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Embrapa investiga touros com fertilidade superior e aposta em edição gênica para criar bovinos mais tolerantes ao calor, enquanto novas tecnologias prometem transformar a reprodução do gado brasileiro

Embrapa investiga touros com fertilidade superior e aposta em edição gênica para criar bovinos mais tolerantes ao calor, enquanto novas tecnologias prometem transformar a reprodução do gado brasileiro

Embrapa investiga touros com fertilidade superior e aposta em edição gênica para criar bovinos mais tolerantes ao calor, enquanto novas tecnologias prometem transformar a reprodução do gado brasileiro

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 27/10/2026 às 22:45

Atualizado em 27/10/2026 às 22:50

Agronegócio

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Embrapa apresenta pesquisas sobre fertilidade superior de touros, produção de embriões e edição gênica para aumentar a tolerância de bovinos ao calor.

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Pesquisadores brasileiros identificaram diferenças de fertilidade entre touros já aprovados para inseminação e conseguiram produzir cinco bovinos por meio de procedimentos experimentais com edição gênica, dos quais dois apresentaram pelagem associada à maior tolerância ao calor.

A Embrapa está desenvolvendo novas tecnologias para melhorar a reprodução do gado brasileiro, combinando pesquisas sobre touros com fertilidade superior, aperfeiçoamento da inseminação artificial, produção de embriões em laboratório e edição gênica para aumentar a tolerância dos animais às altas temperaturas.

Os avanços foram apresentados no primeiro Simpósio Internacional de Reprodução e Fertilidade em Gado de Corte (SIMFertCorte), realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, nos dias 15 e 16 de outubro de 2026.

Segundo reportagem publicada pela Embrapa Gado de Corte em 20 de outubro, os estudos procuram resolver problemas que afetam diretamente a produtividade da pecuária, como diferenças no desempenho de reprodutores, falhas na concepção e dificuldades de adaptação dos animais ao calor.

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Um dos resultados apresentados chama atenção: cientistas utilizaram edição gênica para produzir bovinos com uma característica de pelagem naturalmente associada à maior capacidade de dissipar calor.

O experimento resultou no nascimento de cinco animais, sendo que dois apresentaram a característica desejada.

Em outra frente, pesquisadores demonstraram que touros comercializados por centrais de inseminação podem apresentar diferenças relevantes nas taxas de concepção, mesmo quando todos atendem aos critérios convencionais de qualidade do sêmen.

As descobertas apontam possibilidades para melhorar o desempenho dos rebanhos, mas estão em diferentes estágios científicos. A edição gênica, por exemplo, permanece em fase experimental.

Touros aprovados pelas centrais de inseminação podem apresentar diferenças importantes de fertilidade

Uma das pesquisas apresentadas no evento procura identificar reprodutores que conseguem alcançar taxas de concepção superiores às de outros animais utilizados em programas de inseminação artificial.

O trabalho foi apresentado pelo pesquisador Roberto Torres Jr., da Embrapa Gado de Corte, durante uma palestra sobre estratégias de identificação da fertilidade de touros empregados na inseminação artificial em tempo fixo (IATF).

A questão investigada envolve uma limitação dos procedimentos tradicionais de avaliação.

Mesmo depois de aprovados nos critérios de qualidade utilizados pelas centrais de inseminação, diferentes touros podem apresentar resultados reprodutivos distintos.

Isso significa que dois animais considerados aptos para a comercialização de sêmen não necessariamente terão a mesma probabilidade de produzir uma gestação.

Segundo a Embrapa, os pesquisadores procuram aprimorar modelos estatísticos capazes de identificar essa diferença e separar o efeito da fertilidade do reprodutor de outros fatores que interferem no resultado.

O objetivo é oferecer informações mais confiáveis para a seleção de touros.

Na prática, a identificação de um reprodutor com fertilidade consistentemente superior pode representar uma vantagem econômica para propriedades que utilizam inseminação artificial.

A reprodução é uma etapa decisiva da pecuária de corte. Aumentar a proporção de fêmeas que ficam gestantes dentro de uma estação reprodutiva pode contribuir para melhorar o aproveitamento do rebanho e o planejamento da produção.

