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Doença sem cura atinge 48% das laranjeiras em São Paulo e Minas Gerais, compromete até 82% dos pomares em algumas regiões e obriga produtores a reconsiderar novos investimentos na citricultura

Doença sem cura atinge 48% das laranjeiras em São Paulo e Minas Gerais, compromete até 82% dos pomares em algumas regiões e obriga produtores a reconsiderar novos investimentos na citricultura

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Doença sem cura atinge 48% das laranjeiras em São Paulo e Minas Gerais, compromete até 82% dos pomares em algumas regiões e obriga produtores a reconsiderar novos investimentos na citricultura

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 30/10/2026 às 00:01

Atualizado em 30/10/2026 às 00:05

Agronegócio

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Greening atinge 48,08% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2026, enquanto regiões como Limeira registram incidência superior a 82%.

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Levantamento do Fundecitrus mostra que o greening teve o menor avanço em nove anos, mas os danos nas árvores infectadas continuam aumentando. Custos de produção mais altos e queda no preço da laranja pressionam a rentabilidade dos produtores.

O greening, doença dos citros que não tem cura disponível, já atinge 48,08% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro. Em regiões como Limeira, a incidência alcança 82,10%, colocando em risco a produtividade e influenciando decisões sobre a renovação dos pomares.

Os números fazem parte do levantamento de 2026 do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), divulgado em agosto e analisado em reportagem do Portal do Agronegócio, publicada em 28 de outubro.

Apesar da elevada contaminação, houve uma desaceleração. A incidência passou de 47,63% em 2025 para 48,08% em 2026, crescimento de apenas 0,45 ponto percentual, o menor dos últimos nove anos.

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Greening avança menos, mas aumenta os danos nas laranjeiras

O principal problema está na gravidade da doença entre as plantas que permanecem no campo.

A severidade média passou de 22,7% para 27%, enquanto nos pomares em produção subiu de 25,9% para 31%. A proporção de árvores com mais da metade da copa comprometida também aumentou, passando de 22,5% para 28,5%.

Conhecido cientificamente como Huanglongbing (HLB), o greening é uma doença bacteriana transmitida principalmente pelo inseto Diaphorina citri, popularmente chamado de psilídeo.

A infecção compromete o desenvolvimento das árvores, prejudica a qualidade dos frutos e provoca a queda prematura das laranjas.

Segundo o pesquisador Renato Bassanezi, do Fundecitrus, a desaceleração da contaminação não significa recuperação das plantas já infectadas.

Limeira tem 82% das laranjeiras afetadas pela doença

O levantamento mostra grandes diferenças entre as regiões produtoras.

RegiãoLaranjeiras com greeningLimeira (SP)82,10%Porto Ferreira (SP)72,43%Avaré (SP)69,50%Brotas (SP)68,10%Votuporanga (SP)4,63%Triângulo Mineiro0,31%

Fonte: Fundecitrus, levantamento de doenças dos citros de 2026.

A diferença influencia diretamente o planejamento dos produtores. Regiões com maior pressão sanitária exigem investimentos mais intensos em manejo e apresentam riscos maiores para a implantação de novos pomares.

Custos de produção sobem enquanto preço da laranja cai

O impacto econômico também preocupa.

Um estudo do Cepea/Esalq-USP mostrou que o custo total de um modelo representativo de produção de laranja de sequeiro no centro-sul paulista aumentou de R$ 42,7 mil por hectare na temporada 2025/26 para R$ 46,8 mil em 2026/27, alta aproximada de 9,6%.

Enquanto isso, a laranja pera destinada à indústria registrou preço médio de R$ 27,59 por caixa de 40,8 quilos entre 19 e 23 de outubro, queda de 11,4% em relação ao início de setembro.

Os riscos sanitários também estão mudando o destino dos investimentos. Na temporada 2025/26, foram erradicados 12.504 hectares de pomares, enquanto 17.821 hectares receberam novos plantios.

Do total de novas áreas, 45% foram implantadas em regiões consideradas de menor risco para a doença.

Para os citricultores, o desafio deixou de ser apenas produzir mais laranjas. Agora, a escolha da região, o controle do inseto transmissor e o custo de renovação das árvores tornaram-se fatores decisivos para a viabilidade econômica dos pomares.

O Fundecitrus recomenda manter o controle rigoroso do psilídeo e eliminar as plantas doentes, enquanto novas pesquisas procuram desenvolver alternativas mais eficazes contra o greening.

Fontes: Fundecitrus — Levantamento de doenças dos citros 2026 e Portal do Agronegócio — 28/10/2026.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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