussão, portanto, vai além de uma tarifa aplicada durante alguns meses. Para o Brasil, que construiu na China seu principal mercado para a carne bovina exportada, a capacidade de negociar os próximos limites pode determinar quanto do crescimento das vendas ao país asiático continuará sendo economicamente viável nos próximos anos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

