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Emissões do Brasil caem 6% em 2025, para 2,06 bilhões de toneladas de gases, e a emissão líquida chega ao menor nível desde 2012 com menos desmatamento
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 22/10/2026 às 23:36
Meio Ambiente
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Dados do SEEG, do Observatório do Clima, mostram o terceiro ano seguido de queda nas emissões do Brasil, com a derrubada de florestas como principal motivo.
O Brasil emitiu 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em gases de efeito estufa em 2025, uma queda de 6% em relação a 2024, quando o total havia sido de 2,19 bilhões. Os números são do SEEG, o sistema de estimativas do Observatório do Clima, divulgado em 21 de outubro e detalhado pela Agência Brasil.
Quanto as emissões do Brasil caíram em 2025?
As emissões brutas são o que o país lança na atmosfera. Esse total de gases ficou no menor valor desde 2018. Já as emissões líquidas descontam a remoção de carbono pela vegetação secundária e pelas áreas protegidas. Elas somaram 1,41 bilhão de toneladas de carbono equivalente, uma queda de 9% e o menor nível das emissões do Brasil desde 2012.
O coordenador do SEEG, David Tsai, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), diz que o país cortou um quarto das suas emissões brutas nos últimos quatro anos. Para ele, o número é um feito digno de nota, porque nos 13 anos anteriores as emissões cresceram em dois terços.
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Por que as emissões do Brasil caíram?
O motivo principal foi a queda do desmatamento. As emissões da mudança de uso da terra, categoria que inclui sobretudo a derrubada de florestas, recuaram 15% nas brutas, de 957 milhões para 814 milhões de toneladas. Nas líquidas, o recuo chegou a 48%, de 311 milhões para 162 milhões de toneladas, o menor valor da série histórica do SEEG.
Os dados do desmatamento oficial confirmam a tendência. Pelo Prodes, do Inpe, o desmatamento na Amazônia Legal foi de 5.731 km² em 2025, uma redução de 12,07%. No Cerrado, a taxa ficou em 7.235 km², queda de 11,4% e a menor em cinco anos, pelos números reunidos pelo Metrópoles. Menos floresta derrubada significa menos carbono liberado.
O desmatamento foi a principal fonte das emissões do Brasil em 2025, com 39% do total, conta o g1. As emissões ligadas à destruição da vegetação caíram 20% na Amazônia, 21% no Pampa e 45% no Pantanal. O SEEG também registrou menos emissões por queimadas que não estão ligadas diretamente ao desmatamento.
Qual setor subiu nas emissões do Brasil?
Energia e resíduos subiram. O setor de energia cresceu 1,2%, de 422 milhões para 427 milhões de toneladas, puxado pelo consumo de combustíveis nos transportes. O diesel subiu 3% e a gasolina, 4%, e a queima desses combustíveis lança gases e carbono direto na atmosfera. Resíduos avançaram 3,6%, de 92 milhões para 96 milhões de toneladas.
A agropecuária ficou praticamente parada, com queda de 0,1% e 626 milhões de toneladas. Processos industriais variaram 0,2%. Quando se somam emissões diretas e indiretas, a agropecuária segue como o maior emissor do país, com 70% do total, pela conta citada no Metrópoles.
O rebanho de bovinos caiu 1,7% em 2025, para 234,2 milhões de animais, mas o abate bateu recorde. Considerando também o desmatamento para abrir pastagens, a pecuária emitiu 721 milhões de toneladas de CO2 equivalente, outro peso grande nas emissões do Brasil.
O que falta para a meta do Brasil?
A meta da primeira contribuição nacional (NDC) para 2025 previa limitar as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas. O país ficou 85 milhões de toneladas de carbono equivalente acima desse limite, aponta a Agência Brasil. Tsai estima que, em 2026, o país ficará entre a meta de 2025 e a de 2030. O g1 cita cálculos preliminares do SEEG com 1,23 bilhão de toneladas líquidas neste ano.
Para 2030, a segunda NDC prevê emissões líquidas entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. Tsai alerta que a continuidade da redução do desmatamento é positiva, mas que os outros setores precisam cortar gases para que as emissões do Brasil fiquem dentro dos próximos compromissos. Sem isso, o carbono da energia e dos resíduos tende a ocupar o espaço aberto pela floresta.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

