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Egito garante financiamento de US$ 566 milhões para erguer usina solar de 1,2 GW com bateria de 600 MWh capaz de guardar eletricidade para depois do pôr do sol e surpreende outros países
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 20/10/2026 às 15:49
Atualizado em 20/10/2026 às 15:50
Energia Renovável
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Egito garante US$ 566 milhões para usina solar de 1,2 GW com bateria de 600 MWh, projetada para atender cerca de 1,4 milhão de casas.
O Egito acaba de garantir um pacote de financiamento de até US$ 566 milhões para transformar uma área de Minya em um dos maiores complexos solares do continente africano. Segundo o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, o EBRD, o projeto Nefer Minya combinará 1,2 GWp de painéis fotovoltaicos com uma bateria de 600 MWh, capaz de armazenar eletricidade produzida durante o dia e devolvê-la à rede quando a geração solar cair depois do pôr do sol. O banco afirma que, quando concluída, a instalação deverá se tornar a maior usina solar do Egito e da África.
A escala vai além dos painéis. O empreendimento terá contrato de venda de energia por 25 anos com a Egyptian Electricity Transmission Company, prevê abastecer o equivalente a aproximadamente 1,4 milhão de residências e poderá evitar cerca de 1,5 milhão a 1,6 milhão de toneladas de emissões de CO₂ por ano, de acordo com informações divulgadas pelos financiadores e desenvolvedores.
Pacote de dívida chega a US$ 566 milhões
O anúncio feito em 20 de outubro representa uma das etapas financeiras mais importantes do projeto. O financiamento total de dívida chegará a US$ 566 milhões. Desse valor, o EBRD está organizando até US$ 265 milhões.
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A estrutura inclui US$ 160 milhões dos próprios recursos do banco, US$ 75 milhões mobilizados junto ao Bank of Jordan e até US$ 30 milhões em financiamento concessional do Clean Technology Fund.
Outras instituições também participarão do pacote, incluindo a alemã DEG, o banco holandês FMO e a francesa Proparco.
Isso não significa que US$ 566 milhões correspondam necessariamente ao custo completo da usina. O valor anunciado agora representa o pacote agregado de financiamento por dívida destinado à construção e operação do empreendimento.
Usina terá 1,2 GWp em painéis solares
O Nefer Minya será instalado na região de Minya, no Egito. A Infinity Power informa capacidade fotovoltaica de 1.200 MWp, ou 1,2 GWp. O termo MWp representa a potência máxima dos módulos solares em condições padronizadas.
Documentos anteriores do EBRD também descrevem o projeto como uma instalação de aproximadamente 1.000 MW em corrente alternada.
As duas informações não são contraditórias. Uma usina solar pode possuir capacidade maior nos módulos em corrente contínua e uma potência menor na saída efetivamente entregue à rede depois de inversores e demais equipamentos.
Por isso, o empreendimento aparece em diferentes documentos como 1,2 GWp de capacidade fotovoltaica e aproximadamente 1 GWac de exportação.
Bateria de 600 MWh muda a forma como a usina entregará energia
A bateria é uma das partes mais importantes do projeto. O sistema terá capacidade de armazenamento de 600 MWh. Segundo a Infinity Power, ele foi projetado para fornecer aproximadamente duas horas de deslocamento de energia para a rede egípcia.
Na prática, parte da eletricidade produzida quando o sol estiver forte poderá ser armazenada em vez de ser enviada imediatamente ao sistema.
Quando o fim da tarde chegar e a produção dos painéis começar a despencar, a bateria poderá descarregar parte da energia acumulada.
É justamente nesse horário que sistemas elétricos com grande quantidade de energia solar enfrentam um dos maiores desafios: a geração desaparece rapidamente enquanto o consumo pode continuar elevado.
Eletricidade produzida durante o dia poderá ser usada depois do pôr do sol
Sem armazenamento, uma usina fotovoltaica depende diretamente da presença de luz solar. Ao meio-dia, milhares ou milhões de painéis podem produzir enormes quantidades de eletricidade. À noite, praticamente toda essa geração desaparece.
A bateria cria uma ponte entre esses dois momentos. O EBRD afirma que o sistema armazenará eletricidade solar durante o dia para utilização durante os períodos de maior demanda depois do pôr do sol.
Isso também pode reduzir oscilações bruscas na rede e ajudar o operador a equilibrar geração e consumo.
O resultado é uma usina renovável mais flexível do que uma instalação solar convencional sem armazenamento.
