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Enquanto a inteligência artificial avança e transforma empregos e a vida cotidiana, líderes cristãos relacionam a tecnologia ao Anticristo e às profecias do Apocalipse sobre o fim dos tempos

Enquanto a inteligência artificial avança e transforma empregos e a vida cotidiana, líderes cristãos relacionam a tecnologia ao Anticristo e às profecias do Apocalipse sobre o fim dos tempos

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Enquanto a inteligência artificial avança e transforma empregos e a vida cotidiana, líderes cristãos relacionam a tecnologia ao Anticristo e às profecias do Apocalipse sobre o fim dos tempos

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 02/10/2026 às 00:03

Inteligência Artificial (I.A)

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Representação ilustrativa da Terra entre destruição e normalidade simboliza os temores que levam alguns líderes cristãos a relacionar a IA às profecias do Apocalipse.

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A expansão da inteligência artificial abriu uma discussão que ultrapassa empregos, tecnologia e segurança. Nos Estados Unidos, líderes cristãos passaram a questionar se a IA poderia desempenhar algum papel nas profecias bíblicas relacionadas ao Anticristo e ao fim dos tempos, enquanto especialistas observam que temores semelhantes costumam surgir durante períodos de grandes transformações sociais.

O debate ganhou força com declarações de religiosos influentes. O pastor Philip Anthony Mitchell, de Atlanta, afirmou que a IA teria papel central nos “tempos finais”. Greg Laurie também questionou se a tecnologia poderia integrar esse cenário, enquanto Mike Signorelli relacionou seu avanço ao caminho que, segundo sua interpretação, levaria ao Anticristo.

Apocalipse está no centro das interpretações que relacionam inteligência artificial ao Anticristo.

Grande parte dessas associações nasce de interpretações do Apocalipse, último livro da Bíblia. O texto apresenta figuras como a besta que emerge do mar, descrita com sete cabeças e dez chifres, personagem que determinadas correntes cristãs relacionam ao Anticristo.

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Alguns religiosos passaram a comparar a inteligência artificial à chamada segunda besta ou ao “falso profeta”, responsável por enganar a humanidade. Há ainda quem questione se a própria IA poderia representar o Anticristo. Essas leituras, porém, estão longe de formar um consenso entre os cristãos.

Muitos fiéis e estudiosos interpretam o Apocalipse de maneira metafórica. Algumas dessas leituras consideram que suas passagens estavam relacionadas à perseguição enfrentada pela Igreja em seus primeiros tempos, durante o Império Romano. A associação direta entre inteligência artificial e personagens bíblicos permanece, portanto, uma interpretação religiosa específica.

Mudanças provocadas pela IA ajudam a explicar o retorno das discussões sobre o fim dos tempos.

A velocidade das transformações tecnológicas ajuda a compreender por que essas interpretações voltaram a ganhar espaço. A professora Noreen Herzfeld, especialista em inteligência artificial e ética da tecnologia, afirma que discussões sobre o fim dos tempos costumam florescer justamente durante períodos marcados por mudanças profundas.

Herzfeld compara as preocupações atuais com o impacto provocado pela Revolução Industrial. O temor de perda de empregos, a sensação de redução da autonomia humana e a velocidade do desenvolvimento dos computadores criam um ambiente de incerteza. Para algumas pessoas, encaixar essas mudanças em uma narrativa religiosa oferece uma maneira de compreender o que acontece ao redor.

A dimensão dessa crença já aparecia antes da atual expansão da IA. Uma pesquisa do Pew Research Center, realizada em 2022, mostrou que cerca de 39% dos adultos americanos acreditavam estar vivendo no fim dos tempos. Entre os cristãos entrevistados, o percentual chegava a 47%.

Outros períodos de incerteza também fizeram pessoas procurarem o Anticristo nos acontecimentos de sua época.

A inteligência artificial não é o primeiro fenômeno contemporâneo associado às profecias bíblicas. Jeffrey C. Pugh, professor da Universidade de Elon, recorda que sua própria avó acreditava que Franklin Delano Roosevelt fosse o Anticristo. Roosevelt assumiu a Presidência dos Estados Unidos em 1933, durante a Grande Depressão e um período de forte instabilidade econômica.

O fenômeno voltou a aparecer em outras décadas. Durante a Guerra Fria, entre 1947 e 1991, a União Soviética e o comunismo foram associados ao Anticristo por determinados grupos. Depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, alguns cristãos passaram a fazer associações semelhantes com o Islã.

As décadas de 1960 e 1970 tiveram importância particular para esse movimento nos Estados Unidos. Conflitos políticos, protestos, mudanças culturais e assassinatos de lideranças aumentavam a sensação de instabilidade, enquanto interpretações sobre a proximidade do fim dos tempos ganhavam espaço.

Livro de Hal Lindsey ajudou a aproximar acontecimentos mundiais das profecias sobre o fim dos tempos.

A popularidade de A Agonia do Grande Planeta Terra, do escritor evangélico americano Hal Lindsey, ampliou esse tipo de interpretação nos anos 1970. O livro relacionava acontecimentos e questões geopolíticas daquele período às profecias sobre os últimos dias.

Para Pugh, existe um padrão histórico nessa discussão. Os medos característicos de cada período acabam projetados sobre narrativas religiosas relacionadas ao fim dos tempos. Se outras gerações olharam para guerras, líderes políticos e conflitos ideológicos, parte do debate atual passou a observar a inteligência artificial.

Stephen Driscoll vê a IA como tecnologia assustadora, mas rejeita transformar a Bíblia em ferramenta de previsão.

O pastor australiano Stephen Driscoll levou a discussão para outra direção em Made in Our Image: God, Artificial Intelligence and You. Ele descreve a inteligência artificial como uma das tecnologias mais assustadoras já criadas e admite que ela poderia ser considerada um “candidato plausível” nessa discussão.

Sua análise, entretanto, não se limita à tentativa de identificar o Anticristo. Driscoll argumenta que a Bíblia oferece ferramentas para enfrentar períodos de transformação e cita Daniel, que atravessou diferentes impérios sem conseguir controlar as mudanças e tragédias ao seu redor.

A reflexão desloca o foco da tentativa de prever o futuro para a maneira como cristãos podem reagir às transformações do presente. Na visão apresentada por Driscoll, uma pessoa pode manter fé, esperança, amar outras pessoas e obedecer a Deus mesmo quando não consegue controlar os acontecimentos.

A discussão sobre IA, Anticristo, Apocalipse e fim dos tempos permanece aberta justamente por envolver diferentes interpretações religiosas. Enquanto alguns líderes enxergam possíveis conexões com profecias bíblicas, outros tratam o fenômeno como mais um exemplo de como grandes mudanças tecnológicas reativam medos e questões religiosas presentes há décadas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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