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Empresa de transporte marítimo investe US$ 216 milhões na construção de dois navios de 93 mil m³ para transportar amônia e gases petroquímicos e garante contratos de US$ 162 milhões antes das entregas em 2028

Empresa de transporte marítimo investe US$ 216 milhões na construção de dois navios de 93 mil m³ para transportar amônia e gases petroquímicos e garante contratos de US$ 162 milhões antes das entregas em 2028

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Empresa de transporte marítimo investe US$ 216 milhões na construção de dois navios de 93 mil m³ para transportar amônia e gases petroquímicos e garante contratos de US$ 162 milhões antes das entregas em 2028

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 08/10/2026 às 20:41

Atualizado em 08/10/2026 às 20:45

Indústria Naval

Canal

SFL Corporation anunciou investimento de US$ 216 milhões para construir dois navios transportadores de amônia, com capacidade de 93 mil metros cúbicos cada e entregas previstas a partir de 2028. Imagem ilustrativa criada por IA.

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A SFL Corporation anunciou a entrada no mercado de transporte marítimo de gases com duas embarcações de propulsão dual-fuel, contratadas por uma companhia petrolífera europeia que garantirá receitas futuras de afretamento, com possibilidade de ampliar os acordos por mais quatro anos.

A SFL Corporation anunciou um investimento de aproximadamente US$ 216 milhões na construção de dois navios transportadores de amônia, cada um com capacidade de 93 mil metros cúbicos, em uma operação que marca sua entrada em um novo segmento da indústria marítima internacional. O projeto foi divulgado em 5 de outubro de 2026 e prevê as primeiras entregas a partir do segundo trimestre de 2028.

O diferencial do negócio está na contratação das embarcações antes mesmo de sua construção. A companhia informou que firmou acordos de afretamento de longo prazo com uma grande empresa petrolífera europeia, garantindo a inclusão de pelo menos US$ 162 milhões em receitas futuras contratadas em sua carteira comercial.

Os dois valores representam compromissos distintos. Os US$ 216 milhões correspondem ao custo total estimado de construção das embarcações nos estaleiros, enquanto os US$ 162 milhões representam receitas mínimas previstas nos contratos de utilização dos navios ao longo dos próximos anos, e não um pagamento antecipado.

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Segundo o comunicado oficial da SFL Corporation, as novas embarcações serão classificadas como Very Large Ammonia Carriers (VLACs), navios de grande capacidade desenvolvidos para transportar amônia e diferentes gases petroquímicos.

As unidades também receberão sistemas de propulsão dual-fuel e tecnologias destinadas a melhorar a eficiência energética e otimizar a quantidade de carga transportada.

A identidade da companhia petrolífera contratante não foi divulgada, mas a SFL confirmou que se trata de uma empresa europeia com classificação de crédito em grau de investimento.

Dois navios de 93 mil m³ colocam a SFL em um mercado no qual cada embarcação custa cerca de US$ 108 milhões

A encomenda representa uma mudança na composição dos investimentos da SFL Corporation, empresa que já atua em diferentes segmentos do transporte marítimo internacional.

Sua frota inclui navios petroleiros, graneleiros, porta-contêineres, transportadores de veículos e ativos relacionados à perfuração offshore.

Com o novo contrato, a companhia amplia sua atuação para o transporte especializado de gases, segmento que exige embarcações projetadas para lidar com produtos químicos e cargas que não podem ser movimentadas em tanques convencionais.

Cada navio encomendado terá capacidade de aproximadamente 93 mil metros cúbicos, o equivalente a 93 milhões de litros em volume geométrico. Esse número expressa a capacidade nominal de armazenamento, não o volume que necessariamente poderá ser preenchido em cada viagem.

Considerando o investimento conjunto de US$ 216 milhões, o custo médio estimado de construção será de aproximadamente US$ 108 milhões por embarcação.

