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EPE estima 1 trilhão de metros cúbicos de gás recuperável na Bacia de Pelotas, no litoral do RS e SC, onde não se fura poço exploratório desde 2001

EPE estima 1 trilhão de metros cúbicos de gás recuperável na Bacia de Pelotas, no litoral do RS e SC, onde não se fura poço exploratório desde 2001

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EPE estima 1 trilhão de metros cúbicos de gás recuperável na Bacia de Pelotas, no litoral do RS e SC, onde não se fura poço exploratório desde 2001

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 04/10/2026 às 14:54

Atualizado em 04/10/2026 às 14:55

Setor Offshore

Canal

Mapa da Bacia de Pelotas (contorno amarelo) no Atlântico Sul, do caderno de estudos da EPE publicado em 29 de setembro. Foto: Mapa: EPE, caderno Estimativa Volumétrica da Bacia de Pelotas (2026), CC BY 4.0; base cartográfica: Esri, Garmin, GEBCO, NOAA NGDC e outros colaboradores

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Estudo da EPE dá números à Bacia de Pelotas, sem perfuração exploratória desde 2001: além do gás, são 3,4 bilhões de barris de petróleo recuperáveis, tudo em estimativa preliminar, com risco e sem poço novo para confirmar.

A EPE estima 1.006,6 bilhões de metros cúbicos de gás natural recuperável na Bacia de Pelotas, no litoral gaúcho e catarinense. O dado está no Caderno de Estudos da EPE, de 29 de setembro, que avalia recursos ainda não descobertos, com elevado grau de incerteza.

Quanto gás e petróleo a EPE estima na Bacia de Pelotas?

São 1.006,6 bilhões de metros cúbicos de gás natural e 3,4 bilhões de barris de petróleo, os dois recuperáveis, segundo a EPE.

A Bacia de Pelotas (contorno amarelo) no mapa do caderno da EPE: o litoral do Rio Grande do Sul e parte do de Santa Catarina, na fronteira com o Uruguai. Foto: Mapa: EPE, caderno Estimativa Volumétrica da Bacia de Pelotas (2026), CC BY 4.0; base cartográfica: Esri, Garmin, GEBCO, NOAA NGDC e outros colaboradores

O estudo informa ainda o total em barris de óleo equivalente (boe): 9,7 bilhões, também recuperáveis. Em números redondos, o gás natural passa de 1 trilhão de metros cúbicos.

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Segundo a EPE, a Bacia de Pelotas faz fronteira com o Uruguai e abrange todo o litoral gaúcho e parte do catarinense. A área é de 348.383 km².

Número grande pede rótulo exato: tudo isso é estimativa, não gás à espera de um gasoduto.

Qual a diferença entre volume in place e volume recuperável?

O termo “in place” vale para o que existiria dentro da rocha. “Recuperável” é a parte que se consegue produzir.

A EPE informa 17,9 bilhões de boe in place na Bacia de Pelotas e 9,7 bilhões de boe recuperáveis. Pela conta da redação, 9,7 dividido por 17,9 dá 54%: pouco mais da metade.

Segundo o Caderno de Estudos da EPE, 80 leads entram na conta: áreas em que ainda falta dado para marcar onde perfurar. Para chegar ao recuperável, a EPE aplica fatores médios dos campos offshore brasileiros: 35% nos leads de óleo e 80% nos de gás.

Pela leitura da redação, a conta (9,7 menos 3,4) deixa 6,3 bilhões de boe para o gás natural, perto de dois terços do recuperável. Isso vale só se os 9,7 bilhões forem a soma de petróleo e gás.

Os rótulos não se misturam: 17,9 bilhões é in place, e os demais números são recuperáveis.

Quantos anos de gás do Brasil cabem em 1.006,6 bilhões de metros cúbicos?

Pela conta da redação, cerca de 12 anos da produção de gás natural de agosto, ou cerca de 40 anos do gás “disponibilizado ao mercado” no mesmo mês.

