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Emirados Árabes apostam US$ 13,5 bilhões no Brasil para transformar biomassa em diesel renovável e combustível de aviação, em projeto da Mubadala que prevê cinco biorrefinarias e capacidade combinada de 100 mil barris por dia

Emirados Árabes apostam US$ 13,5 bilhões no Brasil para transformar biomassa em diesel renovável e combustível de aviação, em projeto da Mubadala que prevê cinco biorrefinarias e capacidade combinada de 100 mil barris por dia

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Emirados Árabes apostam US$ 13,5 bilhões no Brasil para transformar biomassa em diesel renovável e combustível de aviação, em projeto da Mubadala que prevê cinco biorrefinarias e capacidade combinada de 100 mil barris por dia

Escrito por Carla Teles

Publicado em 15/10/2026 às 11:39

Atualizado em 15/10/2026 às 11:40

Biocombustíveis Renováveis

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Emirados Árabes avançam em biocombustíveis no Brasil com Mubadala Capital, biorrefinaria na Bahia e produção prevista de SAF.

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Os Emirados Árabes anunciaram cinco módulos de biorrefinaria com capacidade combinada de 100 mil barris por dia; em 2026, a primeira unidade avançou na Bahia com operação prevista para 2029.

Os Emirados Árabes colocaram o Brasil no centro de um plano de longo prazo da Mubadala Capital para ampliar a produção de biocombustíveis, com investimento originalmente estimado em cerca de US$ 13,5 bilhões. Anunciada em 2024, a estratégia previa cinco módulos de biorrefinaria, cada um com capacidade de 20 mil barris por dia, destinados à produção de diesel renovável e combustível sustentável de aviação, o SAF.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, o plano seria conduzido pela Acelen, empresa de energia ligada à Mubadala Capital. Dois anos depois, porém, o estágio concreto do projeto é mais específico: a primeira biorrefinaria está em desenvolvimento na Bahia, recebeu estrutura de financiamento em 2026 e tem início de operação previsto para 2029.

Plano original dos Emirados Árabes previa cinco biorrefinarias

O anúncio feito em maio de 2024 projetava aproximadamente US$ 13,5 bilhões em investimentos no setor brasileiro de biocombustíveis ao longo de uma década. A proposta previa cinco módulos, com investimento estimado então em US$ 2,7 bilhões por unidade.

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Cada planta teria capacidade de aproximadamente 20 mil barris por dia. Caso todos os cinco módulos previstos originalmente fossem implantados, a capacidade combinada alcançaria 100 mil barris diários.

A iniciativa foi apresentada dentro da estratégia dos Emirados Árabes de ampliar investimentos ligados à transição energética no Brasil. A Mubadala Capital já possuía presença no país e colocou sua subsidiária Acelen no centro do projeto de combustíveis renováveis.

O plano também incluía outros setores da economia brasileira, como infraestrutura de transportes, educação e mercado financeiro. Naquele momento, a plataforma brasileira da Mubadala administrava mais de US$ 7,3 bilhões em ativos.

Primeira biorrefinaria avança com investimento de US$ 1,5 bilhão

Em 2026, a Acelen Renováveis avançou de forma concreta com a primeira unidade. Em maio, a empresa anunciou uma estrutura de aproximadamente US$ 1,5 bilhão para iniciar a construção de uma biorrefinaria na Bahia, apoiada por instituições financeiras nacionais e internacionais.

O BNDES aprovou R$ 503,04 milhões para o empreendimento em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano. O banco informa investimento total estimado em cerca de R$ 7 bilhões nessa unidade e capacidade para processar até 20 mil barris de matéria-prima renovável por dia.

A planta produzirá combustível sustentável de aviação e diesel renovável. A capacidade anunciada pela empresa é de aproximadamente 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis por ano.

O projeto avança para uma nova etapa depois da estruturação financeira concluída em 2026, mas essa primeira unidade não representa ainda a implantação automática dos cinco módulos previstos no anúncio original de US$ 13,5 bilhões.