O valor mostra a dimensão financeira da encomenda, embora não permita determinar o custo de cada equipamento instalado ou a margem comercial do estaleiro responsável pela fabricação.

As embarcações foram projetadas para transportar amônia e uma variedade de gases petroquímicos, característica que pode ampliar suas possibilidades de utilização comercial.

Essa flexibilidade é importante porque a demanda por transporte marítimo especializado depende não apenas do volume global de determinada mercadoria, mas também da localização dos produtores, dos consumidores e das instalações portuárias capazes de receber cada tipo de carga.

Ao incorporar navios com capacidade para diferentes produtos, a SFL procura adicionar ativos que possam atender às necessidades de uma cadeia logística internacional de elevada especialização.

Por que transportar amônia exige navios diferentes dos petroleiros convencionais?

A amônia é um composto químico formado por nitrogênio e hidrogênio, amplamente utilizado na fabricação de fertilizantes e em diferentes processos industriais.

Também vem sendo estudada como possível combustível marítimo de menor emissão de carbono durante a combustão, dependendo de sua origem e das tecnologias empregadas.

Entretanto, transportar amônia em grandes quantidades envolve exigências operacionais específicas.

A substância é tóxica e pode apresentar riscos à saúde humana e ao meio ambiente em situações de vazamento. Sua movimentação marítima exige sistemas adequados de contenção, controle de pressão, temperatura e segurança.

Em condições atmosféricas normais, a amônia possui ponto de ebulição próximo de -33 °C. Para transportá-la em estado líquido, as embarcações utilizam soluções de refrigeração, pressurização ou combinações dessas tecnologias, conforme o tipo de navio e as características da carga.

Por esse motivo, um transportador de amônia não deve ser confundido com um navio petroleiro convencional.

Os sistemas de carga precisam utilizar materiais compatíveis com o produto transportado, além de equipamentos destinados à detecção de vazamentos, ventilação e controle operacional.

As operações também dependem de procedimentos especializados nos terminais portuários e de tripulações preparadas para lidar com os riscos associados aos gases liquefeitos.

As novas unidades da SFL terão capacidade nominal de 93 mil metros cúbicos, mas a companhia não divulgou integralmente o projeto dos tanques, as dimensões dos cascos ou os equipamentos de manuseio de carga previstos para cada embarcação.

Essas informações serão importantes para compreender as características técnicas definitivas do projeto.

Propulsão dual-fuel será incorporada às novas embarcações para ampliar eficiência operacional

Além da capacidade de transportar amônia e gases petroquímicos, os dois navios receberão sistemas de propulsão dual-fuel.

Essa tecnologia permite que determinados motores marítimos operem com dois tipos de combustível, conforme a configuração escolhida pelo fabricante.

A solução vem ganhando espaço na construção naval porque pode oferecer maior flexibilidade na escolha de combustíveis e, dependendo das substâncias utilizadas e das condições de operação, reduzir determinadas emissões.

No anúncio de outubro, a SFL confirmou a utilização de propulsão dual-fuel, mas não especificou quais combustíveis serão empregados.

Isso significa que ainda não é possível afirmar que os navios serão movidos a amônia.

A distinção é importante: uma embarcação capaz de transportar amônia como carga não necessariamente utiliza esse mesmo produto em seus motores.

O comunicado também informa que as unidades incorporarão tecnologias modernas destinadas à eficiência de combustível e à otimização da capacidade de carga.

Na prática, esses recursos podem envolver diferentes soluções de engenharia naval, desde melhorias hidrodinâmicas até sistemas de gerenciamento energético e aperfeiçoamentos na operação dos tanques.

A companhia, entretanto, não apresentou uma lista detalhada dessas tecnologias nem informou percentuais específicos de redução no consumo de combustível.

O que está confirmado é que os novos transportadores serão construídos com propulsão dual-fuel e soluções destinadas a melhorar o desempenho operacional.

