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Dona da Brastemp e Consul recebe autorização para fabricar cooktops por indução em Manaus e prevê cerca de 10 mil unidades no primeiro ano
Escrito por Ana Alice
Publicado em 27/10/2026 às 23:01
Atualizado em 27/10/2026 às 23:05
Indústria
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O novo projeto industrial da Whirlpool em Manaus envolve investimentos, metas de produção e a fabricação de eletrodomésticos por indução. A autorização federal estabelece condições para a implantação da linha no Polo Industrial da capital amazonense.
A Whirlpool, fabricante das marcas Brastemp e Consul, recebeu autorização para produzir fogões por indução no Polo Industrial de Manaus (PIM), no Amazonas.
A medida permite que a companhia acrescente uma nova linha de eletrodomésticos às atividades de sua fábrica na capital amazonense.
A autorização foi formalizada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), por meio da Portaria nº 2.781, assinada em 7 de outubro de 2026 e publicada no Diário Oficial da União em 9 de outubro.
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O documento aprova a diversificação industrial da empresa e prevê a aplicação dos incentivos fiscais estabelecidos para a Zona Franca de Manaus.
O projeto prevê investimento de R$ 4,97 milhões e fabricação de 9,6 mil unidades no primeiro ano de operação, número próximo de 10 mil equipamentos. A estimativa também inclui a criação de 18 postos de trabalho, entre diretos e indiretos, conforme informações divulgadas pela Revista PIM Amazônia em maio de 2026.
Embora o documento federal utilize a classificação de fogão por indução, a direção da fábrica já havia informado que a produção seria voltada a cooktops, aparelhos instalados em bancadas e sem forno integrado.
A aprovação não significa, porém, que os equipamentos já estejam sendo fabricados. A portaria autoriza o projeto industrial, enquanto o início efetivo da produção depende da execução do planejamento da empresa.
Whirlpool prevê investimento de quase R$ 5 milhões e produção de 9,6 mil unidades em Manaus
O projeto de fabricação dos cooktops começou a avançar antes da autorização federal. Em 1º de abril de 2026, a Whirlpool obteve aprovação para receber incentivos estaduais durante a 319ª reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), realizada em Manaus.
Na ocasião, a proposta já contemplava os R$ 4,97 milhões em investimentos, a previsão de 9,6 mil unidades no primeiro ano e a geração de 18 empregos diretos e indiretos.
Além do volume inicial, o planejamento apresentado pela fabricante considera a produção de outras 23,5 mil unidades ao longo dos dois anos seguintes.
Somadas, as estimativas representam 33,1 mil equipamentos nos três primeiros anos de operação da linha, desde que as metas previstas no projeto sejam cumpridas. Esses números são projeções industriais, não volumes de fabricação já realizados.
O projeto faz parte da diversificação das atividades da Whirlpool na capital amazonense. A companhia já possui uma estrutura industrial na cidade e pretende utilizar essa operação para acrescentar uma nova categoria de eletrodomésticos à produção local.
Em reportagem publicada pelo Jornal O Polo, o diretor-executivo da unidade, Luciano Garcia, foi identificado como responsável pela informação de que os novos equipamentos seriam cooktops por indução.
A empresa ainda não divulgou quais modelos específicos serão fabricados em Manaus. Portanto, não há confirmação de que as versões disponíveis atualmente nas lojas brasileiras sejam exatamente aquelas que sairão da unidade amazonense.
Também não foi identificado um cronograma atualizado de início da fabricação após a publicação da autorização federal, em outubro.
Autorização da Suframa permite ampliar a produção industrial com incentivos fiscais
A Portaria nº 2.781 classifica o projeto da Whirlpool como uma iniciativa de diversificação industrial. Isso significa que a fabricante está autorizada a adicionar um novo produto às suas atividades na Zona Franca de Manaus, em vez de necessariamente construir outra fábrica.
O documento foi assinado pelo superintendente da Suframa, Leopoldo Augusto Melo Montenegro Júnior, e identifica o produto autorizado como “fogão por indução”, código Suframa 2294.
A autorização permite o enquadramento da fabricação nos benefícios fiscais previstos na legislação da Zona Franca de Manaus.