Biomassa será convertida em SAF e diesel renovável

A primeira biorrefinaria utilizará tecnologia HEFA, sigla em inglês para ésteres e ácidos graxos hidroprocessados. O processo transforma óleos e outras matérias-primas renováveis em hidrocarbonetos que podem ser utilizados na produção de combustíveis.

Segundo a Acelen Renováveis, a instalação foi projetada para receber diferentes matérias-primas e produzir tanto SAF quanto diesel renovável. A companhia associa o projeto à redução das emissões em comparação com combustíveis fósseis convencionais.

Uma parte do fornecimento já foi contratada. Em julho de 2026, a Acelen e a Bunge fecharam um acordo de cinco anos para entrega de 300 mil toneladas de óleo de soja certificado por ano, totalizando 1,5 milhão de toneladas durante a vigência do contrato.

O insumo começará a ser destinado à biorrefinaria a partir de 2029, quando a operação está prevista para começar. Dessa forma, o projeto liga o agronegócio brasileiro diretamente à cadeia de produção de combustíveis para transporte terrestre e aviação.

Primeira unidade terá capacidade de 20 mil barris por dia

A capacidade da planta baiana corresponde exatamente ao tamanho de um dos módulos desenhados no plano inicial divulgado pelos Emirados Árabes em 2024: aproximadamente 20 mil barris por dia.

Isso ajuda a entender a relação entre o anúncio de US$ 13,5 bilhões e o empreendimento atualmente em desenvolvimento. A primeira biorrefinaria materializa uma fração da estratégia original, mas não confirma por si só a construção das outras quatro unidades.

O cronograma também mudou em relação ao anúncio inicial. A comunicação de 2024 mencionava início de produção a partir de 2026, enquanto os documentos e acordos divulgados neste ano apontam agora para 2029.

A diferença é relevante porque separa planejamento de execução. Investimentos industriais dessa escala passam por financiamento, engenharia, contratação de fornecedores, construção, licenciamento e contratos de matérias-primas antes de atingir operação comercial.

Acelen fecha contratos antes do início da produção

Além do acordo com a Bunge, a Acelen Renováveis assinou em junho de 2026 uma parceria com a Trafigura para fornecimento de matérias-primas e comercialização dos combustíveis produzidos na futura unidade.

Segundo a Acelen Renováveis, o acordo busca garantir abastecimento da planta e criar canais para colocar SAF e diesel renovável nos mercados consumidores.

Esses contratos mostram que o projeto entrou no planejamento operacional antes mesmo do início da produção, conectando fornecedores agrícolas, financiamento, processamento industrial e comercialização futura.

A primeira unidade também recebeu apoio de instituições como IFC, HSBC e BNDES dentro de uma estrutura mais ampla de financiamento. A IFC registra o projeto como ativo e voltado à construção de uma instalação de 20 mil barris por dia usando tecnologia HEFA.

US$ 13,5 bilhões continuam sendo referência de um plano mais amplo

O valor de US$ 13,5 bilhões deve ser interpretado como a dimensão do plano de longo prazo anunciado pela Mubadala Capital, e não como dinheiro já integralmente desembolsado nas cinco biorrefinarias.

O empreendimento comprovadamente em desenvolvimento em 2026 é a primeira unidade na Bahia, com capacidade de 20 mil barris por dia e produção anual estimada em 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis.

Se todos os cinco módulos originalmente previstos forem executados nas mesmas dimensões anunciadas em 2024, a capacidade combinada poderá chegar aos 100 mil barris por dia mencionados no planejamento inicial.

Por enquanto, os Emirados Árabes avançam no Brasil por meio dessa primeira etapa da Mubadala e da Acelen. A partir de 2029, a previsão é que biomassa e óleos renováveis processados na Bahia comecem a ser convertidos em SAF e diesel renovável em escala industrial, enquanto a expansão para os demais módulos dependerá de novas decisões de investimento e execução.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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