Contratos de US$ 162 milhões foram firmados com petrolífera europeia antes da construção dos navios

Um dos pontos mais relevantes da operação é a estrutura comercial adotada pela SFL Corporation.

A empresa não anunciou simplesmente a compra de duas embarcações para depois procurar clientes interessados em utilizá-las.

Ao mesmo tempo em que formalizou a encomenda dos navios, a companhia negociou contratos de afretamento de longo prazo com uma empresa petrolífera europeia.

Esse tipo de contrato, conhecido internacionalmente como time charter, estabelece a disponibilização de uma embarcação ao afretador durante determinado período, mediante remuneração contratualmente definida.

A SFL informou que os acordos acrescentam pelo menos US$ 162 milhões à sua carteira de receitas contratadas a taxas fixas.

Isso representa uma perspectiva de faturamento futuro associada às novas embarcações, desde que as condições contratuais sejam cumpridas.

A identidade da petrolífera não foi divulgada.

Segundo a própria SFL, a contratante possui classificação de crédito em grau de investimento, característica que indica uma avaliação favorável de sua capacidade de honrar obrigações financeiras, embora não elimine riscos comerciais.

A decisão de contratar a utilização dos navios antes de sua entrega reduz parte da incerteza relacionada à busca por clientes após a construção.

Entretanto, os US$ 162 milhões não representam lucro líquido garantido. A operação continuará sujeita a custos de financiamento, manutenção, operação e outras despesas associadas aos ativos marítimos.

O desempenho financeiro dependerá também do cumprimento dos contratos, da entrega das embarcações e das condições efetivas de operação.

Petrolífera poderá ampliar contratos por até quatro anos, enquanto duração inicial ainda será definida

Embora a SFL tenha divulgado um valor mínimo de US$ 162 milhões em receitas contratadas, a negociação ainda contém elementos que serão definidos.

A duração inicial dos contratos de afretamento deverá ser estabelecida nos seis meses seguintes ao anúncio de outubro de 2026.

Dependendo do período escolhido, a carteira de receitas contratadas poderá aumentar.

A companhia informou ainda que a petrolífera terá opções para prorrogar o uso das embarcações por até quatro anos adicionais.

Esse mecanismo oferece flexibilidade ao cliente e cria a possibilidade de prolongar a geração de receitas dos navios.

Para a SFL, a importância comercial dessas cláusulas está na previsibilidade que contratos de longo prazo podem oferecer.

A construção de um navio envolve investimentos elevados, e seu retorno financeiro normalmente depende de receitas distribuídas ao longo de vários anos.

Ao associar a encomenda a contratos de utilização futura, a empresa procura equilibrar o investimento inicial com uma fonte prevista de receita operacional.

Isso também ajuda a explicar por que a classificação de crédito da contratante foi destacada no comunicado oficial.

Em operações de longa duração, a capacidade financeira do afretador pode ser tão importante quanto as características técnicas da embarcação.

O valor final da carteira contratada poderá ser superior aos US$ 162 milhões inicialmente anunciados, mas ainda não é possível quantificar esse acréscimo.

SFL acrescentou mais de US$ 1,3 bilhão à carteira de receitas contratadas em 2026

A encomenda dos navios de amônia faz parte de um movimento mais amplo de expansão comercial da SFL Corporation.

Segundo Ole B. Hjertaker, diretor-presidente da SFL Management, a entrada no segmento de transporte de gases representa um novo investimento destinado a ampliar as atividades da companhia.

No comunicado divulgado em 5 de outubro, o executivo destacou que a contratação dos navios por uma petrolífera europeia com grau de investimento reforça a posição da empresa como fornecedora de ativos para logística marítima.

A SFL também informou que, considerando aquisições e extensões contratuais anunciadas desde o início de 2026, adicionou mais de US$ 1,3 bilhão à sua carteira de receitas futuras contratadas a taxas fixas.

Esse valor não corresponde exclusivamente aos dois transportadores de amônia.

