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Empresa de Minas monta casas de 51 m² em apenas 48 horas usando paredes fabricadas
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 15/10/2026 às 11:50
Construção
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A Hauss Brasil, criada em Lavras, usa um sistema industrializado de Light Wood Frame para produzir as paredes fora do canteiro e montar as casas no local. Em Itamogi, a empresa iniciou um projeto com 150 unidades de 51 m² e dois quartos.
Uma empresa mineira está usando construção industrializada para reduzir o tempo necessário para erguer moradias populares. Criada em Lavras, no Sul de Minas Gerais, a Hauss Brasil monta casas de 51 m² em cerca de 48 horas, depois que as paredes chegam prontas de uma fábrica localizada no Paraná.
A tecnologia está sendo aplicada em um empreendimento do Minha Casa Minha Vida em Itamogi, também no Sul de Minas. Segundo reportagem de O TEMPO publicada em 2024, a empresa planejava entregar 150 casas, cada uma com dois quartos, até dezembro daquele ano.
Pouco menos de 40 dias depois do início do canteiro de obras, cerca de 60 unidades já estavam finalizadas. O ritmo está diretamente ligado ao processo industrial, que desloca boa parte da construção para dentro da fábrica antes de a casa chegar ao terreno.
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Paredes são fabricadas no Paraná antes de chegar ao canteiro
O principal diferencial do sistema está na forma de produzir as paredes.
Em vez de levantar tijolos e executar cada etapa diretamente no terreno, a Hauss Brasil fabrica grandes painéis em ambiente industrial. Essas placas misturam materiais como madeira e derivados do cimento.
A produção segue uma lógica semelhante à de uma linha de montagem. Cada setor executa uma parte específica da parede, de modo que as unidades saem padronizadas.
Segundo o CEO da empresa, Junior Bergamin, a fábrica tinha capacidade para produzir o equivalente a 12 casas por dia.
Depois de prontas, as paredes são transportadas até o município onde será feita a montagem.
É nessa fase que entra o prazo de 48 horas mencionado pela empresa.
Com os painéis já produzidos, a estrutura da casa pode ser montada no canteiro em dois dias.
Casas têm 51 m² e dois quartos
O projeto de Itamogi foi concebido com unidades de 51 m².
As residências possuem dois quartos e foram destinadas ao programa Minha Casa Minha Vida.
A aparência final se aproxima da de uma casa convencional, embora o sistema construtivo seja diferente.
As paredes têm cerca de 15 centímetros de espessura e fazem parte de um método conhecido como Light Wood Frame.
O modelo usa uma estrutura leve baseada em madeira e painéis industrializados, reduzindo a quantidade de etapas realizadas no próprio terreno.
A técnica possui parâmetros técnicos estabelecidos por norma brasileira aprovada em 2023, segundo a reportagem.
Empresa diz que sistema oferece conforto térmico e acústico
Além da velocidade, a Hauss Brasil atribui vantagens de desempenho às paredes usadas no sistema.
Segundo Junior Bergamin, o modelo proporciona conforto térmico mesmo em situações de temperatura externa muito baixa ou muito alta.
O executivo afirmou que, mesmo com temperaturas externas próximas de 0 ºC ou 40 ºC, o interior das casas poderia permanecer na faixa de 22 ºC a 23 ºC.
Ele também disse que o conforto acústico seria duas vezes superior ao de residências construídas pelo método tradicional.
Essas afirmações são apresentadas pela empresa como características do sistema.
A reportagem de O TEMPO não detalha testes independentes específicos realizados nas unidades de Itamogi para medir essas condições.
Tecnologia é mais cara em obras particulares
A rapidez de montagem não significa que o sistema seja mais barato em qualquer situação.
Segundo a própria empresa, a tecnologia da Hauss Brasil pode ser entre 30% e 40% mais cara em construções particulares do que métodos tradicionais.
Por essa razão, a estratégia inicial foi concentrar a atuação em projetos públicos e conjuntos residenciais de maior escala.
