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Estado registra 84 pedidos de recuperação judicial no agronegócio, concentra quase 19% dos casos no Brasil e fica atrás apenas de Mato Grosso

Estado registra 84 pedidos de recuperação judicial no agronegócio, concentra quase 19% dos casos no Brasil e fica atrás apenas de Mato Grosso

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Estado registra 84 pedidos de recuperação judicial no agronegócio, concentra quase 19% dos casos no Brasil e fica atrás apenas de Mato Grosso

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 21/10/2026 às 12:54

Atualizado em 21/10/2026 às 13:50

Agronegócio

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Imagem: Ilustração

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Com 84 solicitações no segundo trimestre de 2026, Goiás ocupa o segundo lugar no país em recuperação judicial no agro. Apesar da queda nacional, especialistas apontam juros elevados, custos de produção e endividamento dos produtores

Mesmo com a queda dos pedidos de recuperação judicial no agro brasileiro, Goiás continua entre os estados mais afetados pelo endividamento rural. Dados do segundo trimestre de 2026 mostram que produtores e empresas ainda enfrentam dificuldades para manter as contas em dia.

Goiás concentra quase 19% dos pedidos de recuperação judicial no agro brasileiro

Segundo reportagem publicada pelo Jornal Opção, em 20 de outubro, Goiás contabilizou 84 pedidos de recuperação judicial entre abril e junho. O estado ficou atrás apenas de Mato Grosso, que registrou 107 solicitações.

O levantamento da Serasa Experian aponta que Goiás respondeu por 18,8% dos 448 pedidos apresentados nacionalmente. Isso significa que quase uma em cada cinco solicitações veio do estado.

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São Paulo aparece na terceira posição, com 72 pedidos. Depois vêm Minas Gerais, com 54, e Paraná, com 42 registros.

Entre os produtores rurais que atuam como pessoa física, Goiás apresentou 46 solicitações. Foram 23,4% dos 197 pedidos dessa categoria no país.

Mato Grosso liderou novamente, com 49 casos. Já entre os produtores organizados como pessoa jurídica, Goiás ficou em terceiro lugar, com 22 pedidos, atrás de Mato Grosso e São Paulo.

Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil

Pedidos caíram no Brasil, mas situação financeira ainda preocupa

Apesar dos números elevados, o segundo trimestre apresentou uma redução nacional de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 565 solicitações.

Na comparação com os primeiros três meses de 2026, quando foram registrados 474 pedidos, a queda chegou a 5,5%.

Para Filipe Denki, advogado e presidente da Câmara de Apoio à Empresa em Crise da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), essa redução ainda não significa uma recuperação financeira do setor.

Segundo ele, o agronegócio vinha registrando crescimento nos pedidos de recuperação judicial nos últimos anos. A diminuição recente representa uma desaceleração, mas ainda não permite afirmar que as dificuldades ficaram para trás.

Uma possível explicação está na entrada do dinheiro das safras. Muitos produtores aguardam a comercialização da produção para descobrir quanto conseguirão pagar aos bancos e demais credores.

Denki também aponta uma maior disposição das instituições financeiras para negociar dívidas sem necessidade de processos judiciais. Essa alternativa pode ajudar a explicar a redução das solicitações.

Juros altos e custos de produção pressionam produtores rurais

Entre os fatores apontados pelo advogado para o endividamento estão os juros elevados e a dependência de financiamentos bancários.

Grande parte das atividades rurais exige recursos antecipados para custear plantio, insumos e operações. Quando o crédito fica caro, o pagamento dessas obrigações se torna mais difícil.

Outro problema é o aumento dos custos de produção, que reduz a margem financeira dos agricultores.

Denki explica que os preços de commodities como soja, milho e algodão estão passando por uma recomposição, mas ainda não alcançaram os patamares registrados alguns anos atrás.

Além das dificuldades externas, ele menciona problemas de gestão financeira dentro das propriedades.

Segundo o advogado, alguns produtores movimentam grandes quantias, mas não possuem controle detalhado das receitas, despesas e dívidas. Isso dificulta decisões sobre financiamentos, investimentos e expansão da produção.

Imagem: Agência Brasil

Recuperação judicial não significa que o produtor faliu

Um ponto destacado pelo especialista é que solicitar recuperação judicial não significa necessariamente encerrar as atividades.

O procedimento permite que produtores e empresas em dificuldades financeiras busquem reorganizar suas dívidas, com acompanhamento da Justiça.

A falência representa uma situação diferente, relacionada à impossibilidade de continuidade da atividade econômica, conforme as condições previstas na legislação.

Por isso, os pedidos registrados pela Serasa Experian não representam automaticamente propriedades fechadas ou empresas que deixaram de produzir.

Agronegócio ainda pode enfrentar dificuldades nos próximos anos

Os números também precisam ser analisados considerando o histórico recente. Segundo a Serasa Experian, o agronegócio brasileiro encerrou 2025 com 1.990 pedidos de recuperação judicial, recorde da série iniciada em 2021.

Denki avalia que o setor poderá enfrentar dificuldades financeiras nos próximos dois anos, especialmente pela combinação de endividamento, custos elevados e problemas climáticos.

Apesar de acreditar na recuperação do agronegócio, o advogado considera necessário acompanhar a capacidade dos produtores de pagar suas dívidas e reorganizar as finanças.

A Serasa Experian também ressalta que a queda observada no segundo trimestre ainda precisa ser acompanhada nos próximos levantamentos para verificar se a redução dos pedidos será mantida.

Matéria elaborada com base em dados de Jornal Opção.

Fonte

https://www.jornalopcao.c


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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