O boletim da ANP de agosto de 2026 informa 220,55 milhões de metros cúbicos por dia de produção de gás natural. Em 365 dias, são 80,5 bilhões por ano, e 1.006,6 dividido por 80,5 dá 12,5 anos.

O mesmo boletim registra 69,41 milhões de metros cúbicos por dia disponibilizados ao mercado. São 25,3 bilhões por ano, e a divisão dá cerca de 40 anos.

Nem toda a produção chega ao mercado, e por isso os dois resultados ficam tão distantes. Na leitura da redação, a régua dá tamanho, não prevê oferta: o volume da Pelotas é estimativa, e o de agosto é produção realizada.

Como a EPE chegou ao número da Bacia de Pelotas?

Com a revisão das informações de 9 poços exploratórios perfurados offshore e a interpretação de 4.541 linhas sísmicas 2D, que somam mais de 80.000 km, informa o caderno.

Os dados de poços e de sísmica começaram a ser carregados em outubro de 2023, conforme o caderno. Parte da sísmica é pública, parte é confidencial, e ambas vieram do BDEP por um acordo de cooperação entre ANP e EPE.

O trabalho identificou 80 leads na Bacia de Pelotas, dentro e fora dos blocos hoje sob contrato de concessão, afirma a EPE. Cada um foi avaliado com risco, pelo método de Capen (1992).

Em julho de 2025, a EPE contratou a consultoria R&F Advisory para a revisão por pares da interpretação. A avaliação final do volume in place saiu da parceria entre as duas, registra o caderno.

O que a Namíbia tem a ver com a Bacia de Pelotas?

A Namíbia é a margem conjugada africana da Bacia de Pelotas, informa a EPE. As duas evoluíram de forma parecida na abertura do Atlântico, a partir da fragmentação do supercontinente Gondwana.

A costa da Namíbia no mapa da EPE: as manchas magenta marcam descobertas de petróleo e gás, segundo a legenda do mapa. Foto: Mapa: EPE, caderno Estimativa Volumétrica da Bacia de Pelotas (2026), CC BY 4.0; base cartográfica: Esri, Garmin, GEBCO, NOAA NGDC e outros colaboradores

As descobertas em águas profundas da Namíbia, registradas desde a década de 2020, ampliaram o interesse exploratório na margem sul do Atlântico, afirma o caderno. A Bacia de Pelotas passou a receber atenção crescente da indústria.

Na Namíbia, a campanha recente resultou na declaração de 14 descobertas, e o primeiro óleo do campo de Vênus é estimado para 2030, registra a EPE.

Os volumes na Namíbia somam 18 bilhões de boe in place: a cifra é da consultoria Rystad Energy, que o caderno cita como fonte.

Os dois números usam o mesmo rótulo, in place, mas o caderno descreve situações diferentes: na Namíbia, a campanha recente declarou 14 descobertas; na Bacia de Pelotas, a EPE avalia recursos não descobertos.

O que ainda está em aberto na Bacia de Pelotas?

Os números ainda dependem de dado novo: no Brasil, não se perfura poço exploratório na Bacia de Pelotas desde 2001, registra o caderno.

Os resultados são indicativos de ordem de grandeza e ficam sujeitos a revisão, afirma a EPE, à medida que novos dados e estudos estejam disponíveis. Estimativa não é gás saindo do poço.

Há também risco tecnológico: para alguns leads, os dados de hoje apontam objetivos ultraprofundos, com mais de 7.700 metros, informa o caderno em nota.

A bacia já apareceu no CPG em dezembro de 2025, quando um navio de pesquisa sísmica voltou ao Sul do Brasil para buscas na região.

As informações técnicas, geológicas e de método do trabalho serão objeto de publicações futuras da EPE, segundo o próprio caderno.

Até lá, o número é mapa, não promessa: uma estimativa com risco, feita sobre áreas em que ainda falta dado para definir a locação de um poço.

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Bacia de Pelotas


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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