O ganho econômico aparece quando várias unidades são produzidas de maneira padronizada.
Bergamin afirmou que a empresa consegue competir em preço a partir de 50 casas.
Essa escala permite diluir custos de produção, logística e montagem.
Itamogi terá 150 casas de R$ 130 mil cada
O primeiro chamamento público vencido pela Hauss Brasil foi justamente em Itamogi.
No município, o projeto prevê 150 casas avaliadas em R$ 130 mil cada.
Depois de Itamogi, a empresa também venceu chamamentos em Ingaí, no Sul de Minas, e Dores do Indaiá, no Centro-Oeste do Estado.
A aposta da companhia está diretamente ligada ao uso do sistema em programas habitacionais com grande número de unidades.
Isso porque a produção industrial permite repetir o mesmo projeto com pouca variação entre uma casa e outra.
Cerca de 85% da casa é produzida fora do canteiro
Outra característica do modelo é a redução do volume de trabalho realizado no terreno.
Segundo Bergamin, cerca de 85% da casa é feita fora do canteiro de obras.
Isso diminui a necessidade de instalar grandes estruturas de apoio no local.
A empresa argumenta que essa característica pode permitir a distribuição das moradias em pontos diferentes de uma mesma cidade, em vez de concentrar todas as unidades em um único conjunto afastado.
Na avaliação do CEO, seria possível construir pequenos grupos de casas em áreas que já possuem creches, postos de saúde, coleta de lixo e transporte público.
A defesa apresentada é que o modelo industrializado pode reduzir a necessidade de abrir grandes frentes de urbanização para novos conjuntos residenciais.
Empresa investiu R$ 40 milhões na operação
O investimento inicial da Hauss Brasil foi de R$ 40 milhões.
A companhia também traçou metas maiores de produção.
Na época da reportagem, o objetivo era entregar 1.052 casas até julho de 2025.
Em uma etapa posterior, a empresa pretendia alcançar a capacidade máxima da fábrica, estimada em 4.000 casas por ano.
A Hauss Brasil também planejava desenvolver soluções para edifícios de até quatro pavimentos a partir de 2025.
Esses números eram projeções apresentadas pela companhia em 2024 e não representam, por si só, entregas já realizadas.
Editais das prefeituras ainda podem limitar o uso da tecnologia
Apesar da velocidade de montagem, o sistema enfrenta obstáculos administrativos.
Um deles está nos editais públicos.
Segundo a empresa, algumas prefeituras ainda estabelecem especificações de materiais que restringem o uso de métodos diferentes da construção convencional.
Isso pode impedir ou dificultar a adoção do Light Wood Frame mesmo quando a técnica atende aos parâmetros técnicos necessários.
Junior Bergamin conhece esse processo por já ter ocupado o cargo de secretário de Obras de Lavras.
A empresa mantém sua sede administrativa no município e, segundo o executivo, pretendia atender cidades dentro de sua área operacional com a tecnologia desenvolvida.
Produção industrial muda a lógica do canteiro
Assista o vídeo
O caso de Itamogi mostra como a industrialização pode alterar o ritmo de construção de moradias.
No sistema convencional, grande parte da casa nasce diretamente no terreno, com etapas sucessivas de alvenaria, instalações e acabamento.
No modelo usado pela Hauss Brasil, boa parte da residência chega ao canteiro já preparada.
Isso permite que a montagem aconteça rapidamente depois que fundação e demais etapas anteriores estão prontas.
Por essa razão, o prazo de 48 horas não significa que todo o empreendimento, do terreno vazio à residência finalizada, seja concluído em dois dias.
Ele se refere principalmente à montagem das casas depois que os componentes industrializados chegam ao local.
No projeto de Itamogi, a empresa apostou nessa lógica para construir 150 unidades de 51 m² ligadas ao Minha Casa Minha Vida, usando painéis produzidos no Paraná e um processo de montagem repetitivo para acelerar a execução.
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Minha casa Minha Vida
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