A pesquisa, entretanto, não apresenta uma taxa única de ganho que possa ser atribuída a todos os animais.

Proteínas presentes no sêmen podem ajudar a identificar quais touros apresentam melhor desempenho

Outra linha de investigação busca compreender por que touros com características seminais semelhantes podem apresentar desempenhos diferentes.

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), liderados pelo professor Arlindo Moura, estudam a composição molecular dos espermatozoides e do plasma seminal.

O plasma seminal é a fração líquida do sêmen, contendo proteínas e outras substâncias que participam da manutenção e do funcionamento das células reprodutivas.

Entre as moléculas investigadas estão proteínas da família BSP e a osteopontina, também conhecida pela sigla OPN.

Segundo a Embrapa, estudos identificaram associações entre determinadas proteínas e indicadores favoráveis de fertilidade.

Essas substâncias podem funcionar como marcadores moleculares, auxiliando na avaliação de reprodutores destinados à inseminação artificial e à produção de embriões.

A aplicação, contudo, depende de validação.

Uma proteína associada a melhores resultados em determinado grupo de animais não necessariamente terá o mesmo comportamento em todos os rebanhos.

As condições experimentais, a composição genética da população e os métodos de análise podem influenciar os resultados.

Por isso, a proposta é aperfeiçoar os exames convencionais, e não substituí-los imediatamente por um teste molecular único.

Inseminação artificial em tempo fixo pode exigir menos trabalho sem comprometer resultados reprodutivos

A eficiência dos programas de inseminação também foi discutida durante o SIMFertCorte.

O pesquisador Luiz Francisco Pfeifer, da Embrapa Rondônia, apresentou estratégias para aprimorar os protocolos de inseminação artificial em tempo fixo utilizados em sistemas de cria.

A IATF permite programar a inseminação das fêmeas conforme protocolos hormonais e de manejo, reduzindo a dependência da observação individual do cio.

O aperfeiçoamento desses procedimentos busca tornar as atividades mais práticas e eficientes, especialmente em propriedades com grande quantidade de animais.

Segundo a Embrapa, as pesquisas procuram reduzir a demanda de trabalho, simplificar procedimentos e preservar os resultados reprodutivos.

Para o produtor, a importância está na relação entre o custo do manejo e o número de gestações obtidas.

Um procedimento mais rápido não representa necessariamente maior eficiência se provocar redução nas taxas de concepção.

Por esse motivo, os estudos consideram simultaneamente os resultados biológicos, o bem-estar animal e as condições econômicas das propriedades.

Embriões produzidos em laboratório passam por pesquisas para aumentar a chance de gerar bezerros saudáveis

A produção in vitro de embriões constitui outra frente de desenvolvimento tecnológico apresentada no simpósio.

O processo envolve a obtenção de ovócitos, sua fecundação em condições laboratoriais e o cultivo dos embriões antes da transferência para fêmeas receptoras.

O desafio não está apenas em produzir mais embriões.

Pesquisadores também procuram identificar quais apresentam melhores condições de desenvolvimento e maior potencial para estabelecer uma gestação.

Segundo a Embrapa, os estudos incluem o aprimoramento da qualidade dos ovócitos e embriões e o desenvolvimento de métodos de seleção mais precisos.

A avaliação da competência embrionária é importante porque nem todos os embriões produzidos em laboratório possuem a mesma capacidade de continuar seu desenvolvimento.

Essa diferença pode influenciar os resultados dos programas de reprodução assistida.

A melhoria dos métodos de seleção poderá ajudar a utilizar os recursos laboratoriais e os animais receptores de maneira mais eficiente.

O objetivo científico é aumentar a qualidade dos embriões selecionados e sua capacidade de resultar no nascimento de bezerros saudáveis, sem pressupor que todos os procedimentos produzirão gestações bem-sucedidas.

Edição gênica produz cinco bovinos e dois apresentam pelagem associada à maior tolerância ao calor

Entre as pesquisas apresentadas, uma das mais avançadas em termos experimentais envolve a utilização da tecnologia CRISPR-Cas9 para modificar características genéticas relacionadas à pelagem bovina.