Entre as medidas está a possibilidade de redução do Imposto de Importação sobre matérias-primas, componentes e outros insumos estrangeiros empregados na produção, conforme os critérios legais aplicáveis.
Esses benefícios, entretanto, dependem do atendimento de exigências estabelecidas pelo governo federal.
Uma delas é o cumprimento do Processo Produtivo Básico (PPB), definido pela Portaria Interministerial MDIC/MCTI nº 135, de 3 de setembro de 2025. O mecanismo estabelece requisitos industriais que precisam ser observados na fabricação incentivada.
A Whirlpool também deverá cumprir as normas ambientais, manter seu cadastro regularizado junto à Suframa e respeitar os limites e demais condições aplicáveis à importação de insumos utilizados no processo produtivo.
O descumprimento das exigências pode resultar na suspensão ou no cancelamento dos incentivos concedidos. Essas condições constam da portaria federal que autorizou o projeto industrial.
Fábrica da Whirlpool já produz micro-ondas, ar-condicionado e lava-louças no Amazonas
A produção de cooktops por indução será incorporada a uma operação que já fabrica outros eletrodomésticos em Manaus.
Segundo informações do site institucional da Whirlpool, a unidade amazonense concentra a fabricação de micro-ondas, aparelhos de ar-condicionado e máquinas de lavar louças.
A empresa também informa que Manaus abriga sua única fábrica de lava-louças no Brasil, enquanto outras unidades industriais estão localizadas em Joinville, em Santa Catarina, e Rio Claro, no interior de São Paulo.
A planta de Rio Claro concentra a produção de fogões, fornos e outros equipamentos de cocção. Com a autorização concedida pela Suframa, a Whirlpool passa a ter condições de fabricar também equipamentos por indução na unidade do Amazonas.
A tecnologia já faz parte do catálogo da fabricante no mercado brasileiro. A Brastemp comercializa cooktops de indução com duas e quatro áreas de aquecimento, incluindo versões com controles digitais, temporizadores e diferentes configurações de potência.
Um dos equipamentos oferecidos pela marca é o modelo de quatro bocas com Flexizone, recurso que permite combinar áreas de aquecimento para acomodar panelas de diferentes tamanhos. A própria Brastemp apresenta o produto em seu catálogo oficial.
Isso significa que a novidade anunciada para Manaus não é a chegada inédita da tecnologia ao mercado brasileiro, mas a autorização para incorporar sua fabricação à estrutura industrial da Whirlpool no Amazonas.
Como funcionam os cooktops por indução que poderão ser fabricados no Polo Industrial de Manaus
Diferentemente dos fogões convencionais a gás, os cooktops por indução não utilizam chamas para aquecer os alimentos.
O funcionamento depende de bobinas instaladas abaixo da superfície do equipamento. Quando acionadas, elas produzem um campo magnético variável que induz correntes elétricas no fundo de panelas compatíveis, provocando o aquecimento do recipiente.
Nesse sistema, a geração de calor ocorre principalmente na própria panela, sem a necessidade de aquecer uma resistência elétrica convencional.
A tecnologia também apresenta exigências específicas de uso. Os recipientes precisam ter fundo compatível com indução, como os fabricados em ferro fundido ou determinados tipos de aço inoxidável.
Panelas de vidro, cerâmica ou alumínio puro, sem base adequada, não funcionam diretamente nesses equipamentos. Além disso, a instalação elétrica deve atender às exigências de potência e tensão estabelecidas pelo fabricante.
Nos modelos comercializados atualmente pela Brastemp, por exemplo, há opções com alimentação de 220 volts e recursos como desligamento automático e trava de segurança.
Essas características ajudam a explicar as diferenças de funcionamento em relação aos equipamentos tradicionais, mas não permitem antecipar quais recursos estarão presentes nos futuros cooktops produzidos em Manaus.
A autorização publicada em outubro de 2026 também não informa preços, nomes comerciais ou a data de chegada dos aparelhos fabricados no Amazonas às lojas.
Por enquanto, o projeto mantém como referência os investimentos de R$ 4,97 milhões e a estimativa de 9,6 mil unidades no primeiro ano. A execução dessas metas dependerá do início da fabricação e do andamento da nova linha industrial da Whirlpool.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