Cerca de 1,4 milhão de residências poderão ser atendidas
A Infinity Power estima que a produção anual do projeto será suficiente para atender o equivalente ao consumo de aproximadamente 1,4 milhão de residências.
A eletricidade será entregue ao sistema egípcio e se misturará à geração proveniente de outras fontes. Ainda assim, a comparação mostra a escala de uma instalação de 1,2 GWp.
Uma única usina terá potência superior à de muitos parques solares construídos em diferentes etapas durante anos.
Contrato de energia terá duração de 25 anos
A produção não chegará ao mercado sem comprador definido. O projeto possui um contrato de compra de energia, conhecido como PPA, com duração de 25 anos junto à Egyptian Electricity Transmission Company.
Esse tipo de contrato é decisivo para conseguir financiamento. Bancos que emprestam centenas de milhões de dólares precisam saber de onde virá a receita usada para pagar a dívida.
Um contrato de longo prazo estabelece as condições para venda da eletricidade durante décadas e reduz parte do risco comercial do empreendimento.
O EBRD afirma ainda que a energia renovável será fornecida por um custo inferior ao da geração convencional considerada na estrutura do projeto.
Infinity Power e Hassan Allam comandam o empreendimento
O projeto será desenvolvido pela Nefer Menya for Renewable Energy, sociedade criada especificamente para construir e operar a instalação.
Documentos do EBRD apontam participação de 51% da Infinity Power Holding e 49% da HAU Energy, ligada à Hassan Allam Utilities. A Infinity Power, por sua vez, é uma joint venture entre a empresa egípcia Infinity e a Masdar, dos Emirados Árabes Unidos.
A companhia possui atualmente aproximadamente 1,3 GW de projetos renováveis em operação e pretende alcançar 10 GW de capacidade operacional na África até 2032. Nefer Minya representa, portanto, uma peça importante dessa expansão.
Projeto pode evitar até 1,6 milhão de toneladas de CO₂ por ano
A Infinity Power calcula que a usina poderá evitar aproximadamente 1,6 milhão de toneladas de CO₂ por ano.
Documentos anteriores do EBRD trabalhavam com uma estimativa superior a 1,2 milhão de toneladas, enquanto materiais mais recentes relacionados à configuração de 1,2 GWp apontam valor perto de 1,5 milhão a 1,6 milhão de toneladas anuais.
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As estimativas dependem de fatores como produção anual efetiva e quais fontes de geração serão deslocadas pela eletricidade solar.
O objetivo econômico também é importante para o Egito. O país utiliza gás natural em grande escala para produzir eletricidade e, em períodos de menor oferta doméstica, precisa recorrer a importações de GNL.
Cada megawatt-hora renovável produzido localmente pode reduzir a necessidade de utilizar combustível térmico para gerar a mesma eletricidade.
Armazenamento virou peça central da expansão solar egípcia
Nefer Minya faz parte de uma onda muito maior. O Egito começou a planejar diversos projetos de baterias de grande escala justamente porque pretende adicionar milhares de megawatts de geração solar e eólica.
Quanto maior a participação das renováveis variáveis, maior fica a necessidade de flexibilidade no sistema.
Baterias podem absorver excedentes, reduzir desperdícios e devolver energia rapidamente quando a rede necessita. Esse modelo começa a transformar grandes projetos solares.
Em vez de construir apenas painéis e uma subestação, novos empreendimentos já nascem com centenas de megawatts-hora de armazenamento integrados.
Uma usina solar começa a funcionar como reserva para a noite
A grande transformação do Nefer Minya está na combinação dos dois números principais. De um lado estarão 1,2 GWp de painéis capturando a radiação intensa do deserto egípcio.
Do outro, 600 MWh de baterias esperando para armazenar parte dessa produção. Durante o dia, a usina enviará eletricidade para a rede e carregará o sistema de armazenamento. Quando a produção solar cair, a bateria poderá continuar entregando energia por um período adicional.
O projeto não transforma energia solar em geração contínua durante 24 horas. Uma bateria de 600 MWh possui capacidade limitada e precisa ser recarregada. Mas muda completamente a maneira como parte da eletricidade produzida pode ser utilizada.
É essa integração entre geração e armazenamento que coloca Nefer Minya entre os projetos mais importantes da nova fase das renováveis africanas.
Com financiamento de até US$ 566 milhões assegurado, 1,2 GWp de capacidade solar, bateria de 600 MWh e contrato de venda de energia por 25 anos, o Egito prepara uma instalação capaz de continuar entregando parte da energia do sol mesmo depois que o próprio sol desaparecer no horizonte.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