O trabalho é desenvolvido pelo pesquisador Luís Sérgio Camargo, da Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais.

A equipe investiga alterações no gene responsável pela codificação do receptor da prolactina, associadas ao fenótipo conhecido como slick.

Essa característica é marcada por pelos curtos, lisos e brilhantes e ocorre naturalmente em determinados grupos genéticos de bovinos adaptados a ambientes quentes.

A pesquisa busca reproduzir essa característica por meio de edição gênica.

Para isso, os cientistas combinaram fecundação in vitro, edição de zigotos e transferência de embriões para fêmeas receptoras.

O procedimento resultou no nascimento de cinco bovinos.

Dois desses animais apresentaram o fenótipo de pelagem curta associado à maior capacidade de dissipação de calor.

Em avaliações realizadas durante o verão na Zona da Mata mineira, os animais com pelagem curta apresentaram menor elevação da temperatura corporal e menor aumento da frequência respiratória quando comparados aos animais de pelagem mais longa.

Esses resultados indicam uma resposta fisiológica favorável às condições de calor estudadas.

A descoberta ainda não significa que uma nova linhagem de bovinos geneticamente editados esteja disponível comercialmente.

A pesquisa permanece experimental, e a equipe pretende ampliar o número de animais avaliados e investigar a transmissão das alterações genéticas às gerações seguintes.

Calor pode comprometer o desempenho da pecuária, mas genética não substitui manejo adequado

A tolerância às altas temperaturas é uma característica importante para a produção bovina em regiões tropicais.

Quando submetidos a condições de estresse térmico, os animais podem apresentar alterações fisiológicas e comportamentais que afetam seu bem-estar e desempenho.

A capacidade de dissipar calor torna-se especialmente relevante em sistemas produtivos sujeitos a períodos prolongados de temperaturas elevadas.

A investigação da Embrapa procura desenvolver uma alternativa genética que possa contribuir para melhorar a adaptação dos animais.

Existe, porém, uma distinção importante entre identificar uma característica favorável em um experimento e comprovar benefícios produtivos em rebanhos comerciais.

Os cinco animais nascidos na pesquisa representam um avanço experimental, não uma demonstração de desempenho em larga escala.

A avaliação de possíveis benefícios econômicos depende de estudos adicionais que considerem reprodução, saúde, produtividade e comportamento da característica nas gerações seguintes.

O manejo também continua sendo fundamental.

Disponibilidade de água, sombra, condições de alojamento e alimentação adequada permanecem essenciais para reduzir os efeitos do calor sobre os bovinos.

A edição gênica pode ampliar as possibilidades de melhoramento animal, mas não elimina a necessidade dessas medidas.

Próximas pesquisas vão avaliar transmissão genética e eficiência dos reprodutores

Os trabalhos apresentados no SIMFertCorte apontam diferentes caminhos para melhorar a produtividade da pecuária brasileira.

Na identificação de touros com fertilidade superior, o próximo desafio envolve aprimorar modelos capazes de avaliar o desempenho reprodutivo com confiabilidade.

Nos estudos de proteínas seminais, será necessário validar marcadores moleculares e determinar sua utilidade na seleção de animais.

A produção in vitro de embriões continua buscando melhores critérios para identificar aqueles com maior potencial de desenvolvimento.

Já a pesquisa com edição gênica terá como etapas futuras a ampliação das avaliações e a investigação da transmissão das alterações genéticas às gerações seguintes.

O conjunto dessas iniciativas demonstra que o melhoramento da reprodução bovina não depende de uma única tecnologia.

O resultado econômico para a pecuária poderá surgir da combinação entre seleção de reprodutores, manejo adequado, técnicas laboratoriais e características genéticas favoráveis.

A Embrapa apresentou resultados concretos, especialmente no experimento de edição gênica, mas a aplicação comercial das tecnologias investigadas dependerá da continuidade das pesquisas e de sua validação em condições mais amplas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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