Ele reúne diferentes operações realizadas pela companhia ao longo do ano, incluindo investimentos em embarcações e prorrogações de contratos existentes.

A estratégia empresarial está associada à manutenção de uma frota diversificada e de contratos capazes de sustentar receitas por períodos prolongados.

A atuação em diferentes segmentos também permite que a companhia explore oportunidades comerciais em mercados com características distintas.

Navios porta-contêineres, petroleiros, graneleiros e transportadores de gases atendem cadeias logísticas diferentes e enfrentam condições próprias de oferta e demanda.

O investimento em transportadores de amônia amplia esse portfólio e cria uma nova frente de negócios para a empresa.

Entregas começam em 2028, mas SFL ainda não informou qual estaleiro construirá as embarcações

O cronograma divulgado prevê que a entrega dos novos navios comece no segundo trimestre de 2028, período compreendido entre abril e junho daquele ano.

A companhia não detalhou se as duas unidades serão entregues simultaneamente ou em datas diferentes.

Também não identificou publicamente o estaleiro contratado para realizar a construção.

Essa ausência de informação impede atribuir o investimento a determinado país ou fabricante naval.

O comunicado confirma o custo total estimado de US$ 216 milhões para a construção, mas não apresenta o cronograma detalhado das etapas industriais.

A fabricação de embarcações especializadas envolve atividades de engenharia, produção de blocos estruturais, instalação dos sistemas de carga, integração da propulsão e realização de testes antes da entrega.

No caso de transportadores de gases liquefeitos, a integração dos equipamentos de contenção e manuseio da carga representa uma etapa particularmente importante.

A programação poderá sofrer alterações conforme as condições de fabricação e o cumprimento dos contratos com os fornecedores.

Para o setor de construção naval, a encomenda representa demanda adicional por navios de alta especialização, capazes de combinar transporte de gases, soluções de eficiência energética e contratos comerciais de longo prazo.

A identificação do estaleiro responsável será uma informação relevante para dimensionar os efeitos industriais do investimento.

Nova encomenda mostra como o transporte de amônia começa a ganhar espaço nas estratégias de empresas marítimas

A decisão da SFL Corporation de entrar no segmento de transporte de gases ocorre em um momento de crescente atenção ao papel da amônia nas cadeias internacionais de energia e produtos químicos.

O composto já possui utilização consolidada na indústria de fertilizantes, mas também desperta interesse em projetos relacionados ao transporte de hidrogênio e ao desenvolvimento de combustíveis alternativos para a navegação.

Esse interesse não significa que toda nova encomenda de transportadores de amônia esteja diretamente associada à transição energética.

No caso dos dois navios anunciados pela SFL, a empresa confirmou que as embarcações poderão transportar diferentes gases petroquímicos e serão contratadas por uma petrolífera europeia, sem detalhar quais produtos serão movimentados durante os primeiros anos de operação.

A flexibilidade de carga pode ser um fator importante para a utilização futura dos ativos.

O projeto também revela a relação cada vez mais próxima entre decisões de investimento em construção naval e contratos comerciais previamente negociados.

Antes mesmo de receber as embarcações, a SFL já possui acordos que acrescentam pelo menos US$ 162 milhões à sua carteira de receitas futuras, com possibilidade de ampliar esse montante.

A próxima etapa será definir a duração inicial dos contratos de afretamento, prevista para os seis meses seguintes ao anúncio.

Enquanto isso, a companhia deverá avançar no desenvolvimento dos dois navios, cuja entrega está programada para começar em 2028.

O investimento de US$ 216 milhões marca a entrada da SFL em um segmento no qual a capacidade técnica das embarcações e a existência de contratos de longo prazo serão determinantes para o retorno financeiro. Permanecem sem divulgação pública o nome do estaleiro construtor, a identidade da petrolífera contratante e a especificação dos combustíveis que serão utilizados na propulsão dual-fuel.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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