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Disputa por energia para data centers coloca gás natural no centro do debate e mobiliza 32 entidades por incentivos no Brasil
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 16/10/2026 às 23:28
Atualizado em 16/10/2026 às 23:31
Energia Renovável
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Setores de tecnologia, energia e indústria cobram decreto para colocar programa de incentivos em funcionamento. Divergências sobre fontes energéticas e equipamentos ainda dificultam a regulamentação.
Uma coalizão de 32 entidades empresariais, com apoio de nove frentes parlamentares, cobra do governo federal a regulamentação imediata do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). Segundo reportagem do Capital Digital, publicada em 15 de outubro de 2026, os representantes dos setores de energia, tecnologia, infraestrutura e indústria enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo defende a publicação do decreto mesmo diante de divergências técnicas sobre as condições do programa.
Empresas querem acelerar incentivos para data centers no Brasil
O Redata surgiu para estimular investimentos em infraestrutura digital, especialmente em instalações utilizadas para inteligência artificial, computação em nuvem e armazenamento de dados.
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O governo sancionou a Lei nº 15.504 em 15 de setembro de 2026, criando o regime especial de tributação. Entretanto, sua operacionalização depende de regras complementares.
Por isso, as entidades defendem que o Executivo publique inicialmente as condições essenciais do programa. Depois, questões mais complexas poderiam passar por regulamentações específicas e consultas públicas.
Segundo os representantes empresariais, a indefinição dificulta o planejamento financeiro de novos empreendimentos e reduz a previsibilidade para investidores.
Além disso, os data centers exigem grandes quantidades de eletricidade para manter servidores, sistemas de refrigeração e equipamentos de processamento em funcionamento.
Gás natural está no centro das divergências sobre energia
Um dos principais pontos de discussão envolve as fontes energéticas aceitas para atender às exigências do Redata.
As entidades defendem a chamada neutralidade tecnológica, permitindo que os empreendimentos utilizem diferentes alternativas de fornecimento.
A lista apresentada pelo grupo inclui energia solar, eólica, hidrelétrica, biomassa, biogás, biometano, energia nuclear e gás natural.
O argumento é que os data centers precisam de eletricidade contínua, inclusive durante períodos de baixa geração solar ou eólica.
Entretanto, a inclusão do gás natural provoca discussões sobre os critérios de sustentabilidade. Embora possa oferecer geração firme, o combustível fóssil produz emissões de gases de efeito estufa.
Segundo reportagem da CNN Brasil, publicada em setembro, representantes do setor de gás demonstraram preocupação com a possibilidade de exclusão dessa fonte dos incentivos.
Além disso, a coalizão afirma que os custos adicionais de geração e transmissão associados aos novos data centers não devem ser transferidos aos demais consumidores.
O debate ocorre enquanto o gás natural atrai investimentos no país. Em matéria do CPG, foi apresentado um projeto de quatro termelétricas na Bahia, com investimento estimado em R$ 900 milhões.
Equipamentos e impostos também dificultam a regulamentação
Além da energia, as entidades questionam possíveis restrições à relação de equipamentos beneficiados pelos incentivos tributários.
Embora apoiem o desenvolvimento da indústria nacional, argumentam que uma lista excessivamente limitada pode dificultar a aquisição de componentes necessários aos projetos.
Outro pedido envolve o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O grupo quer que o governo federal discuta com os estados, no âmbito do Confaz, um tratamento tributário compatível com o Redata.
Essas questões ganham importância porque grandes centros de processamento dependem de infraestrutura elétrica, sistemas de refrigeração e equipamentos especializados.
Em outra reportagem do CPG, detalhou-se um projeto que combina energia solar e 380 MWh de baterias para atender à demanda energética de data centers.
Por enquanto, a carta representa uma reivindicação dos setores empresariais, não uma decisão do governo. Também não há confirmação, na reportagem original, de uma data definitiva para a publicação do decreto.
Assim, o impasse do Redata evidencia um desafio para o Brasil: atrair investimentos em inteligência artificial e infraestrutura digital sem deixar de considerar os custos da eletricidade, a segurança do abastecimento e as metas ambientais.
Fonte
Capital Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

