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EnergyX assina contrato de US$ 2 bilhões para vender 100 mil toneladas de lítio ao longo de uma década, mas a usina de demonstração que opera no Texas tem capacidade de só 250 toneladas por ano

EnergyX assina contrato de US$ 2 bilhões para vender 100 mil toneladas de lítio ao longo de uma década, mas a usina de demonstração que opera no Texas tem capacidade de só 250 toneladas por ano

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EnergyX assina contrato de US$ 2 bilhões para vender 100 mil toneladas de lítio ao longo de uma década, mas a usina de demonstração que opera no Texas tem capacidade de só 250 toneladas por ano

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 13/10/2026 às 07:01

Mineração

Grupo

Foto: Divulgação/EnergyX

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A EnergyX, empresa de Austin, fechou na segunda-feira (12) a venda de lítio para a Trafigura, uma das maiores tradings do mundo, mas só prevê produção em escala comercial a partir de 2028 no Chile e de 2029 no Texas.

A EnergyX assinou na segunda-feira (12) um contrato vinculante para vender 100 mil toneladas de lítio à Trafigura em 10 anos. Pelo comunicado da Trafigura, o acordo cobre carbonato de lítio do Chile e hidróxido de lítio do Texas, em grau de bateria.

Pela conta da própria EnergyX, o negócio passa de US$ 2 bilhões em receita. O cálculo usa o preço de hoje, perto de US$ 20 mil por tonelada. É o primeiro contrato de venda que a empresa torna público.

Quanto o contrato de lítio da EnergyX com a Trafigura rende por ano?

Dividido pelos 10 anos, o acordo dá cerca de 10 mil toneladas por ano. Segundo a agência Reuters, citada pelo site The Deep Dive, são 5 mil toneladas de carbonato de lítio do Chile e 5 mil de hidróxido do Texas.

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A conta de padaria fecha fácil. São 100 mil toneladas vezes US$ 20 mil, ou US$ 2 bilhões, o que dá US$ 200 milhões por ano.

O contrato é do tipo take-or-pay, segundo a EnergyX. Nesse modelo, o comprador se compromete a pagar pelo volume combinado mesmo que não retire tudo.

A usina de demonstração que existe hoje

A maior referência de produção da empresa é pequena perto do contrato. O site Mining.com informa que a usina de Lonestar, em Hooks, no Texas, foi ligada neste ano. Ela é de demonstração e tem capacidade para cerca de 250 toneladas por ano de carbonato de lítio equivalente.

A área da EnergyX em Black Giant, no Chile, onde fica a usina de demonstração. Foto: Divulgação/EnergyX

Se as 10 mil toneladas anuais saíssem só dessa unidade, ela teria de ser 40 vezes maior. A conta é nossa: 10.000 dividido por 250.

A EnergyX afirma que já provou a tecnologia no laboratório, em escala piloto e agora em usinas de demonstração nos dois países. Segundo a empresa, cada uma é a maior do tipo no respectivo país.

Quando começa a produção em escala comercial

A Trafigura informa que a EnergyX mira a produção comercial em 2028 no projeto Black Giant, no Chile. No Lonestar, no Texas, a meta é 2029.

A entrada do site de Black Giant, que mira produção comercial em 2028. Foto: Divulgação/EnergyX

O The Deep Dive mostra o tamanho do salto. Black Giant começa com 7,5 mil toneladas por ano e deve chegar a 52,5 mil até 2030. O projeto comercial do Texas mira 15 mil toneladas anuais a partir de 2029.

O prazo já foi mais curto. Segundo o mesmo site, o anúncio de setembro de 2025 falava em produção comercial inicial até 2027.

Quanto da produção futura já tem comprador?

A Trafigura vai ficar com 66% da fase 1 de Black Giant e com 30% da fase 1 de Lonestar, de acordo com o comunicado. A EnergyX diz que conversa com outros compradores para vender 80% da produção antes de operar em escala comercial.

A conta é nossa: 66% das 7,5 mil toneladas de Black Giant dá cerca de 4.950 toneladas por ano. O número bate com as 5 mil de carbonato de lítio citadas pela Reuters.

Teague Egan, fundador e presidente da EnergyX, afirmou no comunicado da empresa que a compra de longo prazo mostra que o mercado quer o produto da empresa. O comprador, disse ele, tem o porte de crédito que bancos e investidores exigem. O contrato dá a eles a previsão de receita de que precisam antes de financiar a construção.

O financiamento ainda está em aberto. A empresa diz que o contrato ajuda a destravar a carta de intenção de US$ 690 milhões do banco americano EXIM. O The Deep Dive lembra que uma carta de intenção não é um empréstimo fechado.

O preço de US$ 20 mil por tonelada vai se manter?

Os US$ 20 mil são o preço de hoje. A BMI, braço da Fitch Solutions, vê queda. Em análise citada pelo Mining.com em 27 de agosto, ela projeta para o carbonato de lítio chinês uma média de US$ 16.500 em 2027 e US$ 14.500 em 2028. É o ano em que Black Giant promete começar a produzir.

Aplicada às 100 mil toneladas, a conta é nossa: US$ 1,65 bilhão no primeiro preço e US$ 1,45 bilhão no segundo. A conta usa só o carbonato, e o contrato inclui hidróxido. Ela mostra o tamanho da faixa, não prevê a receita.

Como esse volume se compara ao lítio do Brasil?

O Observatório da Mineração cita o Sumário Mineral 2025 da Agência Nacional de Mineração (ANM). Segundo ele, o país produziu em 2024 944,1 mil toneladas de concentrado de espodumênio. Isso equivale a 25.979 toneladas de óxido de lítio contido, alta de 71% sobre 2023.

Para pôr lado a lado com o carbonato do contrato, multiplicamos o óxido por 2,473, a razão entre a massa molar do carbonato e a do óxido de lítio. Dá cerca de 64,2 mil toneladas de carbonato equivalente. As 10 mil toneladas anuais do acordo seriam cerca de 16% disso.

É uma comparação de ordem de grandeza. O contrato inclui hidróxido, e o dado brasileiro é de concentrado, não de composto químico pronto para bateria.

Para onde vai o lítio da EnergyX

A Trafigura diz que uma parte significativa dos volumes deve abastecer a cadeia americana de baterias. O Mining.com lembra que a China concentra entre 70% e 75% da capacidade mundial de conversão química do lítio. Isso deixa os Estados Unidos dependentes de processamento estrangeiro.

A Trafigura já tinha fechado em março outro acordo do tipo, de 80 mil toneladas, com a Smackover Lithium, no Arkansas, segundo o The Deep Dive.

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litio


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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